ROMUALDO AVALIA O DEBATE LUCAS/ÍTALO

Prezados,

O debate travado pelos atores principais Lucas e Ítalo está cheio de lugares comuns. Creio que eles estão perdendo preciosos tempo e espaço e não vejo avanços em ambos os discursos. A característica do nosso “presidencialismo de coalizão”, expressão cunhada por Sérgio Abranches para explicar a forma como o nosso sistema político funciona por meio de permanente acordo entre Executivo e Legislativo, afeta os demais níveis de governo (estadual e municipal) levando-os a atuar da mesma maneira. Assim, não há como querer que um governo funcione (a tão cantada governabilidade) sem que os acordos entre partidos aconteçam. Isso em função do excessivo número de partidos, sistema eleitoral etc. Collor de Mello tentou governar de costas para o Congresso e deu no que deu.

O problema está na moeda de troca desses acordos/coalizões. Por mais que os atores políticos insistam em dizer o contrário, as alianças são concretizadas não em virtude das aproximações ideológicas ou por um projeto de governo comum, mas, antes, por posições na burocracia (cargos), liberações de emendas orçamentárias e outras formas materiais. Dai porque o verdadeiro “balaio de gato” que têm sido os diversos governos em todos os níveis. Lucas e Ítalo discutem esse balaio sem, contudo, tocar naquilo que poderia enriquecer o debate, ou seja, as causas do problema: sistema partidário atrofiado (27 partidos, financiamento de campanha), regime representativo proporcional equivocado (distritos eleitorais enormes) e relação distorcida entre os poderes (Executivo legisla, Legislativo não fiscaliza e Judiciário quer fazer política pública com suas decisões). Enquanto as causas permanecerem, a cada véspera de eleição presenciaremos outros Lucas e Ítalo nesse vai e vem.

Lucas e Ítalo, como “representates” partidários, são frutos desse sistema e fazem bem (ou mal) o trabalho de suas respectivas agremiações. E é isso, que de uma forma ou de outra, garante-lhes (partidos e representantes) a sobrevivência. Como bem lembrou Arnaldo Pinto em mensagem anterior neste Blog, as divergências de hoje serão passado amanhã quando os atores contrários de hoje encenarão outro papel. Bandido vira mocinho, mocinho vira bandido, ou ambos se tornam bandidos ou mocinhos ao mesmo tempo, dependendo do que esteja em jogo. Que tal trazer aqui as sugestões que ambos os grupos possuem para corrigir as causas dessas distorções?

É isso.
Saudações,
Romualdo

8 thoughts on “ROMUALDO AVALIA O DEBATE LUCAS/ÍTALO

  • maio 10, 2010 em 10:32 pm
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    Caro Romualdo, tudo isso que vc diz é correto na minha avaliação. Também acredito nisso que você chama de acordo de burocracia (cargos) de fato você está coberto de razão.
    Porém, para além disso, ainda acredito sim em uma aliança prgramática, afinal nós do PT temos parceiros históricos no Brasil, te dou como exemplo o PCdoB, aliado de primeira hora e ocupa apenas o Ministério dos Esportes, onde por sinal fizeram (e fazem) um excelente trabalho. O que dizer então dos companheiros do PSB, que nem Ministério ocupam, mas ainda essa semana anunciaram apoio a candidatura de Dilma a sucessão de Lula.

    Ademais acho interessantíssimo o que você traz como questionamento no final do texto.
    Se eu não estou enganado essas transformações a que você se refere só podem ser executadas através da formulação de uma reforma política. Para nós do PT existem alguns pontos que são cruciais para uma visível transformação no cenário político brasileiro, porém existe um que para nós é o mais importante: o financiamento público de campanha. Não é possível tarnsformar essa realidade enquanto o grande empresariado for o responsável pelo maior volume de recursos de uma campanha eletiva. Logo em seguida,e com grande valor está o voto em lista, precisamos “despersonificar” a política brasileira. Não devemos votar em pessoas e sim em programas partidários, projetos de sociedade.

    Pode até parecer balela falada por um militante petista, mas quem acompanha de perto o legislativo nacional sabe que é o PT o partido que prega uma constituinte exclusiva para a reforma política. Se vc´s verificarem em nosso site e nos discursos dos parlamentares petistas saberão que estou falando a verdade.

    Ademais, e sem querer causar nenhuma polêmica, PT e PMDB tem muitas diferenças Romualdo, principalmente na condução da política.

    Abraços a tod@s

    Lucas Reis
    DCE UNEB
    Partido dos Trabalhadores – 30 anos – O Brasil é Nossa Bandeira

  • maio 11, 2010 em 2:29 am
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    Perfeito o texto!!!
    Porém, gostaria de fazer algumas considerações.
    Sabe-se que existem problemas claros com nosso sistema político, e mesmo que hajam reformas, ainda assim, não teremos mudanças significativas.
    Acredito que a vulnerabilidade da nossa legislação, formulada pelos próprios atores envolvidos em escândalos, deixa brechas para práticas ilegais.
    O grande diferencial para uma gestão ou outra seja o planejamento bem sucedido pelo Executivo, aliado a um corpo técnico competente, capaz de executar projetos, dada as limitações e a burocracia da legislação específica, buscando resultados positivos.
    O Carlismo se iniciou com a inserção de técnicos no Governo, que posteriormente se tornaram políticos com a imposição de ACM, e haviam poucos partidos no Governo.
    Já o Governo de Wagner fechou tantas alianças que não existiu alternativa a não ser fatiar o poder com políticos envolidos em corrupção, sem serem conhecedores da parte técnica e de gestão.
    Por isso que não acho possível igualar os dois Governos.

  • maio 11, 2010 em 11:55 am
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    Veja só, realmente as suas palavras Romualdo estão corretas, no entanto, permita-me discordar em uma coisa. “eles estão perdendo preciosos tempo e espaço”; não vejo por este lado, pois sempre buscei o bom combate, não o debate pessoal + sobre tudo e principalmente o debate de ideias. É preciso que a Juventude em seus espaços (escolas, futebol, casa, etc…) discuta sobre Politica, sobre os rumos que dever seguir seu país, estado, cidade…
    Concordo quando voce diz que este debate tem que avancar, e é preciso que realmente avence, pois a nossa Bahia não pode Voltar a um Passado que não deixou Saudades; nem tão Pouco Continuar neste Presente que não nos anima e que fustrou os nossos sonhos. é Preciso Acreditar no Futuro, manter viva a Esperança de uma Bahia melhor e + forte.

    Forte Abraço;

    Saudações Geddelistas.

    Italo Azevedo
    Juventude do PMDB – Valença

  • maio 11, 2010 em 7:20 pm
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    Prezados,

    Em primeiro lugar gostaria de agradecer a Pelegrini pelos espaço e oportunidade em poder debater assuntos importantes que afetam a todos nós. Parabenizo-o também por esta iniciativa (Blog) da qual tomei conhecimento há pouco mais de seis meses. Conheço Pelegrini apenas de vista, desde os tempos em que eu, ainda menino, costumava frequentar sua antiga sorveteria na esquina da rua D. Pedro II.

    A Lucas, Ítalo e ao Indignado agradeço por terem respondido à minha provocação. Vejam que é possível avançarmos e que as soluções estão entre nós mesmos. Concordo com Lucas quando argumenta sobre a necessidade de alianças, mas creio que elas não deveriam ser pragmáticas ao extremo no sentido de aceitar o apoio pelo apoio. Na política como na vida “não há almoço de graça”. Os partidos buscam sempre o poder, nada de errado com relação a isso, o problema é o mau uso que fazem dele. O caso do PSB é interessante, pois o seu apoio formal a Dilma só veio depois de Ciro Gomes declinar (ser forçado a) de sua candidatura. A referência ao PCdoB está correta, mas apesar de a sua sigla parecer anacrônica, é o que mais se aproxima do PT original. Claro que necessitamos de uma ampla reforma política, mas ela dificilmente faz parte dos grandes acordos e das alianças pois é a situação atual que permite a sobrevivência de muitos (políticos e partidos). Uma constituinte exclusiva para a reforma política é muito mais retórica do que realidade. Não creio que seja factível no cenário atual.

    O amigo Indignado foi feliz ao mencionar o mérito como fator chave de um bom governo. Mas o mérito e a capacidade de gestão não são propriedades de um único grupo. Como já escrevi aqui em outro tema, os erros e os sucessos podem ser encontrados em ambos os lados. Pode ter certeza que o caminho é a reforma política, mas as mudanças são lentas, devemos ter esperança e ser pacientes.

    Saúdo Ítalo e esclareço que minha intenção quando mencionei a perda de tempo e espaço era apenas para que eles fossem utilizados de uma forma mais construtiva. Não foi o meu desejo sugerir a suspensão dos seus comentários, de forma alguma. Até ali, com todo o respeito, eu não havia percebido o debate de idéias. Aprendi com a experiência de uma vida não tão longa que as frustrações e decepções são maiores quanto maiores forem as expectativas. Devemos ser realistas e isso vale principalmente para a política.

    É isso.
    Saudações,
    Romualdo

  • maio 11, 2010 em 7:46 pm
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    Pois é Romualdo, aqui estamos nesses debates diários tentando buscar melhoras para a nossa cidade, o blog tem essa intenção, apesar de precisarmos um pouco de lapidação. Mas com a participação de vocês, comentarístas, sinto que vamos melhorar e muito. Os seus comentários são muito bons, e nos leva a refletir. Outro dia estavámos tentando descobrir, quem seria Romualdo? Roque Campelo e Jairo Baptista acham que se trata de Dr. Benedito ou de um filho seu, pela forma sensata de colocar as palavras. Então já temos certeza de uma coisa: o pai não é, depois que você fala de ter frequentado a sorveteria ainda menino.

    Fico feliz de sua presença, abrilhantando o nosso blog. Aqui temos várias pessoas, informando e debatendo o dia a dia da nossa cidade e país. Fique a vontade.

    Grande abraço,

    Pelegrini

  • maio 11, 2010 em 8:33 pm
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    Prezado Pelegrini,

    É um prazer para mim participar do Blog. Bom, vocês estão certos, quem escreve aqui é Romualdo, o filho. Meu pai nem sabe que participo, mas acho que está na hora de ele também emitir sua opinião por aqui.

    É isso.
    Saudações,
    Romualdo

  • maio 11, 2010 em 9:54 pm
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    Um debate sem graça este Italo é um jovem sonhador que vá sonhado que um dia ele acorda só não pode ele sonhar com Geddel governar este estado chamado Bahia mim poupe hem

  • maio 12, 2010 em 3:17 pm
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    Saúdo a todos que tem se dedicado de forma clara a busca do bom debate.

    Quanto a suas palavras Francisco;

    Quero deixar claro que o meu sonho não é tão somente ver a Bahia Governada por Geddel, é sobre tudo, ver a Bahia nos rumos certos, ver a Bahia mais forte, ver a Bahia melhor. Pois não sei se é seu sonho ver a Bahia como esta (entregue a marginalidade, falta de emprego, saúde, etc…) se for seu Sonho, por favor, não queria me obrigar a sonha tão mal.

    “A possibilidade de realizar um sonho é o que faz que a vida seja interessante.” (Paulo Coelho)
    “O Futuro pertence àqueles que acreditam na beleza de seus sonhos.”

    Saudações;

    Ítalo Azevedo

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