Naquele menino, eu também enxerguei meu neto

Tem coisa que a gente vê e não consegue simplesmente seguir o dia. A imagem daquele garotinho oferecendo seus doces e recebendo uma provocação política me deixou assim. Doeu. E eu chorei.

Tenho um netinho autista e com síndrome de Down. Sei o quanto uma criança precisa de carinho, de paciência, de proteção. Quando vi aquele menino, pensei no meu neto. Pensei na dor que eu sentiria se alguém fizesse aquilo com ele e eu não estivesse por perto para acolhê-lo.

Mas minha indignação vai além dessa identificação. Aquela criança merecia respeito sendo autista ou não. O que me corta o coração é a ingenuidade de um menino que se aproxima para oferecer um docinho, responde com tranquilidade e acaba envolvido numa provocação que jamais deveria ter sido dirigida a ele.

Meu Deus, custava tratar aquele menino com carinho? Quem pudesse poderia até comprar todos os seus doces, para que ele voltasse mais cedo para casa. E quem não pudesse comprar poderia oferecer uma palavra boa, um sorriso, um pouco de respeito. É tão pouco diante do peso que uma criança dessas já carrega.

Criança precisa de adulto que cuide. Precisa encontrar proteção quando chega perto de uma mesa, de uma porta, de outra pessoa. Saber que pode encontrar risadas às suas custas me dá uma tristeza difícil de explicar.

O que mais dói é a distância, essa sensação de querer estar ali para dizer: “Venha cá, meu filho. Você merece carinho. Você merece ser bem tratado”.

Eu não consigo ficar calado. Minha voz sai embargada, meus olhos se enchem de lágrimas, mas eu preciso falar. Não podemos nos acostumar a ver uma criança passar por constrangimento e tratar isso como uma brincadeira qualquer.

Naquele menino eu enxerguei meu neto. E enxerguei tantas outras crianças que precisam de nós. É por elas que eu choro. E é por elas que eu não quero perder a coragem de denunciar o que me dói.

Malafaia perde a paciência com filhos de Bolsonaro: “uns jumentos”

A bronca desta vez veio de dentro de casa. Segundo reportagem do UOL, o pastor Silas Malafaia chamou os filhos de Jair Bolsonaro de “jumentos” em uma mensagem reservada a aliados, após a divulgação da carta de Flávio Bolsonaro.

O conteúdo foi revelado pelo jornal O Globo e confirmado pelo UOL. Irritado, o pastor criticou os conselhos recebidos pelos irmãos e a sequência de publicar uma carta e depois precisar corrigi-la.

Flávio divulgou o documento após chegar aos Estados Unidos. Na primeira versão, apresentou-se como “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Depois, alterou a identificação para “líder do Brasil”, mantendo acusações de fraude eleitoral sem provas.

É uma carreira política movimentada: o sujeito assume a Presidência por conta própria e deixa o cargo minutos depois, numa edição de texto. Faltou combinar a posse com o eleitor!

E reparem: quem puxou a orelha foi Malafaia, aliado da família. Quando até o pastor perde a paciência, é sinal de que a carta precisava de mais reflexão antes de apertar o botão de publicar.

Aceitar uma derrota pode ser difícil. Mas trocar o título na assinatura não troca o resultado das urnas.

Com informações do UOL.

Valença precisa ajustar as contas, mas denúncia contra servidor exige apuração e responsabilidade

A Prefeitura de Valença anunciou medidas para controlar os gastos e organizar as contas públicas. O pacote prevê fiscalização do desempenho dos servidores, da assiduidade e do cumprimento da carga horária, além de redução de pessoal e revisão dos contratos de prestação de serviços.

Segundo a gestão, o objetivo é cortar despesas desnecessárias, valorizar quem trabalha com responsabilidade e melhorar o uso do dinheiro público. É uma iniciativa necessária. Afinal, a prefeitura precisa pagar seus funcionários, mas também precisa garantir serviços, cuidar da cidade e ter condições de investir.

Na nota, a administração pede a colaboração dos moradores para identificar possíveis irregularidades no serviço público. Quem souber de servidor que não trabalha ou não cumpre suas funções pode procurar a Ouvidoria pelo WhatsApp 0800 071 4346.

A participação da população é importante, mas aí cabe um cuidado: denúncia precisa ser ponto de partida para investigação, nunca motivo para condenação antecipada.

Não é difícil imaginar alguém usando esse canal para atingir um desafeto, alimentar uma disputa política ou prejudicar um funcionário por uma questão pessoal. Por isso, a prefeitura deve verificar os fatos, conferir registros, ouvir o servidor e conhecer as condições do trabalho antes de tomar qualquer providência.

Quem está do lado de fora nem sempre conhece a rotina de quem está trabalhando. Uma ausência pode ter justificativa, e determinadas funções são exercidas fora das repartições. O servidor responsável precisa ter a mesma garantia de respeito que a população tem de cobrar um serviço bem prestado.

Por outro lado, se a apuração comprovar que alguém recebe sem trabalhar ou descumpre suas obrigações, cabe à gestão agir. Dinheiro público exige responsabilidade de quem administra e de quem recebe para prestar serviço.

A prefeitura também informou que o salário referente a outubro será pago em duas etapas: um grupo receberá até sexta-feira, dia 30 de outubro, e o outro até quarta-feira, dia 4 de novembro. Segundo a nota, as medidas buscam equilibrar as contas e permitir que, a partir do próximo mês, todos recebam em dia e na mesma data.

Essa é uma promessa que merece acompanhamento. O servidor também tem contas para pagar e precisa de previsibilidade.

Ajustar a máquina pública é necessário, e cabe ao prefeito Marcos Medrado conduzir esse processo com firmeza e critério. Que os cortes alcancem os gastos desnecessários, que os serviços sejam preservados e que o trabalhador responsável seja valorizado. Fiscalizar é preciso; fazer justiça também.

Mr. Guil: talento, doçura e disposição para empreender em Valença

Tem gente que conquista nossa admiração pelo jeito de tratar os outros e pela disposição de fazer acontecer. É o caso do Mr. Guil, um jovem autista e empreendedor de Valença que vem construindo seu caminho com trabalho, simpatia e muitas gostosuras.

Neto de Geraldo Guimarães, de uma família tradicional da nossa cidade, Guil encontrou dentro de casa uma boa inspiração para começar seu negócio: a gastronomia. Sua avó é uma doceira de primeira, dessas que têm a mão boa reconhecida na região. Nesse ambiente de receitas, cuidado e experiência, ele resolveu transformar essa influência familiar em uma oportunidade de empreender.

Toda quinta-feira tem o Varandão do Mr. Guil. Na varanda de casa, ele coloca suas delícias à venda e recebe a freguesia com aquele jeito simpático e carinhoso que conquista quem chega. Os doces têm o capricho de quem conhece o ofício e prepara tudo com cuidado.

E a disposição desse rapaz vai muito além da varanda. Mr. Guil também pega suas sacolas, sai pelas ruas e vai ao encontro dos clientes. Apresenta seus produtos, oferece suas delícias e busca espaço para o próprio negócio. É um jovem colocando suas ideias em prática e fazendo sua parte todos os dias.

É isso que me chama a atenção e me faz escrever sobre ele. Sua iniciativa merece reconhecimento; seus produtos merecem freguesia. Quem empreende sabe quanto trabalho existe entre ter uma ideia e sair de casa para vender o que produz.

Quem conhece Mr. Guil também conhece seu carinho. É um rapaz afetuoso, de uma simpatia danada, desses que tornam uma simples conversa um encontro agradável. Tenho uma admiração enorme por ele, por sua atitude e pelo ser humano que demonstra ser no convívio com as pessoas.

Fica aqui o convite: conheça o trabalho do Mr. Guil, experimente suas gostosuras e prestigie esse empreendedor da nossa terra.

Na quinta-feira, tem Varandão. E, se encontrar esse rapaz pelas ruas com suas sacolas, aproveite para conhecer o que ele tem a oferecer.

Mr. Guil, receba o abraço e a admiração deste blogueiro. Dá gosto ver você fazendo acontecer!

Prefeitura de Cairu pede direito de resposta após publicação associar prefeito a multa de R$ 100 mil

O prefeito de Cairu, Hildécio Meireles, ingressou com representação eleitoral na 031ª Zona Eleitoral de Valença, cujo processo tem o número 060067-62.2026.6.05.0031, solicitando direito de resposta e retificação de uma matéria publicada em um site de notícias, no dia 25 de outubro de 2026.

A publicação, intitulada “Prefeitos Bolsonaristas são alvo de denúncias por problemas no transporte durante eleição”, teria associado o gestor municipal à aplicação de uma multa de R$ 100 mil determinada pela Justiça Eleitoral durante o segundo turno das eleições.

De acordo com a representação, a penalidade foi imposta exclusivamente à ASTRAM, associação privada responsável pela operação de embarcações que realizam a travessia entre Valença e as localidades insulares.

A decisão judicial determinou a retomada do serviço privado após a paralisação dos barcos. Segundo os documentos apresentados pelo município, a Prefeitura de Cairu não recebeu qualquer multa ou sanção, tendo sido apenas oficiada pela Justiça Eleitoral para manter a operação de suas linhas públicas regulares.

A representação sustenta que a administração municipal adotou medidas preventivas antes mesmo de receber a comunicação judicial, mobilizando embarcações credenciadas e veículos terrestres para garantir o transporte gratuito dos eleitores nas localidades de Cairu (Sede), Torrinhas, Galeão, Gamboa, Morro de São Paulo e São Sebastião.

O pedido argumenta que a publicação apresentou informações distorcidas sobre a decisão judicial, associando indevidamente o prefeito e a Prefeitura de Cairu à penalidade aplicada à entidade privada, com potencial prejuízo à imagem do gestor perante a população.

Entre os pedidos encaminhados à Justiça Eleitoral, a representação requer, em caráter de urgência, a publicação de uma nota de esclarecimento e a suspensão da matéria até o julgamento definitivo, sob pena de multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento.

O município também solicita que o direito de resposta seja publicado nos mesmos moldes e com o mesmo destaque da matéria original.

Santa Casa: vereadora precisa esclarecer o que apurou

A vereadora Michele afirmou na Câmara de Valença que recebeu ligações de mulheres que ficaram sem água para fazer a higiene depois do parto na Santa Casa. Uma situação grave, que merece atenção. Mas justamente pela gravidade, cabe perguntar: o que a parlamentar apurou antes de levar o assunto à tribuna?

Na fala apresentada, Michele não informou se esteve no hospital, se procurou a direção ou se verificou como ocorreu o problema. Relatou as reclamações e sugeriu um reservatório maior, sem apresentar informações sobre a estrutura que a unidade já possui.

Ora, ouvir a população faz parte do mandato. Mas ouvir uma reclamação deve ser o começo do trabalho. É preciso buscar esclarecimentos, confrontar as informações e cobrar providências de quem tem responsabilidade.

Não se trata de exigir que pacientes sejam expostas. Trata-se de dar consistência à cobrança: quando aconteceu, quais setores ficaram sem água, como as pacientes foram atendidas e qual foi a resposta da administração?

A tribuna dá peso e alcance à palavra de um vereador. Por isso, exige cuidado. Se Michele fez essa apuração, precisa dizer o que encontrou. Se ainda não fez, deve procurar os responsáveis e trazer as respostas.

A população precisa saber o que aconteceu. E quem procura um representante merece mais do que ver sua reclamação repetida ao microfone: merece acompanhamento e solução.

Prefeitura de Valença estabelece novo horário de expediente nas repartições públicas municipais

A Prefeitura de Valença publicou nesta terça-feira, 27 de outubro, o Decreto nº 6.463/2026, que disciplina o horário de expediente e atendimento ao público nas repartições da Administração Municipal. A medida tem como objetivo reorganizar o funcionamento dos setores, promovendo maior eficiência administrativa e contribuindo para a melhoria dos serviços prestados à população.

De acordo com o decreto, de segunda a quinta-feira, o expediente será das 8h às 12h e das 13h às 17h. Já às sextas-feiras e nas vésperas de feriados, o funcionamento será das 8h às 14h, conforme previsto na legislação municipal.

A nova regulamentação se aplica às repartições públicas municipais, com exceção dos serviços que, em razão de sua natureza ou das necessidades de atendimento, precisem adotar horários diferenciados, mediante autorização específica.

O decreto também estabelece que as chefias de cada setor serão responsáveis por garantir o cumprimento dos horários e a manutenção da qualidade no atendimento ao cidadão.

A iniciativa busca padronizar o expediente da Administração Municipal, organizar as rotinas de trabalho e assegurar maior eficiência no funcionamento dos órgãos públicos, mantendo o compromisso com a qualidade dos serviços oferecidos à população de Valença.

O Decreto nº 6.463/2026 entra em vigor na data de sua publicação, revogando as disposições em contrário.

Flávio Bolsonaro teria fugido do Brasil após derrota para Lula, revela Folha

A notícia caiu como uma bomba no meio político nesta terça-feira (27). Segundo a jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, aliados próximos da família Bolsonaro foram informados de que o senador Flávio Bolsonaro teria deixado o Brasil, passando pela Argentina, com destino aos Estados Unidos.

A informação surge apenas dois dias depois da derrota de Flávio para o presidente Lula no segundo turno das eleições presidenciais.

O caso ganhou ainda mais repercussão porque o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia determinado que o senador entregasse seus passaportes à Polícia Federal e não deixasse o território brasileiro.

Segundo a reportagem, a Polícia Federal está investigando a possível saída do senador e verificando registros nas fronteiras e voos internacionais. Até o momento, não existe confirmação oficial de que ele tenha deixado o país.

O senador Rogério Marinho, que coordenou a campanha presidencial de Flávio, chegou a negar a informação.

E agora, Flávio? Depois de disputar a Presidência da República, perder para Lula e questionar o resultado das urnas, o filho de Jair Bolsonaro se vê no centro de mais uma grande polêmica.

Se a fuga for confirmada, o episódio poderá trazer sérias consequências jurídicas e políticas para o senador.

Por enquanto, o Brasil aguarda uma resposta para uma pergunta simples: afinal, onde está Flávio Bolsonaro?

Fonte: Folha de S.Paulo, coluna Mônica Bergamo, 27 de outubro de 2026.