MACACOS DE OCASIÃO

patético

Por Leandro Fortes

Antes, é preciso dizer: ao comer a banana que lhe jogaram os racistas espanhóis, o jogador Daniel Alves teve um presença de espírito fora do comum. O gesto, por seu simbolismo absolutamente humano, deu àquela manifestação racista a exata dimensão de seu absurdo.
O que se seguiu, no entanto, foi mais um capítulo da nossa tragédia social cotidiana onde se tornou praxe mercantilizar mesmo os melhores sentimentos.

A campanha #somostodosmacacos, simpática na sua essência, logo foi transformada em mote comercial para que os abutres de sempre a utilizassem para exercitar sua proverbial hipocrisia nas redes sociais.

Que tenha sido Luciano Huck, a face mais perversa do que genericamente se chama de “coxinha” no Brasil, o primeiro a se apresentar como parceiro solidário de Daniel Alves, não me surpreende. Huck tornou-se, ao longo de sua carreira global, um contumaz explorador da miséria humana em prol de seus negócios e de sua audiência aos sábados.

O jogador do Barcelona nem tinha digerido a tal banana e o apresentador da Globo já tinha colocado uma camiseta para vender, com o a hashtag da macacada solidária, por 69 reais, via site da grife da qual é dono.

Seguiu-se, a partir daí, aquele show macabro de artistas, subcelebridades e nanopensadores de direita posando com uma banana na mão, solidários com uma causa – o racismo – que negam existir, quando não a apoiam.

Perguntem à maioria desses macaquinhos posers como eles reagem à política de cotas raciais dos governos do PT, o que eles acham da “democracia racial” brasileira e o juízo de valor que fazem das religiões afrobrasileiras.

Depois, escolham um lugar apropriado para eles enfiarem essas bananas que tão alegremente expõem em selfies e posts emocionados nas redes sociais.

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