PORQUE A UFRB NÃO VEIO PARA VALENÇA

Por Lucas Santos Café*

Sou estudante do 8° semestre do curso de História da UFRB/CAHL, e gostaria de tecer algumas contribuições sobre a problemática que envolve a vinda da UFRB para a cidade Valença, cidade em que nasci em 2 de maio de 1987, e onde residi até outubro de 2006 quando fui para Cachoeira.
A primeira querela que gostaria de abordar, é na essência, a própria discussão sobre a temática na cidade de Valença. Fico radiante em saber, que existem pessoas que estão dispostas a lutar pela implantação da UFRB na cidade nunca vencida. Aponto esta questão, pois no ano de 2007, quando era membro atuante do movimento estudantil da UFRB, principalmente do CAHL, realizei um trabalho de militância na busca de apoio para a construção do campus da UFRB em nossa cidade.
Junto com Sérgio Augusto Mascarenhas Martins, que na época chefiava a cátedra de políticas afirmativas e assuntos estudantis do C.D.E. da UFRB, visitamos várias escolas e instituições em nossa cidade em busca de apoio. Em todos os locais que visitamos fomos bem recebidos, principalmente no COESVA e no Gentil Paraíso Martins. Nestes locais, tanto alunos que formavam o grêmio, como os diretores nos deram o apoio necessário. Na EMARC, fomos bem recebidos pelos alunos, porém devido à ligação entre os alunos da EMARC com Adailton, que na época era estudante do curso de agronomia da UFRB e que logo depois se candidataria na chapa do PT para ocupar o cargo de vice-prefeito, o diálogo foi bastante complicado, pois Adailton parecia estar mais preocupado com questões políticas do que com a instalação de uma universidade democrática e de qualidade em nossa cidade.
Percebemos que nossa ação na cidade, não agradou nem aos gregos, muito menos aos troianos, simplesmente pelo fato de estarmos preocupados apenas com a implantação da UFRB em Valença, e não com a politicagem que existe na cidade. Os políticos de direita da nossa cidade, historicamente estão a sugar o sangue dos trabalhados, e usarem a máquina pública para benefícios próprios, e sustentar a desigualdade social que existe em nosso município. Porém os políticos de esquerda, e entre eles incluo os membros do PT, pelo menos os intelectuais orgânicos do partido, estão muito mais preocupado com a ascensão política, cargos e verba. Digo isto, pois quando realizei sem ligação partidária, não tivemos apoio de nenhum de seus representantes, exceto de alguns membros da DIREC.
O problema da instalação da UFRB em Valença está para além da doação de um terreno, ou do posicionamento de um político e da vontade da reitoria. Todos estes fatores estão envolvidos, porém eles estão ligados a muitos outros que envolvem desde a participação da sociedade civil, ao jogo político nos âmbitos federais, estaduais e municipais.
Em um dos comentários postados acima, o jovem Raell Costa afirmou ter ouvido da boca do “Magnífico” Reitor da UFRB, que a causa da não instalação da UFRB em nossa cidade, foi a falta de interesses dos prefeitos escolhidos pela população de Valença. O problema caro Raell, é que não podemos colocar a culpa da não vinda da UFRB apenas nos prefeitos, como quer o senhor Reitor. Digo-lhe que esta criatura, depois que assumiu o cargo de Reitor da Universidade, não tem nenhum apego com a verdade. O Reitor da UFRB é uma figura demasiada carismática e que gosta de distorcer a realidade, camuflar os problemas, e conquistar as pessoas pelo viés emocional. Então não acredite de imediato no que o Reitor relata.
Em outros momentos, escutei da boca do Reitor, várias afirmativas sobre a implantação do campus de Valença. Ele chegou a me relatar no início do ano de 2007, que já estava tudo certo e que em 1 mês a UFRB seria implantada na cidade. Duas semanas depois, a mesma pessoa, em uma audiência na câmara de vereadores da cidade da Cachoeira, revelou que devido a uma mudança política do governo federal, não seria mais possível a instalação da UFRB em Valença. Então se levarmos em consideração esta fala do Reitor, não o problema da não instalação da UFRB em nossa cidade não é devido à má vontade dos prefeitos. Porém a má vontade dos prefeitos, e também das secretárias e dos vereadores, ajudou contribui positivamente para o recuo do projeto da instalação da UFRB.
A situação atual é a seguinte: A doação do terreno, não significa que a UFRB possa ser implantada em nossa sociedade. Principalmente porque é necessário que exista uma vontade política nas esferas estaduais e federais, e que principalmente exista uma vontade da UFRB de se instalar em Valença.
Neste último entrave, posso dizer que a vinda da UFRB não para Valença, no momento não é a vontade da UFRB. Todas as forças estão voltadas para implantação do campus na cidade de Santo Amaro. Este mês, participei de duas reuniões no CAHL, cuja pauta principal era a instalação do campus de Santo Amaro. Em uma das reuniões, estiveram presentes quase todos os vereadores de Santo Amaro, e pessoas ligadas à ONGs, e representantes da sociedade civil.
Nestas reuniões, percebemos claramente a vontade de se criar um campus da UFRB em Santo Amaro, enquanto que em Valença era o tempo todo deixada de lado. Existe todo um jogo político que envolve a ida da UFRB para Santo Amaro. E este jogo será benéfico para muitos professores e administradores da UFRB.
Em minha opinião, o campus de Valença só será instalado quando houver uma vontade da própria UFRB em firmar raízes em Valença, e junto a isto, o apoio incondicional dos políticos da cidade. Como conseguir esta façanha? Só a sociedade civil pode se organizando politicamente, isto não quer dizer se ligar à partidos, e sim tomar um posicionamento político e crítico da situação, manifestando e exigindo aquilo que é de direito de todos.
O que falta a cidade de Valença é um movimento pró-UFRB, que atuante, que não esteja submetido aos partidos políticos e a vontade de minorias. Enquanto a sociedade não resolver se manifestar, dificilmente o campus da UFRB será instalado em Valença.
Não estou postando aqui para agradar a ninguém, pois nem Jesus, o único que devo agradar, foi aceito por todos, e até hoje é crucificado por muitos. Coloco aqui apenas meu posicionamento sobre esta novela, que espero terminar com um final feliz para o povo, e somente o povo valenciano.

*Estudante de História da UFRB 8o semestre.

11 thoughts on “PORQUE A UFRB NÃO VEIO PARA VALENÇA

  • fevereiro 2, 2010 em 10:56 am
    Permalink

    Quando da transferência da então Escola Agronômica da Bahia, de Salvador para Cruz das Almas em 1942/1943, era interventor federal no Estado da Bahia o agrônomo Landulfo Alves. Natural de Santo Antônio de Jesus, Landulfo Alves havia estudado na velha Escola de Agricultura de São Bento das Lages, hoje São Francisco do Conde. Durante seu período como interventor coube a Landulfo Alves decidir para onde iria a Escola Agronômica da Bahia, uma vez que uma instituição daquele tipo não se adequava à cidade grande. Não havia espaço suficente para as práticas. Duas opções foram apresentadas ao então interventor: instalar a nova Escola em sua terra natal, Santo Antônio de Jesus, ou implantá-la em Cruz das Almas. A decisão favorável a Cruz das Almas foi tomada considerando os aspectos estritamente técnicos e, ao que parece, sem sentimentalismo ou interesse “político”. Essa história costumava ser contada pelos mais antigos aos estudantes de agronomia em Cruz das Almas. Eu a ouvi várias vezes quando por lá passei entre 1986 e 1990.
    A Escola Agronômica da Bahia virou a Escola de Agronomia da UFBA e hoje é a sede da UFRB. O ensinamento da decisão de Landulfo Alves mostra que com relação a assuntos da coletividade não podemos agir movidos por interesse individualista. Essa consciência parece faltar nas discussões a respeito dos campi da UFRB. O atual reitor da UFRB, que foi meu contemporâneo na Escola de Agronomia, de acordo com o que escreveu Lucas Café parece que não se recorda mais das histórias de Landulfo.
    Qual localidade na Região possui a estrutura ideal (e natural) para o funcionamento pleno de cursos tais como Engenharia de Pesca, Engenharia Naval, Biologia Marinha e Oceanografia? Por maior que seja o investimento no Lago de Pedra do Cavalo ou na própria sede da UFRB em Cruz das Almas, não será possível tranferir o mar do Guaibim, o Rio Una, nossos manguezais e estaleiros para lá. Aqui se vê mais uma vez que está faltando coerência nas decisões.
    Concordo plenamente com Lucas Café, o pleito de um campus da UFRB em Valença não se concretizará sem a mobilização apartidária da sociedade e sem a apresentação de argumentos fundamentados no potencial e estrututa da nossa cidade.

  • fevereiro 2, 2010 em 7:41 pm
    Permalink

    Figo grato pela postagem do texto. Vejo que este espaço é realmente democrático, pois não tenho nenhuma proximidade com o moderador, e sem adulações ou pedido algum, o texto foi colocado como Post.
    A luta segue meus irmãos, pois como dizia o estudioso das guerrilhas, “se o presente é de lutas, o futuro será de vitórias”

  • fevereiro 2, 2010 em 9:39 pm
    Permalink

    É por causa dessas coisas que eu adoro meu Recôncavo. A luta é constante e não costuma morrer em batalhas. Concordo plenamente com o Lucas Café, meu amigo, colega de turma e companheiro de luta na busca da implantação da UFRB na sua cidade.

    Até hoje, não entendi o motivo de Amargosa ter um campus e Valença, Maragogipe e até Santo Amaro não, agora ficamos neste combate de idéias, glorioso claro, mas que sem a compreensão das múltiplas pessoas envolvidas na nossa sociedade, não será concretizado.

    O caso de Valença, é bem parecido com o maragogipano. Aqui os políticos não se envolveram, só enrolaram a população e uma conscidência incrível, são petistas. Nada contra, mas pelo menos em Maragogipe, estão nos três níveis municipal, estadual e federal e mesmo assim, não resolvem nada pela cidade.

    Até hoje esperamos, e agora iremos esperar mais ainda. Afinal de contas, o elefante branco desse ano é o Estaleiro do Paraguaçu, e mais uma vez a população que tem a pior educação do recôncavo será lesada.

  • fevereiro 2, 2010 em 11:37 pm
    Permalink

    Zevaldo, todo apoio a democratização do Ensino Superior no Brasil.
    Abraços…

  • fevereiro 3, 2010 em 9:31 am
    Permalink

    Caro Lucas,

    Parabéns por encampar esta luta e tratar deste assunto com propriedade, conhecimento e de forma apartidária, diferente de alguns cabos eleitorais de plantão que aproveitam qualquer assunto para tecer elogios vazios a pessoas mais vazias ainda.
    Cabe questionar se é interessante para as elites de Valença a instalação de cursos superiores de universidades públicas, uma vez que existem outros cursos em instituições particulares na Cidade. Os filhos destes têm condições de estudar em qualquer lugar do país, já os pobres…
    Outro problema é a luta pela qualidade das instalações, bibliotecas e capacitação dos professores. Veja o exemplo da UNEB Valença…

  • fevereiro 3, 2010 em 6:07 pm
    Permalink

    CERTEZA

    De uma coisa eu tenho ceteza: O Campus da Ufrb de Valença um dia será implantado, como reza a Lei Federal que criou a UFRB com sete Campi: Cruz das Almas, Amargosa, Santo Antônio de Jesus, Cachoeira, Valença, Santo Amaro e Nazaré.

    Concordo plenamente de que o engajamento da base social organizada do município é fundamental na luta para que esta implantação seja a mais rápida possível. Afinal, a instituição nasceu com verba insuficiente para cumprir tamanha façanha: abrir campi em sete cidades ao mesmo tempo! Por isso, Santo Antôno de jesus e Cachoeira foram beneficiadas mais rapidamente e sem a necessidade de luta político-comunitária nenhuma… Uma com um hospital de porte regional prestes a ser inaugurado (ato ocorrido em 12/09) e a outra com sua importância histórica e um corredor de belos prédios restaurados, doados à Ufrb pelo Ministério da Cultura… Ficou fácil…

    Já Amargosa, com seus cursos de licenciaturas… foi realmente beneficiada pelo fato de ter uma administração municipal petista. Entretanto, a carência educacional daquela região do entorno de Amargosa, por si só, justificava a imediata implantação da Ufrb naquela terra…

    Por essas é que tenho certeza que Valença terá o seu campus. Caso Santo Amaro e Nazaré sejam beneficiados antes faz parte dos detalhes, inclusive argumentados por Lucas Café (meu ex-aluno em Língua Portuguesa no emblemático Colégio Paulo Freire). Valença é a mais perfeita saída para o Oceano Atlântico à disposição da Ufrb. Sua escolha como um dos campi não foi à toa; ocorreu dentro de um estratégico processo seletivo… O MAR guarda o mais profícuo programa de combate à fome da humanidade. Não seria a Ufrb que negaria a imensa importância de um campus em Valença.

    Deixem o tempo operar a parte dele. Com a mobilização das comunidades (valenciana e acadêmica) a Ufrb chegará…

  • maio 8, 2010 em 11:01 pm
    Permalink

    É até dificil de acreditar que Valença uma das maiores cidades do interor da Bahia está carente de uma universidade é que temos de correr atrás de uma coisa que temos que já era certo, não é justo que cidedas com menos habitanies tenha mais prioridade que a nossa queriada Valença, que já és esquecide em termo de industrias, segurança, etc… pelo governo federal e estadual sre agora em termo de educaçao, chega.

  • julho 21, 2010 em 8:22 pm
    Permalink

    Fiquei aborrecido com Landulfo Alves! Sou de Santo Amaro,admiro Valença, Cruz das Almas e admiro Santo Antônio de Jesus, a maior cidade da região. Landulfo Alves poderia ter ajudado a cidade dele mais, bom Santo Antônio não precisou do empurrão dele. A verdade tem que ser dita, Santo Amaro, Valença, Nazaré, Maragogipe seriam respeitadas se o Brasil fosse um país sério. Nem venha os acadêmicos de plantão dizer dizer que sou vítima do pensamento de inferioridade do brasileiro. O Brasil se torna inferior quando não reconhece a luta do seu povo, nada contra a Amargosa,nada contra a Muritiba, a Governador Mangabeira, a Saubara, a Sapeaçu, a Conceição da Feira, a Cruz das Almas. Mas não sou hipócrita, Maragogipe, Cachoeira-São Félix,Santo Amaro, São Francisco do Conde, Nazaré, Valença, Santo Antônio de Jesus e até Alagoinhas merecem respeito desses tecnocratas imbecis e corruptos. Pobre Landulfo Alves se nascesse em São Francisco do Conde daria a refinaria para Madre de Deus porque é mais perto!!!!

  • outubro 6, 2010 em 3:28 am
    Permalink

    Raílton, seu comentário é brilhante… Agora entendo o porquê você escreve tão bem, é formado em Letras… Nossa, seu texto “é redondo, a leitura fluída”… Bom demais lê-lo! Parabéns a Lucas Café e Romualdo também que muito contribuiram para o entendendimento do processo e da história do Recôncavo Baiano e da UFRB.

    Pelegrini, os comentários nesse post estão simplesmente maravilhosos!

    Por isso a importância dos arquivos no blog… Nós descobrimos uma forma de acessar seu blog que permite entrar em contato com esses comentários mais antigos… COLOCANDO NO GOOGLE – BLOG DE PELEGRINI e lá aparecem essas preciosidades, mas como é sempre muito diversificado, nem sempre no próximo acesso encontramos o antigo comentário.

    Esse post mesmo está digno da grandiosidade do seu blog na luta por uma Valença melhor! Parabéns!

  • fevereiro 27, 2011 em 8:08 pm
    Permalink

    Quando a comunidade valenciana aprender a votar, com certeza teremos um campus da UFRB.Enquanto isso ficamos observando o crescimento das cidades vizinhas que tem força política crescer e nós no mesmo sem novidade alguma.Parabéns pela iniciativa de divulgar a real situação do problema da UFRB.

  • outubro 3, 2011 em 9:50 am
    Permalink

    Só mesmo um veículo de comunicação sem o menor escrúpulo, pode publicar uma matéria como essa.
    Hildécio dividindo uma imagem com Ramiro e ainda nessas circunstâncias só mesmo nesse blog. Porque qualquer cidadão com o mínimo de discernimento entende claramente a diferença entre os dois. Diferença essa q perpassa a questão administrativa, visto que Hildécio é um homem de conduta ilibada, possui um bom caráter e respeito, muito respeito pela população de Cairu. Administrador competente, que desejou ser prefeito para contribuir com o seu município e não por objetivos e vaidades pessoais.
    Sinto muito Pelegrini, mas essa foi a mais infeliz das matérias que vc já publicou no seu blog.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *