Todo policial honrado da PM é um potencial Wesley: moralmente assediado, covardemente perseguido, brutalmente neutralizado
*Por Raell Costa
Quantas vezes já fomos Wesley? Teve aquela da detenção de 2 dias porque o oficial se escondeu para que não se apresentasse depois do atestado médico. Teve aquela da mudança de cidade depois que não aceitei que um vereador safado usasse o SAMU para brincar de aparecer para a família de um doente mental. Teve aquele da prisão por 8 dias, após um PDS covarde por 15 minutos de atraso do buzu… Mas, polícia ladrão, os 3 estrelas ficam com o c* na mão.
“Meu policial!” – assim lhes tratam, como escravistas tratavam outra massa de desvalidos, meras peças de reposição.
O evento do Farol da Barra não foi início, foi o resultado de um modelo de gestão e governança ultrapassado. O militarismo covarde tem que acabar!
Aaaaaah, quantas vezes fomos Wesley?
Quantas vezes fomos tratados como uma matrícula e só? Quantas vezes precisamos pegar dinheiro com agiota porque a polícia nos obrigou viver uma realidade social e econômica nova para quem veio da periferia? Quantas vezes a nossa saúde mental é “macete porco”? Sem assistência adequada em lugar algum! Quantas vezes depois de intervir com morte voltamos para a área no mesmo momento como se aquela energia de uma vida o sangue derramado não bagunçasse sua mente? Quantas e quantas vezes?
Para a PM o SD Wesley Góes foi um número. Para o Comando Geral foi Weslei nota que explica sem justificar ou mesmo se solidarizar com a família. Para políticos canalhas Wesley é a oportunidade para reaparecerem. Para o Governo do Estado – desde sempre – é só mais um precarizado com reduzido poder de compra e qualidade de vida. Wesley é um rapaz comum! Como um… daqueles que morrem por arma de fogo a cada 8 minutos nesse país.
A Polícia Militar da Bahia, máquina de moer gentes trata seus burocratas de rua como gado. 30 mil Wesley’s que clareando a visão são marcados, tangidos, ferrados, feridos e mortos. Porque nem para os grupos em defesa dos Direitos Humanos o trabalhador policial é gente – ver diferença entre a cobertura do Ônibus 174. Quem dirás para quem, no conforto de seu gabinete, longe dos Aflitos, puxa o gatilho. Quem está atrás da balaclava também chora. C* foi jantar que se foda minha mãe e a de quem estava no treatro de operações.
Para outros tu pode ter sido um número, irmão. Para nós que somos Goés, Silvas, Nascimentos, Motas, Souzas… tu é um símbolo: dor não abafada; do grito não calado; do corpo estirado; do gatilho puxado contra nossas carnes, as mais baratas do mercado.
Que Deus te dê a paz que a PM tirou junto com sua saúde mental e sua vida, Wesley Goés, porque gente tem nome e sobrenome, boi não!
*Raell Costa é Policial Militar, Gestor Público e empresário















Parabes Pele Muito boa esta reportagem e pertinente seria bom q chegasse até os gestores municipais!
concordo plenamente com sua pontuação sobre esta questão. eu nunca gostei de foguete nem bomba, por min não existiriam esse…
Um novo nome sempre bom
Respondendo ao comentário "Verdade, Wolf, alí seria a verdadeira via que iria desafogar o transito..." Sem dúvidas, meu caro! Marcos…
Verdade, Wolf, alí seria a verdadeira via que iria desafogar o trânsito, os veículos não precisariam nem mesmo de subir…