Categoria: Cotidiano

O SÃO JOÃO NÃO É MAIS AQUELE, ESTÃO ACABANDO COM NOSSAS TRADIÇÕES.

 

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Mais um São João em nossas vidas para ser comentado, muitos se deslocaram de um lugar em direção a outro, gente saindo da capital para o interior, pessoas indo de uma cidade para outra buscando uma festa melhor. Aqui em Valença não foi diferente, a nossa festa não teve grandes atrações, foi uma festa simples com bandas  conhecidas da região.

A tradição de se fazer festa nas cidades nessa época não é muito antiga, lembro que as coisas começaram nas roças e foi tomando conta das cidades, só que naquela época o que se tocava era o famoso forró pé-de-serra, e hoje temos uma mistura de trio elétrico, arrocha e pagode, mas o pé-de-serra ninguém vê tocar. Tem bandas que dizem ser de forró, assim como Mastruz com Leite, Calcinha Preta etc., que tocam um estilo meio arrocha e meio pagode, e daí vêm as duplas sertanejas quem mais fazem sucesso nas festas juninas, que também não tem nada a ver. Mas como o povo gosta…

Na verdade o povo cobra atrações nacionais mesmo que seja uma banda de rap, eles querem quem mais tocam na mídia, e com isso deixam de lado as tradições juninas, e mais vira uma mistura de musicas de carnaval com arrocha, pagode e sertanejos.

Em Ituberá a grande atração foi a dupla sertaneja Bruno e Marrone, em Santo Antonio de Jesus foi a Banda Calypso, aqui em Valença eu vi muitas bandas boas, mas todas fora do ritmo de São João. Para mim não vejo diferença das bandas que tocaram aqui para as duas grandes atrações que citei acima, tudo uma questão de produção.

 

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Aqui em Valença se o prefeito fosse uma pessoa que ouvisse as opiniões poderia ter feito um São João mais divertido. Ao invés de colocar um trio elétrico como palco, poderia contratar uns quatro sanfoneiros bons, faria barraquinhas com mais comidas e bebidas típicas, convocaria as associações de bairros para fazer as quadrilhas juninas, coisa light, sem muita agitação. Afinal de contas os patrocinadores, eram os mais fortes; Petrobras, Caixa, Banco do Brasil e algumas empresas de Valença.

 

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Bom, eu não perdi um dia do São João, prova de que gostamos muito dessas festas. Se a gente botar nossas cabeças pra funcionarem teremos boas diversões com pouco dinheiro, nada de grande contratação, isso só serve pra encher o  bolso deles que já estão milionários e atrair bandidos. A não ser que se trate de algo muito especial e único, ou seja, uma festa tipicamente tradicional da cidade, assim como já teve aqui, o “Camarão Fest”, ai sim vale a pena investir em algo que nos coloque em destaque, mas São João é uma festa que tem em todos os lugares.

IMAGENS DO SÃO JOÃO DE VALENÇA.

Para quem não gosta de tumulto o São João de valença foi um ótimo lugar, tinha umas bandas desconhecidas, mas afinadissimas. O blog estava la registrando a presença das pessoas, vi mais gente do contra que os próprios aliados do prefeito.

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O São João de Valença não foi dos melhores mas estava animado, tinha barraquinhas de bebidas, churrasquinhos, produtos tipicos de São João etc..

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Nosso amigo Rudney tirou fotos com muita gente, vejam só o momento em que ele e a sua esposa acompanhavam a musica da banda que tocava naquele momento.

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O pessoal estava muito animado mesmo. Também! Quem não tem cão caça com gato.

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A família Natanzinho e Kátia Couceiros de Matos, também prestigiaram o São joão de Valença.

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Mais Rudney, ele com o seu pai e o seu “Tio”. Rudney confabulando com o “Tio”.

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O Vereador Raimundo Costa com seu filhote e o Secretário de Agricultura Dalmo com sua esposa. Leitores assíduos do blog.

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O prefeito Ramiro veio nos cumprimentar, e fez questão de posar para o blog… Tem gente que não vai gostar disso.

Eu com o prefeito Ramiro e Mariana também tirou foto com o “Tio”.

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Olha o Rudney mais uma vez, com o Vereador Gama e O Secretário Edvaldo Borges (Bang).

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Duduzzão e Sandra e do lado a Família LACLIV.

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O catador de latas, Eduardo, disse que esse é o maior São João da vida dele, porque os concorrentes foram catar latas em Ituberá e ele ficou aqui sozinho. Do lado uma Biribete, deu um show!

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A presença do PT, e Jailton e Jorginho da CEPLAC, dois gatos!

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O local onde ficaram as bandas, e mais Rudney, deve ser candidato na próxima.

“BLOGS FAZEM PESSOAS ESCREVEREM MAIS E PIOR, DIZ SARAMAGO”.

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O escritor português José Saramago, que está prestes a publicar um livro com os artigos que escreveu em seu blog, diz acreditar que com o crescimento desse tipo de espaço na internet “está se escrevendo mais, embora pior”. “A prática do blog levou muitas pessoas que antes pouco ou nada escreviam a escrever. Pena que muitas delas pensem que não vale a pena se preocupar com a qualidade do que se escreve”, disse Saramago em entrevista publicada hoje pelo jornal argentino “Clarín”. Fonte: Folhaonline.

Tenho grande respeito pelo Nobel português, acho que devemos nos preocupar em aprimorar o que escrevemos, mas o que mais importa no que escrevemos é a mensagem ser entendida. Não é a toa que mudos, cegos e surdos conseguem se comunicar.

Eu acho muito importante os blogs, porque como o próprio Saramago falou “está se escrevendo mais”, e isso é bom, com o decorrer do tempo e com a prática de escrever mais, e o auxílio do “Word”, vamos deixar de escrever pérolas e entrar para a academia de letras… hehehehe!

A forma como se escreve “pior”, não tira o sentido da mensagem. A comunicação não precisa de muitas palavras para informar o que acontece no mundo de hoje devido aos vários canais de informações que existem, exemplo foi a notícia dada da morte do papa num dos jornais mais famosos do mundo, a manchete dizia assim: “Morreu”, precisava dizer mais quem tinha morrido, se todos os meios de comunicação estavam voltados para aquele fato?

Então meu caro Saramago, está pior porque se escreve mais, e eu acho isso muito bom. Você vai ver daqui a duas décadas como esse povo vai estar afinado na escrita.

UM NOVO BARZINHO EM VALENÇA.

 

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E ai pessoal, como foi o “Dia dos Namorados”? Ontem fomos a um barzinho aqui de Valença recém inaugurado, porque na semana passada nós vistamos e gostamos muito, o “Mandalas”. Da primeira vez estava super legal e por isso em nossa segunda visita resolvemos convidar um casal de amigos, Kadu e Camila, o atendimento estava ótimo, o sonzinho de forró tava demais, e uma moça simpática que me parecia ser a proprietária ia a todas as mesas e nos cumprimentava perguntando sempre se estávamos nos sentindo bem, se os petiscos estavam do nosso gosto etc. Mesmo que não tivesse o ambiente agradável já pagava tudo. Chegamos por volta de 10h00min da noite e saímos ás 00h00min, pagamos nossa conta com aumento de 10%, mas a nossa satisfação não nos dava direito de reclamar (se bem que não fomos avisados da cobrança dos dez por cento), por que também achamos justo.

Porém na noite de ontem o “Mandalas” estava totalmente ao contrário, na chegada encontramos um amigo que ia saindo de lá e nos alertou de que estava muito cheio e o atendimento estava péssimo, mesmo assim arriscamos e entramos, realmente estava muito cheio, um moço nos atendeu e perguntou se nós tínhamos feito reserva, já comecei a ficar com uma pulga atrás da orelha, respondi que não, ai ele nos sugeriu duas mesas que estavam vazias, escolhemos uma e sentamos, não que estivéssemos necessitados de ficar ali, mas as boas coisas a gente sempre repete. Como o nosso amigo havia nos alertado antes, compreendemos e ficamos por ali esperando ser atendidos, a mesma garota que nos atendeu na vez anterior também nos atendeu dessa vez, fizemos o nosso pedido e ela nos informou que estavam cobrando R$ 5,00 reais por pessoa, eu respondi-lhe que não havia problemas e que nós estávamos ali porque gostamos e voltamos. Trinta minutos depois a garota ainda não tinha nem levado o nosso pedido, ao meu lado havia um casal de conhecidos, como eu tinha percebido que a garçonete nem tinha saído ali de perto, resolvi perguntar a eles como estava o atendimento e eles repetiram as mesmas palavras do nosso amigo, “cheio e péssimo o atendimento”. Resolvemos cancelar o pedido e ir embora.

Espero que os proprietários do “Mandalas” não tomem isso como uma critica destrutiva, é compreensível o que aconteceu ontem, afinal de contas foi um dia especial, mas é preciso prevenir nessas ocasiões, e só devem atender o que o estabelecimento comporta, ao excesso de visitantes deve-se chamar a atenção do que pode provocar ao atendimento.

Vou retornar outras vezes lá com certeza, mas vou sugerir aos proprietários que evitem de cobrar taxas ou comissões, cobrem essas comissões já embutidas no que se consome, não tenham medo de cobrar caro. Leiam esse artigo de “Kanitz”. http://www.kanitz.com/veja/remuneracao_profissional.asp

AUDIÊNCIAS PÚBLICAS DISCUTEM QUALIDADE E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PÚBLICOS.

UTILIDADE PUBLICA.

O Sr. Yuri Almeida, da Assessoria de Comunicação do Estado da Bahia, enviou-nos por e-mail um release de um evento que eu acho de suma importância para a sociedade, uma audiência pública que discutem qualidade e prestação de serviço público. Eis ai a oportunidade de falar, reivindicar, reclamar, desabafar. Não percam essa oportunidade, segue o anexo:

Audiências públicas discutem qualidade e prestação de serviços públicos

A Ouvidoria Geral do Estado da Bahia promove no dia 17 de junho (quarta-feira) audiência pública para dialogar com a sociedade sobre a qualidade dos serviços públicos estaduais, bem como alternativas para melhorar o atendimento ao cidadão e o funcionamento dos órgãos públicos.

O evento, que acontecerá na Câmara de Vereadores de Valença, das 8 às 12h, reunirá representantes da sociedade civil dos 14 municípios que compõem o território Baixo Sul, prefeitos e vereadores. Até o fim de 2010, todos os 26 Territórios de Identidade serão contemplados com a realização das audiências.

Para o Ouvidor Geral do Estado, Jones Carvalho, com a iniciativa o Governo do Estado amplia o diálogo com o cidadão e garante a participação popular na administração pública. "Através das audiências públicas, a Ouvidoria Geral adota uma postura mais proativa e possibilita ao cidadão mais um canal de interlocução com o Estado", explica Carvalho.

Território do Baixo Sul

Os municípios de Aratuípe, Cairu, Camamu, Gandu, Igrapiúna, Ituberá, Jaguaripe, Nilo Peçanha, Piraí do Norte, Presidente Tancredo Neves, Taperoá, Teolândia, Valença e Wenceslau Guimarães integram o Território do Baixo Sul. Juntas, estas 14 cidades somam uma população estimada de 333.357 mil habitantes.

Inscrições

As inscrições são gratuitas e serão realizadas no dia e local da audiência pública.

CINCO DIAS LONGE DO MANÍACO DO PARQUE, VOU PRA ITUBERÁ.

 

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Depois que o prefeito João Cardoso saiu da prefeitura de Valença pela ultima vez perdemos o contato com nossas festas populares; o São João a Micareta, festas que tanto nos divertiam. Entrou o prefeito Agenildo Ramalho que ainda sustentou um pouco, mas logo em seguida entrou Ramiro Campelo e acabou de vez com a brincadeira, é claro que ele fazia umas festas bem ao estilo “come o que eu der”. Só que esse ano eu acho que não vai ter nem isso, porque a praça onde ele fazia as suas bagunças foi reformada e tiraram de lá aquele palco horroroso.

Mas a nossa alegria é o São João de Ituberá que promete trazer grandes atrações, assim como: Bruno e Marrone e a Banda Limão com Mel. “Será o São João do Centenário que terá uma programação extensa, rica e inusitada. Serão três palcos, onde também se apresentarão grupos tradicionais, que fazem parte da cultura junina ituberaense. As guadrilhas do Ridículo, Fogo de Palha e Nós Quer, a Jega Elétrica, o Jegue Elétrico, Os Guelas, Grupo Teatral Flor do Serinhaém, Pau de Sebo, Pau de Fitas, Candomblé Elétrico, Bumba-Meu-Boi e o aconchegante Forró Pé de Serra completam a grade dos cinco dias de arrasta-pé em Ituberá”, garante o assessor de imprensa da prefeitura de Ituberá, Marcelo Dutra.

É aqui pertinho e o prefeito de lá está nos convidando com toda boa vontade, não custa dar uma passadinha por lá. Pelo menos vamos ficar longe do “maníaco do parque” por cinco dias.

PEDRO SABINO É CONTRA O FIM DAS TRANSMISSÕES DAS SESSÕES AO VIVO.

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Pedro Sabino, professor do Curso de Direito da UNEB/Valença e um dos nossos frequentadores aqui da Sorveteria teve esse artigo publicado no site http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?msg=ok&cod=539CID007&#c onde demonstra sua insatisfação da tentativa do Ministro Gilmar Mendes de tirar do ar as transmissões ao vivo da TV Justiça, após aquele incidente no Poder Judiciário com o Ministro (herói) Joaquim Benedito. Mais uma capangagem.

Vale a pena ler.

Pela transmissão integral das sessões

Por Pedro Augusto Lopes Sabino em 26/5/2009

Recentemente, por força da enorme repercussão de vídeo no qual foi exibida acalorado discussão envolvendo alguns integrantes do órgão de cúpula do Poder Judiciário brasileiro, a transmissão ao vivo das sessões foi posta em pauta. Em uma palavra, discute-se se não seria preferível, mais consentâneo com o interesse público, editar as transmissões levadas ao conhecimento da população pela TV Justiça.

Contra a transmissão ao vivo das sessões são opostos argumentos diversificados. Sem qualquer hierarquização da relevância dos fundamentos apresentados, é possível mencionar aquele de acordo com o qual as transmissões ficariam mais atrativas se editadas. Seguindo-se essa linha de raciocínio, os demorados pronunciamentos, notadamente os relatórios enfadonhos nos quais fossem literalmente citadas manifestações anteriores das partes e de autoridades, afastariam o interesse do público pela transmissão das sessões. Além disso, aquilo que não fosse relacionado com a matéria jurídica submetida à apreciação do tribunal deixaria de ser desnecessariamente propagada.

Não há dúvida de que esses argumentos, ao menos à primeira vista, são tentadores. Afinal, o tempo utilizado desnecessariamente poderia ser melhor aproveitado para aquilo que tivesse maior importância – ao menos, para quem fizesse a edição. Ademais, sessões insossas afastariam o cidadão de um Judiciário cada vez mais preocupado em se aproximar dos jurisdicionados – os temas se multiplicam nesse sentido: acesso à Justiça, abertura da hermenêutica constitucional aos intérpretes não formais da constituição, duração razoável do processo, entre outros. Curiosamente, toda essa preocupação surge, precisamente, quando não apenas os estudantes de Direito resolveram assistir ao que se passa no Supremo Tribunal Federal (STF).

Aferição dos benefícios

A “riqueza” dos argumentos contrários à transmissão ao vivo não pára por aí: a qualidade da democracia brasileira não seria afetada pela edição das sessões de julgamento dos tribunais e a compreensão da dinâmica processual poderia até ser aprimorada. De acordo com quem defende esse entendimento, a quantidade de telespectadores seria insignificante e os que assistem às sessões, em sua maioria, não seriam iniciados o suficiente para, de fato, entenderem aquilo que foi dito ou toda a extensão do que foi afirmado. Em síntese, a própria credibilidade do Judiciário seria ameaçada pela difusão de distorções dos seus entendimentos pela patuléia ignara. Além disso, o princípio da publicidade seria resguardado, uma vez que as sessões de julgamento continuam abertas ao público.

No âmbito do Direito Constitucional positivo brasileiro, foram necessários mais de quinze anos após a promulgação da Constituição Federal de 1988 (CF/88), com a Emenda Constitucional nº 45/2004, para, explicitamente, se chegar à conclusão de que não bastava o simples acesso à justiça formalmente assegurado: a justiça itinerante e o funcionamento de órgãos fracionários dos tribunais em cidades do interior dos estados-membros foram positivados. Em outras palavras: o Judiciário deveria se aproximar do cidadão que não tem condições de ir até ele. O antípoda desse entendimento é a defesa das maravilhas do fim da transmissão ao vivo, desde que qualquer cidadão possa sair de Oiapoque, se deslocar até Brasília e encontrar sessões abertas ao público. Ou seja: mais uma vez desembocamos no vetusto formalismo.

Se forem aceitos os argumentos apresentados (o que não se espera), surgem imediatamente alguns problemas difíceis de resolver. Primeiramente, a aferição dos benefícios supostamente atingidos pela proibição das transmissões ao vivo das sessões de julgamento.

Cópia na íntegra da decisão proferida

Se um canal público, presumidamente movido pelo nobre e elevado propósito de satisfazer ao interesse da coletividade, tiver acesso à íntegra da sessão de julgamento do mais elevado tribunal de seu Estado, ele deverá deixar de divulgar as gravações de fatos relevantes? No Judiciário, apenas o conteúdo técnico-jurídico dos julgamentos tem interesse público? O que dizer da transmissão dos eventos relativos ao bicentenário do Judiciário brasileiro e de inúmeras palestras? Se alguns magistrados, durante o exercício de suas atividades, praticarem atos capazes de ruborizar o garçom do bar da esquina, isso não tem qualquer relevância para um canal voltado à cobertura do Poder Judiciário? Em outras palavras, com ou sem transmissão ao vivo, é uma excrescência insinuar que esses dados devam ser destruídos ou mesmo ocultados: as imagens deverão ser imediatamente divulgadas, mesmo sem transmissão ao vivo. Na hipótese mencionada, não se estará diante de uma informação sigilosa, obtida durante um conflito bélico com outro Estado, a merecer um regime jurídico especial no que concerne à sua divulgação com o escopo de resguardar a segurança nacional. Trata-se da avaliação da conduta de autoridades públicas que devem merecer visibilidade.

Se imaginarmos que os responsáveis pela TV Justiça poderão impedir a ampla veiculação dessas imagens que, supostamente, em nada contribuem para a satisfação do interesse público, resta resolver o problema da edição das sessões de julgamento: o que será transmitido? Há algum tempo, o telespectador da TV Justiça pode ter visto um ministro do STF afirmar que, em face da complexidade das manifestações dos integrantes da Corte, tem-se adotado a prática, quando realizado alguns atos de comunicação processual, de se enviar cópia da íntegra da decisão proferida. Com isso, evita-se o risco de se prejudicar a parte interessada ao distorcer o teor de uma decisão proferida. Evidentemente, se os jornalistas fizessem o mesmo, não existiria uma publicação semanal com apenas cem páginas. Ao menos para um leigo como o autor do presente texto, o jornalismo se faz selecionando os incontáveis fatos do mundo e transformando- os em um fato jornalístico ao qual é dado maior destaque (na escolha dos fatos do mundo transformados em fatos jornalísticos entra o aspecto ideológico da comunicação).

“Bom escândalo” revigora consciência crítica

O que das sessões de julgamento do STF deveria ser escolhido para transmissão televisiva? A íntegra dos discursos solenes, milimetricamente calculados, proferidos por ocasião de cerimônias oficiais? Certamente, essa poderia ser uma boa opção se o objetivo fosse melhorar a imagem do Judiciário: erudição, espírito público, cordialidade, são algumas das qualidades recorrentes nessas ocasiões (atributos semelhantes são dedutíveis dos discursos solenes dos integrantes de um desgastado Congresso Nacional). Por outro lado, se a exaltação do compromisso do Judiciário com os mais elevados valores republicanos não for considerada melhor do que a transmissão integral das sessões de julgamento (como penso), ainda assim, resta a necessidade de avaliação da transmissão editada das sessões.

O que é relevante durante as sessões? A matéria submetida a julgamento? Os fundamentos apresentados? O entendimento divergente de algum ministro? A decisão? Uma matéria que provoque muitos debates, mas já pacificada no âmbito do STF? Apenas as mudanças de orientação da Corte? Se apenas as mudanças de entendimento receberem destaque da TV Justiça (entendimento reforçado pela idéia da má compreensão dos votos pela patuléia), poderiam ser substituídas as sessões por simples aulas ministradas à distância por professores de Direito das matérias afetadas dedicados ao esclarecimento das novas orientações do Tribunal.

É difícil, senão impossível, dizer de antemão o que tem maior relevância pública para merecer a transmissão em lugar de outros fatos da vida. Podemos questionar: a transmissão de pronunciamentos estranhos ao objeto do processo pode revelar algum interesse público? É evidente que sim. No caso de imprecações entre ministros, tem-se a real dimensão dos envolvidos. As suas qualidades são reconhecidas por quem acompanha as suas atividades profissionais, mas sem mistificação. Não se trata de prestigiar ou não o Judiciário, a mistificação dos seus integrantes deseduca a população, aliena-a de uma percepção crítica em relação ao funcionamento da máquina pública em todos os níveis.

O “bom escândalo” revigora a consciência crítica do cidadão. Por meio dele, o diamante revela-se apenas um pedaço de vidro quando visto de perto. A ocultação de informações relevantes pode criar, artificialmente, uma imagem positiva para o Judiciário, mas em nada atende ao interesse de controlar o poder. O prestígio do Judiciário, assim como o de qualquer órgão público, deve ser conquistado pela grandeza de sua atuação, pelo exemplo.

Gravações não poderão ser escondidas

Qual é o advogado atuante, no Brasil, que desconhece casos muito mais impactantes envolvendo manifestações de magistrados em salas de audiência do que o transmitido pela TV Justiça? As mensagens eletrônicas com fotos de portarias escandalosamente contrárias à Constituição são freqüentes. Ainda assim, quem conhece a atuação dos magistrados sabe que esta não é a regra e a credibilidade do Judiciário não é comprometida exatamente quando da toga se desvela um ser humano, cheio de defeitos como qualquer um.

No Brasil, acontecimentos desagradáveis têm criado condições políticas favoráveis para tirar da gaveta algumas propostas positivas. Há quanto tempo se discute na literatura especializada a duração máxima de permanência de um ministro no STF e mesmo o modo como é feita a seleção dos mesmos? Com o despertar do interesse da população pelo funcionamento do STF, podem surgir condições políticas favoráveis para mudanças. A deificação das autoridades favorece a inércia. Se um tribunal é composto por 11 pessoas capazes, dedicadas, equilibradas, discretas, onipresentes, onipotentes e oniscientes, para que discutir a sua composição? Para que renová-lo? Por que não deveríamos manter o mesmo ministro por mais de vinte anos no excelso pretório?

Em que pesem as inúmeras questões suscitadas e não respondidas explicitamente ao longo do texto, resta a convicção de que a imagem positiva do Judiciário não pode depender de qualquer obstáculo à apreciação crítica por parte do cidadão. Com ou sem transmissão ao vivo das sessões de julgamento, suas gravações jamais poderão ser escondidas sob o tapete ou mesmo ter a violência de seus traços camuflada por uma maquiagem fora de moda.

OS DONOS DA VERDADE.

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Ontem numa semifinal de Corinthians e Vasco da Gama pela Copa do Brasil houve um quebra-quebra por parte dos torcedores antes de chegarem ao estádio. Como a imprensa do sul se acha a dona da verdade vejam o que eles dizem: “Segundo informações da Polícia Militar, torcedores do Vasco armaram uma emboscada para o comboio de ônibus dos torcedores rivais que trafegava pela pista local da marginal Tietê, entre a ponte das Bandeiras e da Casa Verde, por volta das 21h”. http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u576425.shtml. Deu pra entender?

Como pode a torcida do Vasco afrontar uma das maiores torcidas do Brasil, a maior de São Paulo dentro do seu próprio estado? Poupem-me, será que não basta ficar ouvindo os comentaristas da “Globo” bajularem os times paulistas? Dizendo que os árbitros estão certos quando marcam uma falta ou impedimentos que não houve, só porque favoreceu a um time paulista? E que o jogador “A” ou “B”, são rebelde porque pegaram um pouquinho mais pesado com o Ronaldo balofo? Ou até mesmo ficarem lamentando de araque o pênalti que o Corinthians provocou no Vasco, mas como foi contra o Vasco o juiz estava numa posição que não dava pra ver? Lê quem quer, acredita quem é besta.