Cairu: Lavagem da Igreja de Boipeba
*Antônio Isaías do Rosário Ribeiro
A lavagem das escadarias da Igreja do Santíssimo, embora não tenha a idade dos séculos – quatro séculos da Vila de Boipeba –, é manifestação popular que cresce de significado a cada ano, contagiando moradores e visitantes. É também cultura associada à fé, primeiro das populações marginalizadas que se reuniam nos terreiros, depois, da universalidade dos nativos da Ilha e dos moradores da vizinhança. Também, dos que chegaram como imigrantes e, ainda dos visitantes de todos os cantos.
Assim, por conta de tanta mistura e demonstração de tolerância, assistiu-se neste Domingo, cinco de junho, no interior da Igreja do Santíssimo a um belo exercício de convivência com a diversidade religiosa. Um número grande de “baianas” e de povo dos terreiros, em afirmação de sua fé, dali mesmo, daquele templo secular, oficiaram seus ritos e realizaram a lavagem das escadarias em meio a manifestações outras da cultura popular, em presença de membros de outras igrejas e da estrutura do poder municipal (estavam ali o prefeito, seus secretários e o presidente da Câmara), tudo em verdadeira demonstração de inculturação da fé e tolerância entre as religiões.
Por certo, o que assistimos neste Domingo, do interior da Igreja do Santíssimo de Boipeba, é algo impensável para o missionário jesuíta que no século XVII ergueu aquele templo, na tarefa magna de globalizar o Evangelho, trazendo os seus valores também a estas novas terras – “a estes confins da Terra, começando por Jerusalém”.
Mas a Igreja que emergiu do Vaticano II entende que é necessário conhecer essas culturas e as suas componentes vivas; dar-lhe espaços e apreender as suas expressões mais significativas; respeitar os seus valores e riquezas próprias. E por esse meio levar a tais culturas o anúncio e o conhecimento da “verdade nova e tão antiga”, escondida no mistério de Jesus Cristo.
A administração do Prefeito Hildécio Meireles, por sua Secretaria de Cultura, parabeniza os organizadores e felicita o povo de Boipeba.
*Secretário Municipal de Cultura






É a política no Baixo Sul do Estado da Bahia.
Realmente não tem dono. Tem colonizadores. Povo valenciano não manda em nada rs.
janeiro 9, 2026 às 4:28 pm Excelente texto! Mas, tem babacas que não entendem o que é soberania ou não…
Excelente texto! Mas, tem babacas que não entendem o que é soberania ou não querem entender! Esses imbecis são os…
Reflexão pertinente sobre um tema cada vez mais presente. Os avanços tecnológicos pedem análise cuidadosa, responsabilidade e diálogo.