OPINIÃO | Joglas queria a presidência da Câmara de Cairu. E o projeto?

Por Pelegrini

Meus amigos, depois de acompanhar a fala inteira do vereador Joglas na Sessão da Câmara Municipal de Caiur, eu entendo por que ele foi à tribuna dar sua versão. Ele se sentiu atingido pela palavra “traidores” e quis defender a lealdade que diz ter mantido ao prefeito por quase sete anos.

Tem o direito de se explicar. Mas, no meio de tanta conversa sobre amizade e traição, fiquei com uma pergunta bem mais simples. Joglas queria presidir a Câmara de Cairu para fazer o quê?

Pelo relato do próprio vereador, o prefeito recomendou que ele conversasse com Pikuí, atual presidente da Câmara, e com os colegas com quem tinha afinidade.

Joglas admite que, naquele primeiro momento, procurou alguns vereadores e deixou Pikuí de fora da conversa. Ora, se a ideia era disputar sem brigar com o presidente, como ele mesmo disse, por que deixar justamente essa conversa para depois?

Joglas também diz que recebeu uma ligação pedindo que recuasse e que aceitou por lealdade. Depois, foi conversar com Picuí e tentou um lugar na chapa como vice.

Aí eu pergunto, vereador, se o senhor acreditava que tinha apoio e um projeto para a Câmara, por que uma ligação bastou para mudar seu rumo?

O senhor podia seguir conversando com os colegas e levar a candidatura adiante. A eleição, como o próprio Joglas lembrou na tribuna, é decidida pelos vereadores.

É aí que vejo a contradição. Joglas defende a independência da Câmara, mas põe a conversa com o prefeito no centro da explicação sobre a sua candidatura.

Pela versão que ele próprio contou, o prefeito orientou que ele se articulasse. Onde, nessa conversa, houve compromisso de fazê-lo presidente?

Também achei frágil falar em rejeição a Picuí sem mostrar de onde vinha esse suposto desgaste. E, quando Joglas diz que foi alvo de chantagem, a conversa fica mais séria.

Ele afirmou ter registros, mas, no pronunciamento, ficou a alegação. Cabe a ele esclarecer quem fez o quê e apresentar o material que diz ter.

O que eu vi nesse discurso foi muita vaidade em torno da cadeira. A presidência dá visibilidade e traz a responsabilidade de administrar o orçamento da Câmara.

Isso, por si só, já deveria render uma conversa com o povo de Cairu. O que Joglas faria com esse orçamento? Como daria mais transparência aos gastos? O que mudaria no funcionamento da Casa?

O vereador falou bastante sobre a amizade com o prefeito, sobre quem teria traído quem e sobre as conversas para chegar à presidência.

A parte que eu mais queria ouvir ficou faltando. O que o povo de Cairu ganharia com Jouglas naquela cadeira?

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