Um jovem de 20 anos, 45 disparos e uma pergunta: onde estava a proteção?

Gustavo Munis de Santana tinha apenas 20 anos. Segundo a Folha de S.Paulo, quatro policiais militares efetuaram 45 disparos durante a abordagem em Moema, na zona sul de São Paulo. A perícia identificou 27 ferimentos por bala no corpo do rapaz. Os agentes disseram ter confundido o celular que ele segurava com uma arma.

Quarenta e cinco disparos. É impossível ler isso sem perguntar: quando Gustavo caiu? Os tiros continuaram depois da queda? Em que momento deixou de existir a ameaça alegada pelos policiais? São perguntas que precisam de respostas, com análise rigorosa das imagens e dos laudos.

Segundo familiares, Gustavo fazia tratamento para depressão. A polícia havia sido chamada após um relato de que um homem ameaçava atirar contra si. Uma ocorrência que exigia cuidado para preservar uma vida terminou com a morte daquele jovem.

A segurança pública precisa oferecer proteção, inclusive a quem está em sofrimento mental. Uma abordagem com esse desfecho exige que se examine o preparo dos agentes, suas decisões e a proporcionalidade da força empregada.

A Secretaria da Segurança Pública informou que os policiais foram afastados das atividades operacionais e que as câmeras corporais serão analisadas. Isso precisa resultar em esclarecimento e responsabilização caso sejam comprovadas irregularidades.

Porque, por trás desses números, havia um rapaz de 20 anos. Havia uma família. Havia uma vida inteira pela frente. E nenhuma explicação pode tratar essa perda como um detalhe de ocorrência policial.

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