Banco de Edir Macedo investiu R$ 271 milhões em ‘papéis podres’ semelhantes aos usados pelo Master

O Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e ligado ao grupo Record, investiu R$ 271,4 milhões em títulos considerados praticamente sem valor de mercado, numa operação que apresenta semelhanças com negócios realizados pelo Banco Master, de Daniel Vorcaro.

A informação foi revelada pela Folha de S.Paulo nesta sexta-feira (18).

Os papéis eram do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc) e foram adquiridos por meio do fundo de investimentos Betel, que tinha o Digimais como único cotista.

O ponto que chama atenção é justamente a semelhança com operações atribuídas ao Banco Master. No caso investigado envolvendo o banco de Vorcaro, títulos antigos e praticamente sem valor no mercado teriam sido registrados por valores milionários. Com isso, fundos poderiam apresentar patrimônio artificialmente elevado e servir de garantia para outras operações financeiras.

Segundo a reportagem da Folha, o fundo Betel era administrado pela Reag, instituição posteriormente liquidada pelo Banco Central por graves violações às normas do sistema financeiro.

Digimais já está na mira da Polícia Federal

O caso aparece num momento especialmente delicado para o Digimais. A Polícia Federal já investiga suspeitas de irregularidades envolvendo a instituição na chamada Operação Miragem.

Entre os pontos investigados estão suspeitas de manipulação de demonstrações contábeis e registros que poderiam ter apresentado uma situação financeira diferente da realidade do banco.

Em junho, a PF já havia apontado outras semelhanças entre operações do Digimais e práticas investigadas no caso Banco Master. Na ocasião, o Digimais afirmou estar à disposição das autoridades e declarou compromisso com a transparência, a conformidade regulatória e a colaboração com as investigações.

A situação financeira também chama atenção. O banco registrou prejuízo de R$ 581,4 milhões somente no primeiro semestre de 2026, depois de ter apresentado lucro de R$ 42,1 milhões no mesmo período do ano anterior.

O caso dos R$ 271,4 milhões agora acrescenta mais uma peça a um quebra-cabeça financeiro que deverá continuar sendo analisado pelas autoridades.

E, quando começam a aparecer milhões investidos em papéis que praticamente não valem o papel onde foram escritos, a pergunta inevitável é: como operações desse tamanho passaram pelos controles internos e externos do sistema financeiro?

É justamente essa resposta que as investigações terão de buscar.

Com informações da Folha de S.Paulo.

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