E se sobrassem apenas Nikolas, Renan e Marçal?

Meu Deus do céu, já imaginaram uma eleição para presidente da República com apenas três candidatos: Nikolas Ferreira, Renan Santos e Pablo Marçal?

Seria preciso escolher o presidente ou chamar um psicólogo para acompanhar o debate?

O problema dessa nova geração de políticos não é a juventude. Juventude é coisa boa, traz energia, renovação e novas ideias. O problema é quando a novidade chega sem conteúdo, mas carregada de arrogância, provocação e vontade de aparecer.

Nikolas, Renan e Marçal parecem ter descoberto uma fórmula muito parecida: quanto maior a confusão, maior a audiência. Não precisam apresentar uma proposta que melhore a saúde, a educação ou a vida de quem acorda cedo para trabalhar. Basta atacar alguém, criar uma polêmica, gravar um vídeo e esperar o assunto correr pelas redes sociais.

Eles não discutem apenas com adversários. Brigam com o bom senso.

Cada um tem seu estilo, mas os três parecem beber da mesma fonte. Um provoca, o outro ofende e o terceiro transforma tudo em espetáculo. Quando não há solução, aparece uma frase de efeito. Quando falta argumento, aumenta-se o tom de voz. E quando a verdade atrapalha a narrativa, ela é tratada como um pequeno detalhe.

Agora imagine o debate presidencial.

Nikolas levantaria o celular para gravar um vídeo. Renan tentaria transformar o estúdio num ringue. Marçal subiria no palco dizendo que possui o método definitivo para destravar o Brasil. O mediador pediria calma, a plateia pediria socorro e a velha guarda da política, assistindo de casa, jogaria a toalha e diria: “Rapaz, perto disso aí, nós éramos uns lordes!”

O mais preocupante nem são somente os três. É perceber que existe uma parcela da nova geração que se identifica com esse comportamento e começa a acreditar que política é sinônimo de humilhação, gritaria e lacração.

Política deveria ser o lugar do diálogo, da proposta e da responsabilidade. Mas, para essa turma, parece ter virado uma disputa para saber quem consegue produzir o corte de vídeo mais agressivo do dia.

Eles não estão preparando o Brasil para o futuro. Estão preparando o país para o próximo escândalo das redes sociais.

Se uma eleição presidencial ficasse resumida a Nikolas, Renan e Marçal, talvez a pergunta não fosse “quem é o melhor candidato?”. A pergunta seria: “onde fica a saída de emergência?”

Porque entre o grito, a provocação e o espetáculo, o Brasil poderia acabar elegendo não um presidente, mas o administrador oficial do caos.

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