Influenciadores de Trump perdem milhões de visualizações. O que está acontecendo?

Quem acompanha pouco a política dos Estados Unidos pode até estranhar, mas uma coisa interessante está acontecendo por lá: alguns dos grandes influenciadores conservadores que ajudaram Donald Trump a voltar à Casa Branca estão perdendo milhões de visualizações nas plataformas de vídeo.

E calma: isso não quer dizer que Trump deixou de ser forte ou que seus eleitores simplesmente mudaram de lado.

A história é mais interessante.

Na eleição de 2024, Trump estava fora do governo e seus apoiadores tinham assunto de sobra para atacar Joe Biden e os democratas. Era denúncia daqui, crítica dali, indignação acolá. E quem conhece rede social sabe: indignação costuma dar clique, comentário e compartilhamento.

Só que agora Trump é o presidente.

E aí muda a conversa. Quem antes vivia apontando o dedo para o governo agora precisa, muitas vezes, defender o governo. E parece que esse discurso já não está empolgando parte do público como antes.

Um exemplo citado pela Folha de S.Paulo, em reportagem originalmente publicada pelo New York Times, é o influenciador conservador Ben Shapiro. Seus vídeos no YouTube chegaram a aproximadamente 27 milhões de visualizações semanais em 2024. Agora estariam na casa dos 4 milhões.

É uma queda daquelas!

Mas há outro detalhe ainda mais curioso: enquanto alguns defensores fiéis de Trump perdem audiência, figuras da própria direita que passaram a criticar algumas decisões do presidente estão crescendo.

Ou seja, não parece simplesmente que o americano esteja abandonando a direita. Parte do público conservador pode estar apenas procurando outras vozes dentro da própria direita.

E aí mora o problema para Trump.

Os Estados Unidos terão eleições parlamentares em novembro, e esses influenciadores foram importantes para animar, mobilizar e levar eleitores conservadores às urnas.

Portanto, talvez o sinal amarelo não esteja exatamente na quantidade de pessoas que gostam de Trump, mas na capacidade de manter essa turma animada e mobilizada.

No mundo das redes sociais é assim: uma coisa é fazer barulho para chegar ao poder. Outra é continuar conseguindo os mesmos aplausos depois que se chega lá.

A internet também sabe cobrar ingresso.

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