CURRÍCULO NÃO É CARGO, É HISTÓRICO

Recebi e publiquei, na íntegra, o texto enviado pela vice-prefeita exercendo seu direito de resposta. Como sempre fiz, respeito o contraditório. O debate político não pode ter dono.

Dito isso, vamos ao ponto.

Ninguém questionou trajetória.

Ninguém apagou histórico.

Ninguém negou leis, audiências públicas ou atuação passada.

Mas é preciso separar as coisas: currículo é o que a pessoa já fez. Cargo é o que está fazendo agora.

O debate levantado não foi sobre o que aconteceu quando era vereadora ou secretária. Foi sobre o papel político exercido hoje, no presente, na condição de vice-prefeita.

E aqui está o centro da questão.

A vice-prefeita afirma que cumpre rigorosamente o papel que a legislação estabelece. Correto. A lei realmente não concede secretaria própria nem estrutura autônoma.

Mas a política não se resume ao que está escrito na lei. Política também é presença, articulação, influência, protagonismo.

Vice-prefeito não é cargo ornamental.

Também não é cargo meramente protocolar.

E muito menos pode se limitar à espera de convocação.

A população não elege vice para ser figura técnica de bastidor. Elege para ser liderança ativa.

O texto apresentado enumera ações passadas e explica limites legais. Mas o eleitor quer saber algo mais simples: qual é a marca política atual? Onde está a atuação visível? Quais pautas lidera hoje? Que bandeiras levanta publicamente?

Isso não é ataque. É questionamento político legítimo.

Quanto à insinuação de que críticas reduzem mulher a “cota” ou “figura decorativa”, é importante esclarecer: debate político não pode ser interditado por rótulos emocionais.

Mulher na política deve ser respeitada, sim. E exatamente por isso deve ser cobrada como qualquer outro agente público.

Igualdade também significa igualdade na cobrança.

Reafirmo: respeito pessoal sempre existirá.

Mas questionamento político continuará existindo.

Porque aqui não se faz ataque.

Aqui se faz debate.

E debate se faz com luz acesa.

Pelegrini

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