MANCHETE OU MANOBRA? A FOLHA E O JORNALISMO DE SARJETA

Ex-conselheiro de Trump xinga Lula após crítica a ataque dos EUA”.
Essa é uma das manchetes da Folha de S.Paulo que, de tão absurda, chega a parecer pegadinha de mau gosto. Mas não é. Está lá, estampada, para quem quiser conferir no site.

E aí eu me pergunto, com sincera perplexidade: isso é falta de informação ou é má-fé mesmo? Alguém acredita, de verdade, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva perde um segundo do seu tempo com a opinião de um figurante do trumpismo? O tal Jason Miller não passa de um papagaio de pirata político, desses que vivem de gritar palavrão para ganhar migalha de atenção.

Mas a Folha sabe muito bem o que está fazendo. Há interesses claros por trás desse tipo de manchete. Não é segredo para ninguém que o jornal flerta, há tempos, com a extrema direita. E nada melhor, para esse público, do que publicar ofensas baratas tentando depreciar Lula, ainda que a fonte seja alguém sem relevância alguma.

O pior de tudo é o sentimento de humilhação de quem paga caro para ser assinante. A gente assina esperando análise, contexto, informação relevante. Em troca, recebe picuinha, fofoca política e provocação rasteira. É como pagar ingresso de teatro e assistir a um bate-boca de boteco.

Um leitor da própria Folha resumiu bem o vexame ao comentar no site que o sujeito “não teve moral nem para assumir cargo de confiança de Donald Trump, abatido pela revelação de um caso extraconjugal enquanto a esposa estava grávida”. Mesmo assim, a Folha foi lá buscá-lo para usar, com destaque, palavras de baixo calão contra o presidente do Brasil. Como bem disse o leitor: para a maioria dos brasileiros, Lula está muito acima dessa sarjeta.

E aí fica a pergunta que não quer calar: por que a Folha não apresentou o histórico do cidadão que xingou Lula? Simples. Porque não interessa. Para eles, o que vale não é informar, é satisfazer uma narrativa.

Teve gente séria, influente e respeitada no mundo inteiro que considerou violenta a ação de Jason Miller e do governo Trump. Mas esses comentários foram convenientemente ignorados. Não rendem cliques, não inflam bolhas, não alimentam o jogo.

Vai, vai, vai, Folha. Continue assim e depois não reclame quando o leitor perceber que o jornalismo crítico ficou pelo caminho, soterrado por manchetes que mais parecem panfleto de provocação.

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