DOUTOR MUSTAFÁ, O MÉDICO QUE SOFRIA QUANDO PERDIA UM PACIENTE, “NÃO FICO BEM POR UM TEMPO”, REVELOU CERTA VEZ

Eu tive o privilégio de ser atendido por ele e também de poder guardar essa recordação, com o seu irmão, Aziz Rosemberg

Ontem perdemos nosso médico maior, o homem que colocou seu estetoscópio no peito de quase toda a população de Valença. Perdemos nosso Doutor Mustafá.

O Médico que não admitia perder pacientes, sofria e ficava triste quando isso acontecia, todos eram como filhos para ele.

Lembro que em 1986 quando minha filha Mariana tinha nascido, Marivan havia feito uma cezariana e por conta disso, alguns dias depois teve febre, fui até o Doutor Mustafá perguntar o que eu devia fazer.

Encontrei o Doutor triste e cabisbaixo, ele me recomendou que ela usasse alguns medicamentos e me disse que não iria ver Marivan porque naquele dia a “bruxa estava solta” no hospital.

O doutor disse que havia perdido uma paciente naquele momento. Ele não admitia perder ninguém, principalmente em suas mãos.

Ele sempre se entristecia, e me revelou que, quando perdia um paciente não ficava bem por um tempo, morria junto.

Lembro também, quando minha sogra, dona Maria, muito amiga do doutor, caiu em suas mãos no momento do último suspiro, e o doutor enlouquecido gritava: “Não Maria! Em minhas mãos não, Maria!”.

Era doloroso para aquele médico, que considerava todos na cidade como amigo, filho e irmão, ver alguém morrer em suas mãos.

Hoje, nós que choramos, choramos porque nosso pai, irmão e amigo, se foi. Não ouviremos mais aquela voz de “trovão” (carinhosa) dizer: “o próximo”, não sentiremos mais o friozinho da ponta do seu estetoscópio acalentando nossos corações.

Adeus Doutor!

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