MARCO AURÉLIO E A QUESTÃO DE CARÁTER

Reação de ministro do STF aos abusos da Lava Jato lembra que não basta erudição nem amigos influentes para se fazer um bom juiz. É preciso coragem
O ministro Marco Aurélio Mello deu uma aula de Justiça no fim de semana. Não. Ele não fez nenhuma ginástica erudita nem anunciou uma nova jurisprudência que o cidadão comum não entende. Conhecido pelo espírito bem-humorado, também não fez ironias.
Marco Aurélio mostrou que o Rei está nu: apontou o dedo para uma situação que muitos enxergam mas, por interesse político, covardia ou conforto pessoal, preferem fingir que não está vendo — os abusos da Operação Lava Jato contra as regras do Estado Democrático de Direito.
“Com 25 anos de Supremo, eu nunca tinha visto nada parecido. E as normas continuam as mesmas”, disse.
O ministro se referia a “condução coercitiva” de João Vaccari Neto, responsável pelas finanças do Partido dos Trabalhadores, para prestar um depoimento a Polícia Federal — quando a boa regra democrática determina que cidadão em sua condição tenham a oportunidade de comparecer, voluntariamente, perante autoridades policiais, para prestar esclarecimentos necessários. Você lembra do espetáculo produzido: a TV mostrou imagens grotescas de policiais pulando o muro da casa de Vaccari, cena destinada a criar um espetáculo vergonhoso de faroeste para os telejornais.
A finalidade destas cenas nós sabemos: ajudam a criminalizar os acusados, permitem que sejam vistos como cidadãos condenáveis, capazes de atos criminosos — sem um fiapo de prova. Essa é a função do espetáculo.
Marco Aurélio deu uma demonstração semelhante de caráter em 2012, durante o julgamento da AP 470. Inconformado diante das seguidas demonstrações de agressividade de Joaquim Barbosa, que tinham a função de intimidar os colegas de plenário, ele rebateu: “Não admito que Vossa Excelência suponha que todos aqui sejam salafrários e só Vossa Excelência seja vestal.” O jogo era o mesmo: ao ficar em silêncio diante do “espetáculo a flor da pele, intolerância e desqualificação dos colegas”, como descreveu o Estado de S. Paulo em editorial, os ministros ajudavam a montar o teatro destinado a justificar medidas extremas, “exemplares”, como se dizia, típicas daqueles tristes momentos em que a Justiça se assemelha a uma noite no circo.
Imagine que o mais conhecido erro judiciário da história universal, o Caso Dreyfus, envolvendo um oficial do Exército francês colocado a ferros sob o sol inclemente da Guiana sob a falsa acusação de vender segredos militares para o Exército alemão, só pode ser desmascarado graças a uma atitude semelhante. O coronel George Picquart, que havia sido professor de Alfred Dreyfus no Colégio Militar, teve acesso aos arquivos do serviço secreto que demonstravam que as provas contra o capitão eram pura falsificação, destinadas a esconder o verdadeiro traidor. A partir daí, Picquart passou a travar uma luta para rever o caso, enfrentando as reações que se pode imaginar. Foi desterrado para a Tunisia, no Norte da África, e também foi processado. Quando o segundo julgamento de Dreyfus estava em curso, Picquart aguardava sua chance num tribunal militar.
O que se aprende, aqui, é uma lição bastante simples. Nossa sociedade do espetáculo não precisa de heróis nem de justiceiros. Mas necessita de autoridades que tenham a coragem de cumprir seus deveres, como guardiões das verdades duras e os direitos de pedra que estão na Constituição — mas precisam ser garantidos, dia após dia, por homens e mulheres de carne-e-osso. Sem eles, o Estado de Democrático de Direito é um enfeite pendurado na parede.
Essa é a lição.





Documentos obtidos pela Polícia Federal na sede da empreiteira Camargo Correa, em São Paulo, no último dia 14 de novembro, trazem nomes de políticos relacionados a valores em dólares, de acordo com reportagem do Estado de S. Paulo. A planilha faz menção ao prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), com duas marcações, de US$ 100 mil e, em caneta, US$ 300 mil. O PT da Bahia também aparece nos documentos divulgados pelo Estadão, com a rubrica de US$ 450 mil. A tabela apreendida, todavia, não fez parte de análise por parte da Polícia Federal, por constar nomes como foro privilegiado, como do vice-presidente da República, Michel Temer, deputados federais, como Gabriel Chalita (PMDB), Arlindo Chinaglia (PT) e Mario Covas Neto (PSDB). Não há nenhuma menção nas planilhas encontradas na empreiteira a um suposto caixa 2 ou pagamento de propinas. São nomes lançados ao lado de valores. No caso de ACM Neto, apesar da planilha trazer o título “Doações campanha de 2012”, na prestação de contas do prefeito não constam doações diretas da Camargo Correa. Já o PT baiano também não apresentou a empreiteira como doador da campanha do candidato do partido em Salvador, Nelson Pelegrino, ou para o diretório estadual/ municipal da sigla. Clique nas imagens para ampliar. (
Novos empreendimentos de iniciativa do setor público deverão aportar ou ser concluídos em 2015 em Valença, Baixo Sul do Estado, com recursos na ordem de R$ 100 milhões. Quase Todos os empreendimentos estão com os recursos garantidos. Somente com o Projeto Minha Cada Minha Vida, do Governo Federal, estão sendo aplicados no município R$ 69,8 milhões na construção de 1.150 unidades habitacionais no bairro do Novo Horizonte. Estão praticamente prontas para ser entregues em agosto, 380 casas do Loteamento Nova Valença, com recursos na ordem de R$ 22,8 milhões. Em construção, estão sendo edificadas mais 600 unidades do Loteamento Nova Vida, com recursos também da União, totalizando R$ 36 milhões. Em parceria com o Construir Melhor, serão construídas outras 170 casas, cujo orçamento está estipulado em cerca de R$ 11 milhões.
A prefeitura de Valença, através da Secretaria do Planejamento, realizou na manhã desta quinta-feira (05), no salão anexo ao Cemep, uma reunião com os pré-selecionados dos empreendimentos Nova Vida I e II do projeto Minha Casa Minha vida para esclarecer sobre as próximas etapas do projeto. Ficou agendado para os dias 10 e 11 de fevereiro o comparecimento, na Secretaria do Planejamento, dos beneficiários que já tiveram seus nomes divulgados e convocados para a reunião de hoje, para a apresentação da documentação exigida pela Caixa Econômica Federal (CEF) necessária ao financiamento dos imóveis.
O governador Rui Costa destacou, mais uma vez, a importância da Educação para a sua gestão, nesta terça-feira (03/02), na primeira sessão da 18ª legislatura da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), no Centro Administrativo da Bahia (CAB), em Salvador.
janeiro 9, 2026 às 4:28 pm Excelente texto! Mas, tem babacas que não entendem o que é soberania ou não…
Excelente texto! Mas, tem babacas que não entendem o que é soberania ou não querem entender! Esses imbecis são os…
Reflexão pertinente sobre um tema cada vez mais presente. Os avanços tecnológicos pedem análise cuidadosa, responsabilidade e diálogo.
Obrigado Jorge!
Boa noite falou a mais pura verdade estou contigo e não abro