Categoria: Política

DENÚCIA DE LEITOR: SETE DIAS DE AGONIA NA SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE VALENÇA

De Família França

Somos irmãos de Jorge Luiz dos Santos França de 28 anos, portador de Síndrome de Dawn, que, infelizmente, no dia 12/04/2012 ( quinta-feira), passou mal, sentindo muitas dores abdominais, vomitando um líquido escuro (parecido com sangue pisado) e com diarreia (as fezes também parecia sangue pisado, tipo borra de café), a família encaminhou para o hospital(Santa Casa de Misericórdia de Valença-Ba), o médico chamado Dr. Orlando, plantonista, não examinou o paciente e mandou internar, encaminhando-o somente para fazer um Raio-X (onde foi detectado uma pneumonia), não foi nem sequer ver como estava o paciente após o internamento, sabendo ele que o paciente é portador de Down, hipotireodismo, problemas cardíacos e pulmonar e necessitava de cuidados especiais. Deram vários medicamentos, inclusive Diazepam (não sei o porquê do Diazepam, mas deram a ele). Minha mãe pediu para que o médico Dr. Orlando prescrevesse os exames necessários ( ultrassonografia, endoscopia e outros), sendo que o tal médico, disse que não precisava, e não prescreveu.

No dia 13/04/2012 ( sexta-feira), à tarde, foi dada alta para ele, pois parecia estar bem, chegando em casa, à noite, ele começou novamente a sentir dores( sem o efeito do Diazepam, é claro) e a vomitar e defecar, ora era sangue, ora era o líquido pastoso preto.
Na madrugada do dia 14/04/2012 (sábado) minha mãe novamente o leva ao Hospital, encontrando o mesmo médico, Dr. Orlando, internando-o mais uma vez sem ao menos examiná-lo clinicamente. Ele foi medicado com antibiótico, colocaram soro, deram tanto medicamento ao menino que ele parecia mais uma COBAIA dos enfermeiros… A situação não melhorava, ele continuava defecando o líquido pastoso de cor preta de hora em hora.
Na madrugada do dia 15/04/2012 (domingo), deram Diazepam para ele dormir, só que ele começou a passar mal, devido ao tal medicamento, quase morria nos braços do meu pai (era o acompanhante dele nesta noite), espumando secreção mucosa, revirando os olhos e não se contendo em pé, e a enfermeira saiu do quarto e deixou meu pai sozinho com o meu irmão neste estado, momento em que meu pai entrou em desespero, mas ainda assim, sem ter noção de técnicas de enfermagem, realizou os socorros necessários, reanimou-o, com todo o carinho de um pai, tirou todo o muco da boca do meu irmão com o auxílio de um único acessório disponível, um papel higiênico fornecido pela suposta enfermeira antes dela dar as costas para o meu irmão. Depois desse episódio, e, não aguentando mais ser tratado como COBAIA dos enfermeiros, Jorge resolveu não mais tomar o soro( até mesmo porque o soro estava no lugar errado e inchou o braço dele todo) e queria ir para casa (até este dia ele parecia estar bem, estava forte, conversava, não necessitava ainda de balão de oxigênio), momento em que toda a família foi até lá e o convenceu a continuar no soro.

No dia 16/04/2012 (segunda-feira), ele amanheceu com dificuldade de respirar, e foi colocado no balão de oxigênio, de onde não saiu até a sua morte, continuou defecando o mesmo líquido preto pastoso, fui falar com a enfermeira no posto de enfermagem para solicitar todos os exames necessários que iríamos fazer aonde fosse possível, foi quando, eu vi no prontuário, uma prescrição de Diazepam, não sei nem de quanto, perguntei se estavam dando este medicamento para ele e informei que o mesmo não poderia tomá-lo e falei do sopro e da crise do dia anterior, ela mandou outro suposto enfermeiro ir correndo para a enfermaria rasgar a guia que já estava com o comprimido tarja preta na bandeja para a aplicação, logo em seguida ele sentiu muitas dores abdominais chegando a gritar de tanta dor, e a barriga enrijecida, quando perguntamos a um enfermeiro se havia medicamento de dor ou gazes prescrito no prontuário, e ele respondeu que não, achamos um absurdo aquilo e pedimos para que ele pedisse ao médico de plantão para prescrever, horas depois, aparece o enfermeiro com o medicamento prescrito pelo plantonista Dr. Alfredo, e o aplica um BUSCOPAN ENDOVENOSO, entre outros medicamentos orais que não sei quais (pois foi perguntado ao enfermeiro e este disse não saber, tinha que olhar no prontuário). Logo após essa aplicação, a dor continuava e a situação se agravava, Jorge ficou sem voz e com dificuldade ainda maior de respirar, a garganta dele estava ficando tapada, nós achamos que ele iria morrer ali naquele momento, desesperados, pedimos para chamar o médico Dr. Alfredo (que estava de plantão), que demorou horas para aparecer e não deu a mínima importância ao caso, ele já havia sido visto por Dr. Marcelo, por Dr. Alberto, e, para sua sorte passou pelos corredores DRª Mairy (cardiologista), pois ela já fora sua médica, visto que ele tinha sopro, pedimos a ela que o olhasse e ela o fez, disse-nos que iria falar com outro médico Dr. Dilson que é cirurgião, pois o caso dele era aparentemente passivo de cirurgia, mandou fazer exame de sangue (primeiro exame de sangue realizado em cinco dias de agonia) e uma Ultrassonografia, foi ver a possibilidade de encaminhá-lo para o CTI onde o tratamento seria melhor, segundo informação o Dr. Dilson estaria realizando cesariana e que o CTI estava lotado. E as dores do meu irmão continuava, foram 04 horas de dor intensa, só passando após um dreno que colocaram na uretra e no reto de Jorge, quando saiu tanto xixi e fezes – (que não eram fezes, era um líquido pastoso preto-) como a dor havia aliviado, após a drenagem, ele dormiu, mas ainda continuava na enfermaria e sem a visita do cirurgião.

No dia 17/04/2012( terça-feira), a ultrassonografia não pôde ser realizada pois ele estava com muita dificuldade de respirar, não podendo sair do balão de oxigênio, à tarde, mais uma vez, a dor atacou, quando procuramos o médico plantonista do dia, Dr. Alfredo, mais uma vez, muito mal educado por sinal, que não deu importância com a aflição da família, após ver esse descaso e a situação de Jorge se agravando, posto que, desta vez, saía sangue vivo do seu ânus, e sua mãe, que fez cirurgia no coração recentemente(angioplastia), em prantos sem saber o que fazer, foi mostrar ao mal educado do Dr. Alfredo, quando ele disse a ela que ele não era o médico dele, que só estava ali de favor, e por quê tinha tanta gente da família ali na enfermaria, será que é pra não ter testemunha do descaso que estão dando a Jorge, pois estavam no local três pessoas seu pai, sua irmã e sua mãe, todos preocupados com a situação, esse médico ignorante e mal educado o Dr. Alfredo mal examinou meu irmão, solicitamos então um exame(ultrassom do abdômem) esse mal educado disse que não realizaria por que meu irmão estava com a respiração acelerada, não sei o que isso tem ou não a haver com o exame. A família já não sabia mais o que fazer a respeito do descaso com que Jorge estava sendo tratado, ninguém queria assumir nada sendo que quem o internou foi um outro medico o Dr. Orlando que não deu as caras ao paciente que internou não foi ver como estava o estado do paciente isso em seis dias de internamento. Já anoitecendo, um médico plantonista, Dr. Alberto, chegou a um diagnóstico, não sei como, mas chegou, uma enfermeira comovida com a dor do meu irmão Jorge e a aflição da minha mãe e minha irmã que estavam lá e clamavam pelo encaminhamento dele a um hospital de Salvador, já que aqui não tinham nenhum meio para a melhora dele, nem sequer mesmo médico, pois nem os exames necessários pedidos pela minha mãe no dia do internamento não foram passados; pegou o exame de sangue e foi levar ao dito médico (Dr. Alberto), perguntando a minha irmã se ela queria ir, era óbvio que ela queria, daí o médico diagnosticou através dos exames sanguíneos realizados somente nos dias 16/04/12 e 17/04/12, que meu irmão se encontrava em estado grave, com insuficiência renal aguda e que precisava urgentemente ser transferido para realizar uma hemodíalise, foi quando minha irmã (Lucimara, que está grávida) aos prantos me ligou, eu (irmã de Jorge, Gilcimara) em casa de pés e mãos atadas, sem poder ir lá(pois estava com o meu filho pequeno), liguei o computador e comecei a pesquisar na internet, um órgão que poderiam ajudar meu irmão, entrei no site da APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) de Salvador, descobri que lá tem um centro médico e alguns números telefônicos de alguns órgãos de defesa do deficiente (direitos humanos da presidência da república, ministério da saúde, ministério público, defensoria pública), foi quando liguei para Direitos Humanos da Presidência da República( disque 100) solicitando intervenção naquele manicômio que chamam de hospital (parece um manicômio mesmo, pois tratam todos os pacientes com Diazepam, sedativo forte, tarja preta, comumente usado em pessoas com distúrbios psicológicos); falei à atendente do Direitos Humanos, Isadora, que meu irmão era portador da Síndrome de Dawn, relatei todos os fatos, sobre os maus tratos, a negligência por parte dos médicos, inclusive sobre as instalações do hospital, disse que rogava pela intervenção deles, e ela me disse que o que eu necessitava era de uma solução rápida e urgente, não podendo resolver meu problema naquele momento, mandando-me ligar para o Ministério da Saúde e/ou procurar a Defensoria Pública, decepcionada, fiz o que foi mandado, liguei para o Ministério da Saúde (disque 136) falei com a atendente Selma, a qual, também não resolveu o meu problema, mandando-me procurar a Secretaria Municipal de Saúde, ou o Cras e o Creas, falar com a assistente social, pois ela( a atendente do Ministério da Saúde) disse que estes órgãos me ajudaria, daí falei a ela que a Secretaria do Município era um órgão politizado, que quem tem conhecimento com políticos, conseguiria algo, quem não tem, morre à míngua, ela disse que não podia fazer muita coisa a respeito, novamente mandando eu procurá-los, mais uma vez decepcionada e arrasada, mandei e-mail para o centro médico da APAE para saber se eles faziam o tratamento do meu irmão; mandei email de reclamação para a ouvidoria do SUS, e acabei frustrada, já era tarde da noite, não poderia fazer mais nada! e meu irmão a cada dia que passava ia se esvaindo, sumindo das nossas mãos…

No dia 18/04/2012 (quarta-feira), cedo pela manhã, fui com meu irmão José Luiz, ao hospital para pegar a cópia da guia de transferência encaminhada via fax para a central de regulação neste mesmo dia pelo hospital, para ver se o Ministério Público me ajudava, foi quando lá, falando com o assistente de Dr. Thiago (promotor de justiça) e os demais colegas do MP, resolveram fazer minha ficha para tentar solucionar o problema sem precisar judicializar (ou seja, entrar com um processo com pedido liminar, para ele ser levado às pressas para um hospital de Salvador), o promotor tentaria resolver de uma forma mais rápida, através de uma central do MP, ( não teve nem tempo para isso), não me contentei muito e fui procurar a Defensoria Pública, Dr. Carlos Maia, com toda a humanidade e solidariedade me atendeu até mesmo após o horário de trabalho dele, ele, deu entrada em um processo de indenização(queixa)( nº 0001214-57.2012.805.0271) com pedido de liminar para que meu irmão fosse levado para o hospital de Salvador sem precisar passar pela central de regulação, foi tudo muito rápido, meus colegas receberam, cadastraram e encaminharam ao gabinete da juíza, mas infelizmente, esta não estava na Comarca, encontrava-se na Comarca de Taperoá realizando uma audiência ( pois ela é juíza substituta de lá), fazendo com que esta liminar de saúde esperasse até o dia seguinte…aguardei no fórum até às 17:00 hs, quando resolvi sair de lá, aos prantos, por não ter conseguido uma solução imediata, mas sabia que no dia seguinte teria, tanto do MP, quanto da Vara Cível da comarca. Fui para o hospital, não pude entrar, pois meu irmão justo neste dia, quando souberam que eu iria tomar providências com a justiça, foi colocado na CTI, quando deveriam tê-lo colocado há muito tempo, conforme já relatado, encontrei minha mãe, meu irmão Lucival, meu irmão José Luiz e minha cunhada Somaria, saindo de lá e disseram-me que ele estava dormindo que estava bem, mas que parecia sedado(claro, dão Diazepam a todos),( e ele nem poderia tomar o diazepam, pois tinha sopro no coração, e eu já tinha falado com a enfermeira desde o dia 16/04/2012, após ele ter passado mal, devido ao tal medicamento, quase morrendo na madrugada do domingo(15/04/2012) nos braços do meu pai); pois é, meu irmão só podia estar sedado mesmo, pois na manhã desta maldita quarta(18/04/2012), ele estava apático quando entrei no quarto da enfermaria, momentos antes de procurar a enfermeira e a assistente social para pegar a cópia da guia de transferência, pois ele era tão alegre, mesmo na dor, e neste dia ele estava apático, só mexia os olhos e a cabeça, não falava, nem movimentava o restante do corpo, perguntei se ele sentia alguma coisa, ele nem me respondeu, peguei na mão dele e pedi para que apertasse(para eu ver se ele estava muito fraco), ele tirou toda a força de dentro de si e me apertou a mão sem força… foi o momento que saí de lá, dizendo a ele que iria tentar resolver e que ele iria ficar bom… não deu tempo. como já relatei acima, o tempo correu contra a possibilidade de mantê-lo vivo mais um pouco, e, neste mesmo dia às 22:35 hs ele faleceu, quando minha mãe por três vezes entre 22:00 e 22:35hs ligou para o setor da CTI, e uma suposta enfermeira disse que ele estava do mesmo jeito que a gente havia o deixado às 20:00hs da noite, dormindo, que estava bem…e minutos depois ela( a enfermeira) liga para a minha mãe e disse que o estado dele piorou, mas como??!!! ela tinha dito poucos minutos antes que ele estava bem! vai entender o que aconteceu?!!!!a família toda em poucos minutos chegou ao local, ao chegarmos no hospital(Santa Casa de Misericórdia, que de santa não tem nada), quando desce uma maca com um corpo coberto, minha mãe o reconheceu, era Jorge! bateu o desespero, todos exaltados, todos revoltados, todos inconformados, todos destroçados… não acreditávamos no que havia acontecido, não tivemos coragem para vê-lo de imediato, após mais ou menos uma hora de desespero intenso do lado de fora, fomos vê-lo, e o mesmo ainda estava quente, parecia que havia morrido naquele momento em que estávamos o vendo. estranho…, removeram o corpo da CTI mais rápido do que ele foi levado para lá… quisermos saber como foi? o que havia acontecido? Perguntamos às enfermeiras qual foi a causa da morte e não nos disseram nada, nem sequer veio um médico nos dizer alg. Podaram a gente de estar lá nesse momento em que Jorge mais precisava de nós… estávamos lá todos os dias em que ele esteve na enfermaria (24 hs monitorado pela família e não pelos “profissionais da saúde”). a gente só havia saído de lá há poucas horas, e ele estava bem, o deixamos lá (sozinho) pois ele demonstrava estar bem, estava se mexendo, e estava numa CTI, a família não poderia ficar, pois ele estava no centro de tratamento intensivo, onde supostamente todo o cuidado seria dado.

Este hospital já passou de receber uma visita do Ministério Público, tenho certeza que quando isso ocorrer vão encontrar inúmeras irregularidades, vou citar algumas que vi nesse período em que Jorge esteve internado: banheiros imundos, formigas por toda parte do hospital andando sobre as macas dividindo espaço com os pacientes, baratas nos ralos do banheiros e pelas paredes, não tem álcool em gel, esparadrapo, faltando fraldas geriátricas para os pacientes, quartos mais quentes que saúnas, aguas de torneira colocadas dentro do garrafão (de água mineral) pegam da torneira que vem dos tanques sem tratamento adequado, vai ver que nem é coberto. Sem contar que todo dia tem que morrer um neste maldito hospital , será que isso é normal, pois funcionários de funerárias dão plantão dentro do hospital será que isso é legal, quem sabe não tá rolando algo de podre neste maldito hospital, é de se desconfiar. Eles não trataram nosso irmão como deveriam, nosso irmaõzinho tinha Síndrome de Down, eles deveriam dar tratamento especial ,no entanto negligenciaram-no quem sabe não erraram com alguns medicamentos.

Ele era muito especial , quem teve o prazer de conhecê-lo soube o que é o verdadeiro amor ao próximo, a verdadeira felicidade a alegria em demasia, meu irmãozinho amava a todos por igual não sabia dosar o amor que dava aos que acabara de conhecer, para ele tanto fazia, amava-os da mesma forma .

Aos que não tiveram tempo de conhecê-lo digo-lhes com toda certeza, meu irmaõzinho está olhando a todos e agora vai poder amá-los também, porque com certeza está fazendo parte dos anjos que vivem ao lado do Senhor. Nós familiares estamos sofrendo muito, não sabemos mais sorrir como antes, quando dançava para nós, quando dizia que nos amava e isso constantemente, tínhamos um anjo convivendo conosco e perdê-lo dessa forma criminosa está sendo muito doloroso, não podemos deixar Jorginho cair no esquecimento, nós vamos lutar até o fim, os culpados pagarão por tudo que meu irmãozinho sofreu neste maldito hospital (Santa Casa de Misericórdia)sei que não foi o primeiro nem vai ser o último, então temos que fazer alguma coisa. Agradecemos a todos que foram solidários com a nossa dor.

Gilcimara França

Vereador Jairo pede explicações à diretora do SAAE referente aumento na cobrança da conta de água

Senhora Diretora,

Tomando conhecimento do Decreto nº 933/2012, solicito informações em que índice inflacionário foi baseado o aumento autorizado de 10% para o reajuste de taxas e tarifas.

Preocupado com a difícil situação financeira que passa a população valenciana, peço explicações técnicas para o referido aumento, uma vez que, os munícipes não mais aceitam situações a revelia da Lei.

Atenciosamente,
Jairo de Freitas Baptista
Vereador PMDB

REFLEXÃO: “O clima de derrotismo tomou conta dos professores baianos em decorrência do constante desrespeito do atual governo com a educação”

Elisângela Sales Encarnação – Professora da educação básica da rede estadual de ensino publico do estado da Bahia. Graduada, especialista e mestre em História.

Entra ano e sai ano e nós, profissionais da educação, repetimos nas escolas, nas salas de aula, na sala dos professores, em casa, em conversa com amigos, na mídia…. o quanto nossos salários são baixos, o quanto a nossa profissão é desvalorizada, o descaso dos governantes a respeito da educação, que os pais não dão valor a educação dos filhos, e até que nossos alunos são desinteressados e não sabem da importância que a educação tem na vida deles. Exigimos o respeito que a nossa profissão, que a nossa função social, que os anos de estudos, que o árduo trabalho diário de lidar com centenas de crianças e/ou adolescentes merece. Mas, quando chega um momento crucial como esse, em que uma greve de professores é deflagrada porque um governante se recusa a cumprir o acordo por ele assumido, que tentou por meio de diferentes manobras fazer com o que reajuste dos professores de todo o Estado brasileiro fosse inferior ao que a presidenta determinou, em cumprimento da lei (ratificada pelo supremo Tribunal de Justiça), é que percebemos que RESPEITO É PRA QUEM SE RESPEITA.

É muito triste que num momento crucial como esse, onde a nossa categoria de professores deveria estar unida para que enfrentássemos os muitos percalços que a decisão tomada na ultima quarta-feira vai nos gerar na mídia, nas declarações do governador (se ele se der ao trabalho), do secretário de educação, de alunos, dos pais de alunos, tenhamos muitas vezes que lutar para convencer nossos próprios colegas a aderir ao movimento que luta para o bem e pelos direitos de todos os professores. Alguns munidos de argumentos como: “a greve não vai dar em nada”; “vai prejudicar apenas a nós professores, e aos alunos, pois o governo não tá nem aí”; “vai sacrificar nossos sábados e merecidas férias do final do ano”, ou até, “eu já ganho acima do piso”, então, para que lutar?

O clima de derrotismo tomou conta dos professores baianos em decorrência do constante desrespeito do atual governo com a educação, desde seu primeiro mandato, quando ele foi o primeiro governador a zerar os contracheques dos professores porque estes estavam em greve ou a ser irredutível na perspectiva de que só negociaria se voltássemos a trabalhar (a nós tratar como cachorros que colocam o rabo entre as pernas quando o dono bate o pé). Mas, não somos os únicos a nos sentir assim derrotados, humilhados, com medo. Basta lembrar o tratamento autoritário e desrespeitoso dado aos policiais em greve recente (não quero, com isso, abonar as falhas de alguns policiais). É o funcionalismo público baiano que se sente assim, diante de postura tão agressivamente autoritária do atual governador, que nos faz questionar: cadê a sensibilidade do sindicalista de outrora?

Para esses colegas, só gostaria de lembrar que, na história, nenhum ganho social veio sem luta. Luta que custou, muitas vezes, a vida e a liberdade de muitas pessoas. Todos os direitos alcançados, o foram com sangue , suor e lágrimas. E agora vamos desistir porque precisaremos trabalhar nos sábados e sacrificar as férias? E os muitos mortos, presos e torturados para que pudéssemos ter direitos iguais, direito ao voto e à participação política? Direito à vida e à liberdade, direito de ir e vir, de expressar nossas opiniões, os direitos trabalhistas: jornada de trabalho, férias, salário mínimo, seguro desemprego, licença maternidade, e tantos outros mais? Estamos, quando evocamos essas perdas mínimas que teremos, desrespeitando a luta e a vida dessas pessoas. E, quando dizemos que não vamos ganhar nada agora, esquecemos que muitos morreram sem ver os frutos de sua luta, mas nem por isso eles deixaram de vir. Muitas vezes não lutamos para ganhar, e sim, para não nos deixarmos vencer pelo autoritarismo, pela tirania, pela intolerância.

No Brasil, hoje, virou moda declarar as greves ilegais e punir os sindicatos e trabalhadores com multas absurdas. Há, em curso, um processo de criminalização das greves. Esse direito histórico, que nos rendeu muitas vitórias sociais importantes, que corrigiu situações criminosas e até de atentados á vida (dado as condições desumanas, insalubres, extenuantes de trabalho de algumas categorias), passou a ser cerceado pela justiça que com isso vem paralisando os trabalhadores que dispõem de poucos meios para fazer valerem seus direitos. No entanto, essa mesma justiça não tem a mesma celeridade para corrigir os abusos trabalhistas, fazer valerem acordos firmados entre empregados e empregadores, não se apresenta como caminho possível, para o qual podemos apelar, quando nos sentimos lesados, desrespeitados em nossos direitos de trabalhador.

No caso dos trabalhadores da educação, uma questão me inquieta, e creio que seja importante nos perguntarmos: por que, das profissões de maior prestígio no nosso país em séculos passados, só o magistério perdeu seu brilho? Isso não ocorreu com médicos, advogados, engenheiros, que continuam sendo respeitados pela sociedade e bem melhor remunerados do que os professores.

O atual descaso com a educação brasileira não é algo recente. Alguns estudiosos o localizam no processo de ampliação do ensino público, especialmente quando este passou a abarcar os pobres, na década de 1930. Outros discutem os vários mecanismos utilizados durante a Ditadura Militar brasileira (1964-1985), que acabaram por desestruturar a educação: diminuir sucessivamente suas verbas (em contraposição à ampliação de sua oferta); a perseguição de professores, a vigilância das escolas e de seus profissionais, a perseguição e desintegração de entidades de classe ( estudantis e dos profissionais da educação); a mudança curricular (imposição de EMC, OSPB e Estudos Sociais no lugar de História, Geografia, Filosofia e Sociologia); o rebaixamento salarial do professorado; os cursos de licenciatura de curta duração, etc.

No processo de redemocratização política, a partir de 1985, apesar da educação servir de bandeira para todo e qualquer político que subisse num palanque desde então, seja qual for sua cor política, nenhum deles cumpriu suas promessas eleitorais de fazer da educação um dos pilares da governança brasileira.

Não é por acaso que a nossa profissão caiu no descrédito, e que somos desrespeitados todos os dias por governantes, mídias, sociedade, alunos e pais de alunos. Que somos agredidos psicologicamente, moralmente, profissionalmente e até fisicamente por aqueles que deveriam ser nossos parceiros na difícil tarefa de educar as novas gerações. É isso o que acontece cotidianamente, e em momentos como esses, em que os professores chegam ao seu limite e decidem pela greve, vemos estes agentes, muitas vezes, vir á público para culpar, detratar e até execrar publicamente a postura dos professores. Isso porque, segundo eles, no final, os alunos são os únicos prejudicados. Onde estavam esses profundos, atuantes e vorazes defensores da educação quando: os alunos não têm aulas, porque não há professores (por insuficiência no número de professores nas redes estadual e municipal, por falta de professores concursados em determinadas áreas ou localidades, por licença médicas, e tantas outras situações? E QUE FIQUE BEM CLARO: NESSES CASOS, AS AULAS NÃO SÃO REPOSTAS!). E o governo, na sua morosidade, leva meses para sanar esse problema! Quando escolas, até a presente data, ainda não começaram as aulas devido à não realização de reformas indispensáveis a seu início(reformas essas que deveriam ter sido feitas durante o recesso letivo); ou quando os governantes não repassam as verbas para as escolas, por conta, segundo eles, da burocracia, e elas precisam fazer milagres para manterem-se abertas e funcionando (ESSE É O CASO DA BAHIA NO MOMENTO); ou quando falta a merenda; ou quando professores e alunos precisam trabalhar e estudar, respectivamente, em salas mal iluminadas, sem ventilação, extremamente quentes (no calor nordestino, baiano que conhecemos), e, no período das chuvas, goteiras por todos os lados…Essa lista poderia se estender de forma quase que interminável, mas, nada disso prejudica o aluno! O governo, com seu descaso; a mídia, com seus produtos “de alta qualidade”; a sociedade, com seu consumismo; alguns pais, com sua falta de tempo; NADA DISSO PRENJUDICA O ALUNO! A ÚNICA COISA QUE O FAZ, É GREVE DE PROFESSOR.

Reconquistar nossa auto-estima, auto-respeito, amor-próprio: é o que o professor precisa de forma urgente! Só nós podemos fazer isso por nós mesmos. PRECISAMOS NOS SENTIR, ANTES DE TUDO, DIGNOS DE RESPEITO, PARA SERMOS RESPEITADOS. Precisamos assumir nossas extensas responsabilidades e exigirmos, de igual forma, nossos direitos (até mesmo para termos condições de falar de cidadania para nossos alunos).

Esse texto é, acima de tudo, um convite ao professor para essa reconquista.

Só quando andarmos nas ruas de novo, orgulhosos de nossa profissão, de cabeça erguida, como fazem os médicos, advogados, engenheiros, dentistas… Não teremos mais vergonha, nem medo de fazer greve, de lutar por nossos direitos. E, pela dignidade e auto-respeito que exalaremos NÃO, HAVERÁ NINGUÉM (MÍDIA OU GOVERNANTES) QUE TENHA CORAGEM DE NOS DETRATAR PUBLICAMENTE E DE SENTIREM QUE FAZEM MAIS PELA EDUCAÇÃO DESSE PAÍS DO QUE NÓS, QUE ESTAMOS NAS SALAS DE AULAS DURANTE 200 DIAS, TODOS OS ANOS.

 

              PELEH 

Bravo!

SEPULCROS CAIADOS

Rosângela Góes de Queiroz Figueiredo

Neste momento da História, da qual sou testemunha e protagonista, contrario o conselho do meu amigo Galvão, sábio companheiro para quem o verdadeiro escritor é aquele que vence a tentação de se imiscuir no trivial da política, como objeto de seu texto. Também segundo meu querido amigo, eu ainda não fiz a escolha pela grande Literatura, o registro universal da aventura humana de pensar, de sentir, de refletir e de transcender essa aventura.

Ele tem razão. Talvez torça pela segunda opção como forma de me poupar dos embates da política local, pelo que têm de primitivo, rasteiro, emblemático e sórdido. Mas não resisto à provocação com tanta fartura de situações absurdas a minha volta. Aí minha veia política vai pegar emprestado à Literatura as metáforas que se me apresentam no ar da cidade com a proximidade das eleições municipais. É inevitável, por exemplo, a analogia entre eleições em Valença e Dia de Finados.

O pobre cemitério sujo, coberto de mato e limo é a nossa cidade. Túmulos depredados, vasos quebrados, sem flores… Ruas da amargura, vias inviáveis, homens e mulheres que só existem no ano de eleições. Visitar o alto do Campinho nos outros dias do ano é uma tristeza só. É como caminhar por nossa cidade; do centro à periferia, são os mesmos problemas de cada dia que se repetem sem solução. Mas no dia de Finados… Aí é dia de tudo pintado, cheirando à flor e à vela. Sepulcros areados com sapólio, caminhos sem mato, muita gente e muita vida… Por fora, as cores das convenções e aparências. Por dentro…

Assim como no dia de Finados, os meses que antecedem as eleições para prefeito e vereadores são cheios de eventos festivos tão estranhos ao comum dos dias, tão caiados pela tinta fresca da bem declarada hipocrisia, que já não escondem os sepulcros cheios dos mais imundos despojos do dia-a-dia.

Invariavelmente, o palco da sucessão municipal tem sido uma representação, às vezes bem ensaiada – já se pregou tanto essa peça – outras vezes, um pastelão encenado por velhos e novos canastrões. Um esquema repetido à exaustão, tão previsível quanto as músicas da Banda Calypso, tão carregado na capa de tinta, quanto os velhos sobrados da nova Praça da República e o Teatro Municipal, monumentos símbolos dos sepulcros caiados de Valença.

Depois de tanto ver se repetir esse “esquema”, decididamente já é hora de o eleitor valenciano ter direito a opções menos viciadas. Isso seguramente passa pelo filtro da Lei, que deve se encarregar de banir a impunidade daqueles que foram apanhados pela Justiça Eleitoral ou pela Justiça comum, em crimes de aliciamento do voto pelo poder econômico, ou no de improbidade administrativa, quando no exercício de mandato público.

A festa da Democracia das próximas eleições municipais não passa por candidaturas de infratores da Lei, que permanecem festejando a impunidade à custa do mesmo poder econômico usado e abusado com escárnio às agruras do povo de Valença. Esse estelionato à prática democrática também está representado por aqueles que se promovem à custa de propaganda excessiva paga com o suado recurso público.

Um reboco e algumas demãos de cal, por mais caprichados que sejam, não conseguem esconder os túmulos podres desse esquema em Valença, sem dúvida, o maior responsável pela perpetuação das péssimas condições sócio-econômicas, culturais, ambientais e morais desta terra. E, como diz um outro velho amigo: “Valença não merece mais esse castigo!”

Diante da condição de viver e enfrentar o cotidiano desse absurdo, numa terra em que pouca gente se arrisca a emitir opinião que não seja favorável ao “quartel-general” para não se comprometer ou desagradar os chefes do “esquema”, eu sei que talvez valesse mesmo mais a pena dedicar-me à Literatura. Mas enquanto esta não me arrebata inapelavelmente, não consigo passar indiferente aos túmulos pintados de cal fresca e branquinha sobre a podridão que há dentro deles.

EM VALENÇA NEM TRANQUILIDADE APÓS A MORTE SE TEM

Meus amigos, leiam essa reportagem sobre o cemitério de Valença feita pelo site Ainda Hoje, tirem suas conclusões e, veja se não temos o direito de falar mal desse gestor.

Será que se morrer um ente querido desse prefeito ele terá coragem de enterrar por aqui? Já sabemos de casos de pessoas que não enterraram seus parentes aqui na cidade por causa daquela falta de respeito e enterraram em outras cidades:

cemitério Já imaginou ter que sepultar um parente e ter que passar todo o tempo ao lado de caixões destroçados e com restos mortais? A cena de filme de terror vem acontecendo na cidade de Valença, a 278 km de Salvador, e tem deixado a população revoltada.

De acordo com denuncia enviada ao site Aindahoje.com, restos mortais de pessoas, juntos com destroços de caixões ficam expostos dentro do cemitério de Valença. Quem esteve no local nos últimos dias foi surpreendido com ossos, restos mortais e caixões nos corredores do cemitério.

Segundo Antonio Carlos, que participou de um sepultamento na semana passada, há vários caixões espalhados e com restos mortais. “Na hora do sepultamento, coveiros retiram das gavetas ou covas, os caixões com ossadas e jogam os detritos ao lado, bem próximo da família que está sepultando um ente querido. Os coveiros não esperam nem o término do sepultamento para começar a quebrar as gavetas próximas, temos que suportar os odores e todo o constrangimento em um momento de dor” Afirmou Antonio Carlos.

A retirada dos restos mortais é permitida por lei, desde que seja autorizado pela família ou por ordem judicial.A exumação acontece quando há necessidade da liberação de gavetas de jazigos para novos sepultamentos. Os corpos só podem ser retirados das gavetas após três anos do sepultamento ou dois anos, no caso de crianças com idade até seis anos. Em qualquer caso, porém, deve-se dar destino adequado ao lixo altamente insalubre e não ficar exposto no local. (Ainda Hoje)

ASTRAN E CUT REIVINDICAM MELHORIAS PARA O TRANSPORTE HIDROVIÁRIO DE VALENÇA

trio3 Em audiência mantida na última segunda-feira(16) entre o Presidente da CUT-Bahia, Martiniano Costa; o secretário de Relações Institucionais da Bahia, Cézar Lisboa e o presidente da Associação dos Transportes Marítimos de Valença (ASTRAM), Romilson Muniz, foram discutidos assuntos relacionados ao Terminal Hidroviário de Valença. Romilson Muniz aproveitou a reunião e reivindicou diversas melhorias para o setor em Valença e nos terminais do Baixo Sul.

trio4 Segundo o presidente da CUT-bahia, Martiniano Costa, uma das reivindicações é a reforma imediata do atracadouro, localizado em Valença e a manutenção no terminal do centro da cidade para melhorar o atendimento dos inúmeros turistas que circulam pelo cais do porto, principalmente na alta temporada.

O secretário da SERIN, Cézar Lisboa, se comprometeu em levar ao governador Jaques Wagner a pauta de reivindicações da categoria e afirmou que uma das prioridades do governo é incrementar o setor turístico em todo o Estado. (PT em movimento)

I Encontro Municipal do Partido Trabalhista Cristão em Valença

No ultimo domingo (15), na Câmara Municipal de Valença foi realizado o primeiro Encontro Municipal do Partido Trabalhista Cristão (PTC). O evento contou com as presenças de várias agremiações partidárias representadas por seus presidentes.

Na oportunidade, o presidente da executiva municipal, o S.r. Ademilton Ferreira, destacou em seu pronunciamento a importância da militância do partido para se construir uma trajetória politica, falou ainda sobre a necessidade de construir uma aliança politica que posa tirar Valença do caos social e político em que se encontra, porém enfatizou que para que a mudança aconteça é necessário a renovação politica que terá inicio com um legislativo compromissado com seu povo.

“Para alcançarmos a revolução na politica valenciana, precisamos eleger os nossos representantes ao legislativo municipal”. Afirmou Ademilton, que ainda destacou em seu pronunciamento a importância da juventude e da mulher na no processo político.

Durante o evento ainda foi definido as ultimas discussões sobre a implantação do PTC–Mulher e da Juventude 36 que deve integrar o partido nos próximos dias.

Várias autoridades partidária estiveram no encontro entre eles os pré-candidatos a disputa da prefeitura local como o Zé da Hora do PSDB, Martiniano Costa, do PT e Ricardo Moura do PMDB, além de representantes dos partidos PDT ,PT do B ,PC do B , PV , e o PRB.

PARTIDO TRABALHISTA CRISTÃO- PTC 36.

“Por uma Valença de paz e mais Feliz“