ANDRÉ MENDONÇA ENTROU DE VEZ NO JOGO POLÍTICO

A briga entre André Mendonça e Alexandre de Moraes já deixou de parecer apenas uma divergência entre dois ministros do Supremo. A cada novo capítulo, fica mais difícil não enxergar política no meio dessa confusão.

Agora Mendonça resolveu afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e acabou puxando o governo Lula para dentro de uma guerra da qual o presidente tentava manter distância. A AGU deverá reagir à decisão e, querendo ou não, o governo passa a entrar diretamente no ringue.

E aí vem a pergunta: isso tudo acontece justamente em ano eleitoral por simples coincidência?

André Mendonça foi ministro da Justiça e advogado-geral da União de Jair Bolsonaro antes de ser indicado por ele ao STF. Isso, evidentemente, não significa que toda decisão sua seja automaticamente bolsonarista. Ministro do Supremo tem independência e deve ser julgado pelos seus atos, não por quem o indicou.

Mas política também vive de contexto.

Flávio Bolsonaro e setores da direita abraçaram publicamente Mendonça nessa crise. Ao mesmo tempo, Alexandre de Moraes virou novamente o grande alvo desse grupo. No 7 de Setembro, essa divisão ficou ainda mais evidente.

E Mendonça não atingiu apenas Moraes. Ao afastar o chefe da Polícia Federal, mexeu diretamente numa estrutura subordinada ao governo federal. A confusão atravessou a Praça dos Três Poderes e bateu na porta do Planalto.

É por isso que aliados de Lula enxergam uma armadilha política: se o governo reage, a oposição pode dizer que Lula está defendendo Moraes e interferindo na crise; se fica calado, aceita uma decisão que considera uma interferência na Polícia Federal.

Ou seja: qualquer movimento pode ter custo político.

Agora, uma coisa precisa ficar clara. Se existem suspeitas sobre Alexandre de Moraes no caso Banco Master, elas precisam ser investigadas. Ministro do Supremo não pode receber salvo-conduto. Mas exatamente pelo mesmo motivo, a atuação de André Mendonça também precisa estar sujeita ao escrutínio público.

O problema começa quando ministros deixam a impressão de que estão entrando no campo político.

Supremo não é palanque, toga não é camisa de partido e investigação não pode virar bola numa partida eleitoral.

Porque, quando dois ministros começam uma guerra e cada lado da política escolhe o seu preferido, quem acaba tomando cartão vermelho é a credibilidade do próprio STF.

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