Homem ligado a Vorcaro fala em malas de dinheiro e repasses para filme sobre Bolsonaro

A cada nova revelação sobre o escândalo do Banco Master, o caso fica mais complicado. Agora, o empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, afirmou em delação premiada que conseguia e transportava grandes quantidades de dinheiro vivo a mando do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo o relato apresentado à Procuradoria-Geral da República (PGR), Vorcaro transferia dinheiro ou bens para empresas de Mineiro. Depois, outros operadores transformavam esses valores em dinheiro vivo, cobrando uma comissão de 4%. Como a quantidade de notas era grande, o dinheiro seria colocado em malas e entregue ao ex-dono do Banco Master.

Mineiro também afirmou que uma de suas empresas enviou recursos ao Havengate Development Fund, fundo localizado nos Estados Unidos e usado para financiar “Dark Horse”, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Traduzindo para uma linguagem bem simples: o dinheiro saía de empresas ligadas ao grupo, passava por intermediários, virava dinheiro vivo ou era enviado para fora do país. Agora, os investigadores querem descobrir de onde vieram os recursos, para quem foram entregues e qual foi a verdadeira finalidade dessas operações.

O empresário disse que não sabia o destino final dado por Vorcaro ao dinheiro transportado nas malas. Também não está esclarecido se os valores enviados aos Estados Unidos foram destinados ao filme ou a alguma pessoa ligada à família Bolsonaro.

A Polícia Federal já havia apontado que a empresa Entre Investimentos e Participações, pertencente a Mineiro, funcionaria como uma espécie de braço operacional de Vorcaro. A delação poderá ajudar os investigadores a identificar quando, por que e para quem o ex-banqueiro teria solicitado dinheiro em espécie.

O acordo foi fechado com a PGR e enviado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que ainda precisa decidir sobre sua validação. A defesa de Mineiro não se manifestou. Já a defesa de Vorcaro afirmou que ainda não teve acesso à proposta de delação e que desconhece o assunto.

Por enquanto, são declarações feitas por um colaborador e ainda precisam ser comprovadas. Mas uma coisa é certa: quando começam a aparecer malas de dinheiro numa investigação, o povo quer saber quem colocou, quem carregou e, principalmente, quem recebeu.

*Com informações da [Folha de S.Paulo]

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