Fogos de estampido: quando quem tem influência também tem responsabilidade

Os fogos de estampido que todos os anos marcam a Festa de São Pedro não causam sofrimento apenas às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Eles também afetam idosos, bebês, pessoas com hipersensibilidade sensorial, animais domésticos e tantas outras famílias que vivem momentos de verdadeira angústia durante as explosões.

E é justamente por isso que faço um apelo público ao deputado federal Raimundo Costa.

O deputado sempre teve uma ligação muito forte com a Festa de São Pedro. Desde os tempos em que ainda era vereador, tornou-se uma das principais lideranças políticas associadas ao evento, que ao longo dos anos deixou de ser apenas uma celebração religiosa dos pescadores para se transformar em uma grande festa popular.

Quem possui influência também possui responsabilidade. Não significa que o deputado seja o único responsável pelas decisões da festa, mas significa que sua voz tem peso suficiente para abrir um diálogo com os organizadores e defender uma mudança que preserve a tradição sem provocar sofrimento.

Ninguém está pedindo o fim da Festa de São Pedro. Também não se pretende acabar com a alegria da população. O que se pede é algo muito simples: substituir os fogos de estampido por fogos de efeito visual ou outras formas de celebração que não espalhem medo, dor e desespero entre tantas famílias.

É difícil compreender como ainda se gastam quantias consideráveis com bombas de alto estampido quando esse dinheiro poderia ajudar projetos sociais, apoiar entidades que atendem crianças especiais ou fortalecer outras ações em benefício da própria comunidade.

O sofrimento existe. É real. Pais de crianças autistas passam horas tentando acalmar seus filhos. Idosos entram em estado de ansiedade. Animais fogem de casa, se machucam e, em alguns casos, até morrem em consequência do pânico causado pelos estampidos.

Se o deputado realmente tem carinho por essa festa e respeito pelas famílias da cidade, este é um momento oportuno para usar sua influência em favor de uma mudança que não tira a tradição, apenas elimina o sofrimento desnecessário.

Na política, gestos também falam. A sensibilidade diante de uma causa tão humana certamente será observada pela população. Os eleitores costumam reconhecer quem escolhe ouvir a comunidade e agir quando ainda há tempo de fazer a diferença.

A tradição pode continuar. O sofrimento, esse sim, pode e deve terminar.

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