Tinha um paredão para cada eleitor: barulho não ganha eleição, só tira o sossego do povo

Ciro Pimentel acalenta a sua neta por causa do barulho dos paredões
Por Pelegrini
Mais uma vez ficou a lição: barulheira, foguetório e oba-oba não se transformam automaticamente em voto. Se eleição fosse decidida no volume do som, os bolsonaristas que percorreram Valença no último dia 24 já poderiam ter encomendado a faixa. Parecia que tinha um paredão para cada eleitor!
Mas, enquanto aquele cortejo avançava lentamente pelas ruas, havia famílias dentro de casa contando os minutos para recuperar o sossego. O que para uns era festa, para outros era sofrimento.
Crianças assustadas, idosos incomodados e pessoas com sensibilidade auditiva submetidas a uma barulheira ensurdecedora. Quem estava dentro de casa também foi obrigado a participar daquele ato político, pelo ouvido, sem convite e sem direito de recusar.
Vi um vídeo do jornalista Ciro Pimentel com a netinha no ombro, chorando aos prantos. Uma criança não precisa ser autista ou ter sensibilidade auditiva para sofrer com tamanho exagero. Agora, imaginem o que aquilo representa para quem tem.
Aqui em casa, senti essa aflição de perto. Meu netinho é autista. Dentro do quarto, tentei tapar as frestas da porta com panos, procurando alguma maneira de impedir a entrada daquele barulho. Não adiantava. O som atravessava tudo.
É uma sensação terrível: você vê o sofrimento de quem ama, tenta proteger e se sente impotente dentro da própria casa. Para quem comandava a festa, talvez fosse apenas mais uma música. Para nós, era uma agonia que parecia não acabar.
Não escrevi no dia da barulheira. Também não fiz esse registro no dia seguinte. Esperei passar a eleição para deixar aqui minha indignação. E confesso: vendo aquele exagero, cheguei a pensar no que aconteceria se eles ganhassem. Se aquilo já estava daquele tamanho antes do resultado, como seria a comemoração?
Votei em Lula, fiquei feliz com sua vitória e agradeci a Deus. Mas a alegria com o resultado não apaga o que passamos nem dispensa esse registro.
Cada um tem o direito de defender seu candidato, carregar sua bandeira e comemorar. Esse direito precisa conviver com o descanso dos idosos, a tranquilidade das crianças e o bem-estar das pessoas autistas. A rua passa pela porta de muita gente que também merece respeito.
Que fique a lição para as próximas campanhas, seja qual for o partido: antes de aumentar o volume, pensem em quem está dentro de casa tentando proteger um filho ou um neto.
Porque voto se conquista. O ouvido dos outros não é urna para ninguém despejar propaganda.




Concordo plenamente com sua matéria Ipssis literis, você matou a charada !
Os pobres de direta eles chamam de "desgraçados, miseráveis, ingratos, etc.etc." os empreendedores eles chamam de "burgês opressor, ceo de…
Parabéns Clóvis! Te conheço e sempre elogiei seu trabalho, mas nas andanças políticas tem dessas coisas e você não foi…
Realmente Rafa de Hildécio tem se destacado politicamente a nível Federal e Estadual contra seu próprio pai e financiador da…
Lindbergh como referencia é o fim da picada mesmo. rs