Quando um vereador escolhe defender a empresa em vez do povo

O debate realizado na sessão da Câmara de Vereadores desta terça-feira (14) me deixou bastante indignado. Uma fala do vereador Pó da Pesca chamou minha atenção pelo direcionamento que deu à discussão sobre um tema que envolve direitos garantidos por lei.

Pelo que foi possível entender, o vereador saiu em defesa da empresa de transporte ao afirmar que estudantes e idosos estariam “brincando” de viajar entre Valença e o Guaibim apenas porque os estudantes pagam meia passagem e os idosos têm direito à gratuidade prevista na Constituição. Segundo ele, esse comportamento estaria causando prejuízos à empresa.

A discussão acontece porque, na próxima semana, a Câmara deverá analisar um projeto que recebeu uma emenda apresentada por quatro vereadores, justamente para reforçar a defesa dos direitos dos estudantes e dos idosos. Caberá aos demais parlamentares decidir se ficam ao lado da população ou se acompanham outro entendimento.

Antes mesmo da votação, porém, o vereador Pó da Pesca já resolveu direcionar suas críticas aos próprios usuários do transporte coletivo, insinuando que muita gente fica apenas passeando de ônibus, subindo e descendo sem necessidade, como se estivesse abusando do benefício.

O que ficou de fora do discurso foi um detalhe importante: a empresa recebe um subsídio da Prefeitura de aproximadamente R$ 252 mil por mês para operar no município. Esse recurso público existe justamente para ajudar na manutenção do serviço e reduzir o impacto financeiro da operação.

Diante disso, fica difícil aceitar que estudantes e idosos, que apenas exercem direitos assegurados por lei, sejam tratados como responsáveis por eventuais dificuldades da empresa. Se alguém merece prioridade na defesa dos vereadores, é a população que paga impostos e espera ser respeitada.

O papel de um vereador é fiscalizar, cobrar melhorias e defender os interesses dos cidadãos. Criticar idosos e estudantes por utilizarem um benefício garantido em lei parece inverter completamente essa lógica.

Quem ocupa um mandato popular deve lembrar sempre de quem o colocou naquela cadeira: o povo. E é esse povo que espera ser defendido quando seus direitos são colocados em debate.

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