ENTRE O SENSACIONALISMO E OS FATOS: MORRO DE SÃO PAULO NÃO SE ANALISA POR “IMPRESSÃO PESSOAL”

Por Alcides Bulhões*

Nos últimos dias, circulou nas redes sociais uma publicação afirmando que o Morro de São Paulo estaria “vazio”, inclusive em pleno verão e Carnaval, atribuindo essa situação à Tarifa de Uso do Patrimônio (TUPA). A narrativa chama atenção pelo tom dramático — mas carece de fundamento técnico e estatístico.

A análise apresentada se apoia exclusivamente em percepção individual, em um recorte visual momentâneo, transformado em conclusão generalizada. Trata-se de típico exemplo de enxerto opinativo: um olhar próprio, não comprovado por dados oficiais, elevado à condição de verdade absoluta.

Mas turismo não se mede por fotografia isolada nem por horário específico. Mede-se por fluxo consolidado, por números acumulados, por indicadores objetivos.

E os dados demonstram que, nos últimos anos, houve aumento no número de visitantes, inclusive após a consolidação da TUPA. Sistemas de monitoramento e controle de acesso registram crescimento no fluxo turístico e manutenção da atratividade do destino.

DADOS OBJETIVOS CONTRA NARRATIVAS EMOCIONAIS

É natural que redes sociais favoreçam discursos de impacto. O problema surge quando a busca por engajamento substitui a responsabilidade com a informação.

Afirmar que a cidade está vazia por causa da tarifa ignora:
• o histórico recente de crescimento do turismo;
• os índices de ocupação em períodos de alta estação;
• o caráter sazonal e dinâmico do fluxo turístico;
• e, sobretudo, a função estrutural da própria tarifa.

Sem comprovação numérica, a crítica torna-se mera opinião — legítima como expressão individual, mas insuficiente como diagnóstico coletivo.

A TUPA COMO INSTRUMENTO DE EQUILÍBRIO

A TUPA não foi criada para restringir visitantes, mas para administrar impactos. Morro de São Paulo é destino de grande apelo e sofre, naturalmente, com:
• aumento expressivo da geração de resíduos sólidos;
• pressão sobre a limpeza urbana;
• desgaste da infraestrutura pública;
• necessidade constante de manutenção ambiental.

Os recursos arrecadados são essenciais para custear essa sobrecarga. Sem eles, o custo recairia exclusivamente sobre os moradores ou sobre um orçamento municipal já limitado.

O debate é legítimo. O sensacionalismo, não.

CONCLUSÃO

O Morro de São Paulo não pode ser reduzido a uma narrativa construída a partir de percepção isolada. Políticas públicas devem ser avaliadas por dados, resultados e sustentabilidade de longo prazo.

Criticar é parte da democracia. Mas criticar com base em impressão pessoal, desprovida de números e contexto, não contribui para o debate sério.

Os fatos permanecem: o destino segue relevante, o fluxo turístico se mantém consistente e a TUPA cumpre papel essencial na preservação da infraestrutura que sustenta a própria atividade turística.

Entre a emoção e a evidência, os números continuam sendo o melhor argumento.

*Alcides Bulhões é advogado e criador da TUPA

Você pode gostar...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *