Pescadores dão aula de organização e cobram de Lula solução para o seguro-defeso

Não foi baderna, não foi bagunça e muito menos desinformação. O que se viu em Valença e em outros municípios do Baixo Sul foi uma aula de organização, consciência social e maturidade política dada pelos pescadores e marisqueiras.

A manifestação desta sexta-feira teve endereço certo: o Governo Federal. E o recado foi claro como água de maré cheia. O problema do seguro-defeso não está no Ministério do Trabalho, como muita gente anda espalhando, mas sim no seguro ligado ao INSS, que ficou sem orçamento durante 2025 depois daquela confusão da MP que quase travou tudo.

Para quem tenta embolar o assunto, os pescadores explicaram direitinho: existem dois seguros-defeso.
Um é o do Ministério do Trabalho, que vai começar a ser pago a partir do dia 15 de fevereiro, mesmo atrasado.

O outro é o do INSS, que é justamente o mais antigo, de novembro para trás, e esse ficou descoberto porque o governo simplesmente não reservou dinheiro no orçamento.

Foi por isso que o protesto aconteceu. E aconteceu bonito.

Em Valença, os próprios manifestantes combinaram horário, avisaram os motoristas, travaram as duas pistas e deixaram claro: “cinco para as nove a gente libera”. E liberaram mesmo. Nem um minuto a mais. Quando o relógio bateu, o pessoal abriu a pista, recebeu aplausos de quem passava e cada um seguiu seu caminho.

Sem gritaria desnecessária. Sem confusão. Só para chamar atenção.

A mobilização reuniu pescadores de Valença, Cairu, Nilo Peçanha, Ituberá e Taperoá, e não foi só aqui. A manifestação aconteceu em toda a Bahia, envolvendo colônias de pescadores em diversos municípios no mesmo dia.

O alvo das reivindicações foi direto: Lula. As faixas e palavras de ordem pediam solução imediata para o seguro-defeso. E o curioso é que ninguém ali estava atacando o presidente. Pelo contrário. Muitos diziam:
“Todo mundo aqui é Lula”.

O que eles querem não é briga política, é resposta.

E teve uma cena que diz muito sobre o nível desse movimento. Um sujeito passou provocando:
“Cadê Raimundo Costa?”

A resposta veio na lata, com uma lucidez que muita gente engravatada não tem:
“Ele luta lá e a gente luta cá. Ele tá lutando lá, mas precisa da nossa força para pressionar.”

Isso não é discurso vazio, é consciência coletiva, é visão de associação, de cooperativa, de quem entende que direito não cai do céu, se conquista.

No fim, tudo terminou como começou: de forma pacífica, organizada e com objetivo cumprido. Cinco para as nove, pista liberada, manifestação encerrada e todo mundo foi embora.

Agora a bola está com Brasília. Porque quando quem vive do mar parar para protestar, não é por capricho. É porque a rede está vazia e a conta não espera.

Você pode gostar...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *