Categoria: Política

PIMENTA NOS OLHOS DOS OUTROS É RFRESCO

Por: Lina/FACOM

Esse tipo de pronunciamento (VEREADOR CONFERE DE PERTO REDUTO DE BANDIDOS…) me dá náuseas… Homem queixoso não entra na política. Quem deve entrar na política é quem sente as necessidades do povo e se compromete com elas. Esse vereador quer o que, PELAMORDEDEUS? Em Valença NÃO EXISTEM POLÍTICAS PÚBLICAS que priorizem o lazer, o esporte, a educação. Não existe planejamento para jovens em situação de risco, não existe parceria prefeitura/escola/comunidade com um discurso e ação uníssonas… NÃO EXISTE UM PROGRAMA DE ERRADICAÇÃO DA VIOLÊNCIA E QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL COM ESCOLAS TÉCNICAS…Depois ele vem com esse discurso demagogo se vitimando… Vítima é o povo que votou nessa turma de inoperante… Vítima é a senhora que foi pedir água em sua sorveteria e demais que estavam na lanchonete na Praça da República e foram surpreendidos com um bandido dando tiro em pleno domingo de tarde e que apesar do susto, ainda fez o papel de polícia e prendeu o cidadão que era reincidente da penitenciária.

Cadê a SEGURANÇA PÚBLICA? Estava de férias? Recesso? De folga no domingo? Ou sem dinheiro pra botar combustível no veículo policial? O contingente deve ter acompanhado o Vereador Regi ao Porto da Embira, também é uma possibilidade!

Não costumo desejar mal físico as pessoas, mas se uma bala perdida pegasse no dedo mindinho de um desses poderosos, o referido bandido não estaria vivo pra contar a história… Como diz a bisa de Mille: “PIMENTA NOS OLHOS É REFRESCO!”

Sinceramente não desejo que essa situação extremosa aconteça, mas não tenho dúvida, se ela chegasse a acontecer, teríamos resultados efetivos.

Depois que o filho do Prefeito foi seqüestrado, nunca mais tivemos seqüestro em Valença, isso é um fato inegável! Trágico, mas inegável!

Pelegrini, estava morrendo de saudade, inclusive de deixar minhas belas madeixas loiras à solta… Não agüentava mais aquele véu!

————————–POLÍTICOS DESONESTOS, SUAS FÉRIAS ACABARAM, A FACOM VOLTOU COM UMA FORÇA EXTRA!

CARTA ABERTA AO PRESIDENTE DA CÂMARA

 bertolino de jesus Excelentíssimo Senhor Presidente da Câmara Municipal de Vereadores de Valença,

Senhor Bertolino de Jesus:

Venho através desta carta sugerir ao nobre vereador que disponibilize os áudios das sessões da Câmara no site dessa casa após às sessões. Isto facilitará para muitas pessoas que não tem condições de ir até o plenário participar ao vivo e possam ouvir através do áudio no site, que é o meu caso, pois após minhas atividades interna da  minha sorveteria tenho que continuar tomando conta do meu estabelecimento após os funcionários cumprirem seus horários o que me tira o desejo de ir assistir às sessões dos nobres parlamentares.

Acredito que com a competência que o senhor conduz os trabalhos dessa casa, com certeza sabe da importância de nós cidadãos de estarmos a par das propostas dos nossos vereadores. Sabendo da importância que o senhor representa para nossa cidade, tenho certeza que o nobre vereador me dará uma resposta positiva o mais breve possível.

Saudações,

Washington Luiz Pelegrini
Administrador do blog

ONDE ESTÁ O DINHEIRO DE VALENÇA?

DINHEIRO VOANDO A última vez que informamos os repasses do governo para o nosso município estava em R$ 6.457.827,00 e hoje já somam R$ 6.655.514,26, isto quer dizer que já recebemos mais R$ 197.687, 26 e continuamos a perguntar: Onde está o dinheiro? Ninguém vê o gestor fazer nada. A cidade continua esburacada, suja, ruas escuras e o cinismo solto.

Vamos reconhecer: ontem limparam a selva nos meios-fios de nossa rua.

PREFEITA DE CAMAMU SE REÚNE COM OTTO ALENCAR

A prefeita de Camamu (BA) Ioná Queiroz, junto ao deputado estadual Rosemberg Pinto, se reuniu nesta segunda-feira (21) com o vice-governador da Bahia, Otto Alencar, que é o gestor da Secretaria de Infraestrutura do Estado (SEINFRA). O objetivo do encontro foi solicitar a finalização e liberação de projetos que são de extrema importância para o município e a população de Camamu. Entre os pleitos estão inclusas as construções de um anel rodoviário, da estrada de Barcelos do Sul (distrito) e de um Terminal Rodoviário.

Na ocasião diversos posicionamentos foram obtidos. No que se refere ao anel rodoviário, a prefeita e o deputado foram informados de que o projeto está sendo finalizado para que o estado junto ao município possam iniciar a captação de recursos. Quanto à estrada de Barcelos do Sul, o projeto já está elaborado e falta apenas a liberação da Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração da Bahia (SICM) para que processo licitatório seja iniciado. E, um técnico do Derba será encaminhado à Camamu no início de março, para averiguar qual é o espaço mais adequado para a construção da Rodoviária.

Além dos projetos que já estão em andamento, Ioná Queiroz fez novos pleitos. Ela solicitou ao Superintendente de Energia e Comunicações da Bahia, Silvano Ragno, a iluminação para a ponte da estrada Camamu-Itacaré, que por causa do escuro tem sido um local de frequentes acidentes. “Estou buscando melhorias para a população e a cidade. É esse o meu papel como gestora de um município tão importante para a Bahia. Já saio daqui me sentindo vitoriosa e vou ficar mais feliz ainda quando as obras começarem a ser executadas”.

Rosemberg Pinto por sua vez, ressaltou que pretende criar todas as condições possíveis para que a prefeita Ioná Queiroz possa dar continuidade aos programas e projetos estruturantes que contribuem para a melhoria da vida dos cidadãos.

Vanessa Dantas

ASCOM – PM/CAMAMU

VEREADOR BERTOLINO ELOGIA PREFEITO DE CAIRU

                                  Foto: Câmara de Municipal de Cairubertolino em cairu O vereador Bertolino de Jesus, na última sexta-feira (18), fez um pronunciamento na abertura dos Trabalhos Legislativos da Câmara de Cairu, expressando a  admiração pelo prefeito Hildécio Meireles e elogiando sua atenção aos edis daquela localidade: “Vereador gosta mesmo é da atenção do prefeito, na conquista diária de benefícios para suas bases correligionárias”. “Vejo todos os edis expressando a mesma satisfação com o prefeito do município. Hildécio Meireles é uma pessoa íntegra, honesta e educada, que engrandece os vereadores desta Casa do Povo, que se sentem valorizados e se dirigem à mesma trincheira”. “Em 2014, já vejo saindo desta cidade linda e pequeninha uma grata surpresa para representar a nossa região, tão carente de uma voz autêntica a ecoar os clamores de nós todos lá na Assembléia Legislativa”.

Muito bem vereador! Suas palavras foram dignas de serem reproduzidas em nosso blog. Sabemos que o senhor fala verdadeiramente, do fundo do seu coração. Afinal todos nós achamos e pensamos também como o senhor. Uma pena que não possa repetir essas mesmas palavras com o prefeito de Valença, porque aqui o alcaide não é ruim só com vereadores, mas com toda a população.

VEREADOR CONFERE DE PERTO REDUTO DE BANDIDOS E FICA ESPANTADO

                                   Foto: Câmara Municipal de ValençaREGINALDO ARAUJO PORTO DE IMBIRA O vereador Reginaldo Araújo anda espantado com a violência em Valença. Em uma sessão da Câmara Municipal o vereador disse que visitou um dos locais mais violentos da cidade, Porto de Embira, e falou: Fui muito bem tratado no local, mas fiquei espantado com a situação. São crianças e jovens com armas na cintura. Existem muitas famílias de bem, mas que infelizmente estão sendo dominadas pela bandidagem. Bandidos estão sendo fabricados. E o que parece é que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) foi feito para países de primeiro mundo, não para o Brasil. É necessário que ele seja revisto de imediato. Muitas vezes os policiais não conseguem trabalhar direito devido a ameaças dos jovens criminosos”.

O vereador ressaltou: Sabemos que a segurança pública em Valença tem beirado o caos. Se não fizermos ações preventivas a situação vai se agravar”.

É isso aí vereador temos que arregaçar as mangas e tomar providências quanto a essas questões. Valença está entregue aos bandidos e vermes. Vermes da corrupção, da sabedoria para o mal, da ganância, do autoritarismo, da mesquinhez vingativa.

Mensagem do Prefeito Hildécio Meireles marca reabertura dos trabalhos da Câmara de Cairu

abertura da câmara de cairu A Câmara Vereadores de Cairu iniciou os trabalhos legislativos de 2011 nesta sexta-feira (18/02) tendo como destaque a leitura da mensagem do Poder Executivo pelo Prefeito Hildécio Meireles. Além das principais ações a serem desenvolvidas durante o decorrer do ano o Prefeito destacou a importância da harmonia entre o Poder Legislativo e o Executivo, juntamente com o Poder Judiciário, para que a democracia seja resguardada.

HM também externou sua satisfação pela certeza de que todas as mensagens por ele proferidas em anos anteriores, e já se vão sete pronunciamentos consecutivos, se transformaram em ações concretas.

O Prefeito fez um balanço das principais realizações de sua gestão, entre elas destacam-se: implantação do Programa Cheque Solidário que já atende 2100 beneficiários;implantação do Programa Bolsa Universitária;implantação do PROINFRA –Programa Municipal de Infraestrutura – que tem promovido a melhoria da infraesturura nos aparelhos de uso comum como praças,avenidas,ruas e caminhos em todas as localidades do município;realização de obras de contenção e drenagem no Bairro Nossa senhora da Luz no Morro de São Paulo,na Rua Nilo Peçanha na Sede e a construção do cais de proteção em São Sebastião;abertura de licitação para conclusão da recuperação da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário que deverá ser entregue à população no final do ano; a aquisição de ambulâncias com recursos próprios,implementação do serviço de emergência através de lanchas-rápidas em todas as localidades, aumento do número de médicos e de especialidades clinicas em todas as comunidades,garantia de transporte para a realização de exames especializados,distribuição de medicamentos e a implantação da CAPAC –Casa de Apoio ao Paciente de Cairu;a construção dos Colégios Modelos de Boipeba e Gamboa,negociação para a construção do Colégio Modelo de Morro de São Paulo,aparelhamento e reformas das escolas existentes;capacitação dos servidores municipais, modernização das instalações e equipamentos de todos os setores administrativos;realização de estudos e planejamentos para implantação da Casa de Passagem de Cairu para atender e abrigar os jovens em situação de risco;implantação de novas escolinhas de futebol e ampliação dos serviços oferecidos pelos núcleos do CRAS.

Em seguida o Prefeito Hildécio Meireles anunciou os principais investimentos para o ano de 2011.”As obras do PROINFRA terão andamento ou serão reiniciadas com investimentos na ordem de R$ 15 milhões para contemplar obras de pavimentação,contenção de encostas,escadarias,entre outras.Investiremos ainda na construção de praças de esporte,inclusive na construção de um novo complexo esportivo na cidade de Cairu compreendendo ginásio de esportes,campo de futebol e piscina”, enfatizou o Prefeito.

Entre as importantes ações a serem realizadas HM ressaltou ainda: implantação das novas unidades de saúde de Boipeba e Gamboa;inicio da construção do Colégio Modelo de Morro de São Paulo; investimentos no Programa PROPESCA com a distribuição de 40 motores de rabeta ,construção da unidade de beneficiamento de pescado no Galeão e em demais localidades; construção em parceria com a Caixa Econômica de 132 unidades habitacionais, sendo 102 em um novo bairro com completa infraestrutura – rede de água e esgotamento sanitário,energia elétrica e ruas pavimentadas.

Hildécio Meireles também passou às mãos do Presidente da Câmara,vereador Igor, para apreciação dos edis ,o Projeto de Lei do “Programa Minha Casa,Meu Lar”. O novo programa habitacional do município prevê melhorias nas casas daqueles que mais necessitam.

São iniciativas como esta da gestão municipal, originais e que buscam valorizar os habitantes de Cairu ,que fazem deste município único um lugar cada vez melhor de se viver.

Jamille Soares
Assessora de comunicação/PMC

O poder revela muito mais do que cria ou deforma

Em entrevista ao Estadão, FHC diz que Lula gostava de aplauso e Dilma é uma técnica que subiu na base do jogo que está aí

fhc no estadão O Brasil estreia no quesito mulher-presidente. Dilma exercerá o poder de maneira diferente se comparada a um homem? Como é sair do poder? Lula tem deixado claro que não está nada fácil adaptar-se à nova rotina. “É como se você estivesse dirigindo a 300 por hora, desse um cavalo de pau e, de repente, o carro parasse no meio da estrada”, declarou ele ao amigo Ricardo Kotscho, semana passada. Depois de anos, como se diz em Brasília, sem precisar tocar em uma maçaneta, o ex-presidente volta agora para lugares e pessoas que já fizeram parte do seu dia a dia. Traz sua transformação pessoal para um ambiente onde, provavelmente, muito pouco mudou.

Lula optou por não se afastar do País. Quando deixou o poder, Fernando Henrique Cardoso, acompanhado de dona Ruth, decidiu sumir do Brasil e escolheu a França para passar três meses. Ali se habituou novamente a comprar jornal, fazer café, andar nas ruas e pegar metrô. Mesmo assim, segundo admite, a passagem é complicada.

FHC recebeu a coluna, na tarde de quarta-feira, para falar sobre poder na condição de ex-presidente e sociólogo. O poder corrompe ou revela o caráter de uma pessoa? Para o intelectual, ele “mais revela” do que transforma. Ou seja, para FHC, a ocasião não faz o ladrão. Aqui vão os principais trechos da conversa.

Qual a diferença entre o poder exercido por uma mulher e por um homem?

Depende. Se a mulher sobe com esta característica, porque é mulher e lutou, é uma coisa. Se sobe porque competiu com outros homens e mulheres de igual para igual, é outra. Ela fica mais dura. No caso atual, a presidente Dilma nunca foi feminista, nunca se apresentou como tal. Nem é uma política. É uma técnica que subiu na base do jogo que aí está. Portanto, não sei se haverá diferença.

Mas ela é mulher. E mulheres são diferentes. O comando de Dilma terá qual componente feminino?

Vamos ver. Ela chegou lá pelas virtudes da profissão, da política, da coisa de tecnicalidade e não pelas características de personalidade. Então, não sei se esse lado da mulher adjetiva vai florescer.

Para se ter poder é necessário, de fato, aparentar poder?

Em geral, sim, mas não necessariamente. Muitas vezes você tem que disfarçar o poder para exercê-lo. A tradição brasileira é muito mais de disfarçar do que de aparentar. Getúlio fazia, por exemplo, dizia que ia fazer algo e ia para um outro lado. Acho que, em geral, quem tem consciência do poder não vai exibi-lo. Ao exibir, abre o jogo e cria o contra corpo.

Lula exerceu o poder por meio da popularidade?

Ele parecia gostar da exterioridade do poder muito mais do que da eficácia de uma decisão. Gostava do aplauso. É uma forma de exercer o poder. Mas nunca vi no Lula um homem de Estado, um poder no sentido mais forte, daquele que tem visão, sabe que tem que alcançar seus objetivos e constrói o caminho. Ele construiu o poder para si mesmo.

Ele não tinha um projeto para o Brasil?

O que tinha, esqueceu no caminho. Adotou o que existia, não o que ele havia proposto. Até me pareceu interessante o Lula no Fórum Social no Senegal, que é o fórum contra a globalização. Ora, o Lula foi o presidente que mais ajudou o Brasil a se globalizar. Aderiu inteiramente. Eu não estou criticando por ele ter feito a adesão. Estou criticando a mudança, essa inconsistência. Ele não tinha um propósito. Este já havia sido dado pela sociedade. Ele assumiu aquilo e como que surfou na direção que a sociedade estava apontando. Não contrariou para mostrar que tinha um objetivo e a força de mudar algo em curso para chegar ao seu objetivo.

No mundo, as pessoas hoje pensam mais no poder do que em um projeto de Nação?

Vamos pegar o que aconteceu nos Estados Unidos no século 18. Bem ou mal, aqueles líderes definiram um caminho, criaram a declaração universal da democracia, a Constituição americana, adotaram as concepções de Montesquieu e por aí foram. Tinham uma visão de futuro e aquilo marcou tudo. Mesmo um tipo como Napoleão, que é o oposto da coisa americana. Aqui, José Bonifácio tinha essa percepção e sabia o que queria. D. Pedro II, se não tinha uma visão, alguma ideia ele tinha de que tinha que civilizar isso aqui. Eu acho que alguns presidentes brasileiros tiveram, como o Getúlio: você pode não concordar com a visão dele, mas ele tinha noção de Estado herdada dos positivistas, autoritária e tal. Alguns tiveram uma certa noção, desenharam o que era possível para o País, mesmo que não tivessem uma coisa tão fundamental como os grandes pensadores americanos.

Obama tinha um projeto quando se elegeu?

Não. O Obama tinha um discurso: “Sim, nós podemos”. Podemos o quê? Nesse aspecto, ele tem uma certa semelhança com o Lula, porque os dois simbolizavam alguma coisa. Não é que tivessem que ter uma proposta. Eles próprios já simbolizavam mais democratização: venho de baixo e chego lá, sou negro e chego lá. Aquele discurso admirável do Obama sobre racismo é uma coisa grandiosa. Mas não é um projeto de Nação. Ele também chegou lá e fez uma tentativa de melhorar o bem-estar da população com seu projeto de saúde. Conseguiu mais ou menos, não tudo que queria. E ficou perdido por isso, passou a ter que resolver os problemas deixados por outros. Ou seja, como enfrentar a crise do capitalismo com os instrumentos disponíveis? Daí por diante, inundou o mundo de dólares, salvou os bancos. Não creio que fosse projeto dele. Foi engolfado pela situação.

O senhor acha que Dilma assumiu o poder com um projeto?

Acho que não. Ela nunca falou à Nação sobre isso. Vai tocando no dia a dia. Qual é o projeto? O que está bem, que continue. Acabar com a pobreza, todos nós dissemos isso e todos nós fizemos um pouco nessa direção. Não só eu, antes de mim também o Itamar, o Sarney, os militares. Isso não é um projeto de Nação: é uma necessidade. Não podemos ter um País com esse grau de pobreza. Nesse momento em que ninguém pode mais ter um projeto desligado do mundo, visto que o grande problema hoje é ligado à globalização, não dá para você ter um caminho que não incida e sofra as consequências do mundo. Temos que discutir estratégias.

Em entrevista à Globo News, o senhor definiu o poder como duro, difícil e sofrido. Qual é o real poder de um presidente no Brasil?

É o de convencimento. Ele tem de convencer o País e o Congresso a ir num certo rumo. Caso contrário, as forças constituídas não mudam nada, ficam repetindo o que elas são. Para exercer de fato o poder no sentido pleno, ao exercê-lo, ele tem que mudar as coisas numa determinada direção. Fora disso, não consegue. A sociedade tem que cobrar mais. O que a sociedade quer? Se o presidente tiver visão das coisas, ele pode até capitanear a mudança, mas ela nunca é dada só pela vontade do presidente. Ela capota diante das instituições e da tradição do que está estabelecido.

Existe uma versão “criminalizadora” da política e do poder, sugerindo que pessoas boas entram na política e aí se tornam más e corruptas. Poder corrompe ou revela o caráter?

Mais revela. É claro que o poder absoluto dá mais chances aos mais fracos de ficarem maus. Veja, vamos falar português claro: uma pessoa que tem posição de mando (não precisa ser presidente) tem enormes possibilidades de enriquecer. Ele tem informações e pode usá-las. O que freia isso, o que inibe? É você mesmo. Quando você não o faz, é você mesmo que deixa de fazê-lo. Não é que o poder está impedindo. Então, acho que poder revela muito mais do que cria ou deforma. É claro que a permanência no poder deforma, porque essas chances vão se repetindo, repetindo… e aí chega um momento em que o risco de você incorrer em erro é maior.

Vou lembrar a frase de que o poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente. Antes de corromper, o poder não deslumbra?

A muita gente, sim. Vou falar em termos pessoais: eu nunca me deslumbrei.

Quem o conhece, diz que o senhor era uma pessoa antes de assumir o poder, a mesma pessoa durante e a mesma quando saiu. Mas dentro do senhor, o que mudou no exercício do poder?

Dentro muda. Você vê que as coisas são muito mais difíceis do que você pensava. Você vê que a ambição humana é muito maior do que imagina. Pessoas que são próximas, e você nunca vislumbrou a possibilidade de elas terem uma ambição desproporcional, pedem a você o que não devem pedir. O poder dá uma percepção talvez mais realista do ser humano.

Como isso mudou o senhor como pessoa?

Talvez endureça um pouco, porque você desconfia, a pessoa vai te procurar e você pensa: “O que será que ela quer?”. Em vez de partir do princípio de que não quer nada que seja negativo. Começa a ficar com um pé atrás, fica esperto, astuto para o mal que possa vir. Mal no sentido do inapropriado. A Ruth pesou muito também no meu estilo, porque era muito direta, muito simples, sempre teve horror de ostentação de poder e dessas coisas. Minha família não ficou deslumbrada. Até hoje, quem são os meus amigos mais próximos? São os da universidade, que eu já tinha antes. Com quem eu convivo? Com as pessoas que sempre convivi. É claro que acrescentei, mas nunca mudei de grupo, de camada, de círculo.

Quando o senhor saiu do poder, teve síndrome de abstinência?

Não, não tive. E tomamos uma resolução, Ruth e eu. Imediatamente saímos do Brasil. Por três meses ficamos na França e tomamos decisões claras: não vamos ter automóvel, segurança, assessores. Vinha um rapaz da embaixada brasileira uma ou duas vezes por semana trazer correspondência e conversar. Andei de metrô. Fiz isso logo para me dizer: não sou mais presidente. E passei a desfrutar das coisas que eu gosto. Ir a museus, comprar livros, comecei a me preparar para escrever um livro, via meus amigos, ia comer em restaurantes que eu gostava, ia ao teatro, andava a pé. Foi uma terapia de choque, digamos assim.

Como é o poder para o senhor hoje em dia?

Hoje não tenho poder nenhum. Posso ter é influência, que é uma outra coisa. É a capacidade de a partir do que você fala e faz, influenciar o comportamento de terceiros. Poder é quando você pode obrigar, eu decreto tal coisa e passa a valer. Você tem a capacidade de coagir o outro, pela lei no caso da democracia, mas mesmo a lei está baseada na força, tem autoridade.

O poder leva ao autoengano? Por exemplo, muita gente critica que o senhor deveria ter feito muito mais marketing dos coisas que conseguiu fazer durante seu governo, em lugar de esperar que a própria história lhe fizesse justiça.

É possível que o poder iluda. No caso do marketing, eu mesmo tinha muita resistência. Por outro lado, naquela época isso não seria tolerável, as finanças não eram tão favoráveis assim. A Bolsa Escola, por exemplo, foi a origem de todas as bolsas. Distribuímos 5 milhões de bolsas e eu não usei isso como se fosse dádiva.

O senhor apostava em reconhecimento natural do seu governo?

Eu não estava nem pensando nisso. Tinha uma dúvida profunda, não sabia se estava constituindo um começo ou um interregno. Eu dizia, essas coisas que nós estamos fazendo, eu não sei se é o começo de uma mudança ou se é um momento que depois vai regredir. Vendo hoje, algumas coisas foram um começo, a estabilidade foi uma delas, assim como a área social. Outras foram um interregno, como a concepção de secularizar mais a política e não ficar nessa coisa patrimonialista.

Mas e o marketing?

Nunca tive a preocupação de fazer propaganda em termos pessoais, realmente não pensei. Alguém me perguntou como vou ser visto daqui a 100 anos. Será que eu serei visto? E se eu for bem-visto, estarei morto. De que adianta? (risos) E tem o seguinte: a História modifica o julgamento. Dependendo de cada momento da História, você é bom ou é mau, isso vai variando. Se você fez alguma coisa que mereça ser vista por ela, ótimo. Mas isso não quer dizer que sua posição está assegurada, porque alguns vão dizer que foi bom e outros que foi mau. Depois muda a geração, o que era bom virou mau, o que era mau virou bom. Isso é muito comum, não só no poder. Eu estava lendo hoje numa revista: “Baudelaire não conheceu a glória quando vivo”. Pode ser. Mas de que adianta conhecer a glória morto?

Fonte: Estadão – Edição do dia 20/02/2011