Dia 13, PT na rua… E adesivo até na orelha!

Ontem foi dia 13, número histórico do PT. Era, portanto, a data perfeita para colocar a militância na rua, levantar as bandeiras e mostrar força. O problema é que, em Valença, parece que esqueceram de avisar à militância.

A chamada “bandeirada do PT” aconteceu justamente na Avenida Antônio Carlos Magalhães. Sim, minha gente: os petistas foram balançar bandeiras na avenida que leva o nome de ACM! Só essa coincidência já merecia uma charge.

Na porta do comitê, segundo quem acompanhou, havia algo entre 20 e 30 pessoas. Gente tão pouca e adesivo sobrando tanto que foi preciso colar na testa, no braço, no cotovelo, na barriga e, se bobear, até atrás da orelha. Tudo para não voltar com material para casa!

Para deixar a fotografia ainda mais curiosa, apareceram por lá dois conhecidos bolsonaristas convictos, agora fazendo sinal positivo no meio das bandeiras de Lula e Jerônimo. A política realmente produz cenas que nem o melhor humorista conseguiria inventar.

Também estavam presentes a presidente municipal do PT e nada menos que sete secretários do prefeito Marcos Medrado. Façamos uma conta simples: se cada secretário levasse apenas dez pessoas, seriam pelo menos 70 participantes. Mas, pelo visto, alguns não conseguiram levar nem os parentes mais próximos.

O contraste ficou ainda maior porque, poucos dias antes, Medrado havia colocado milhares de pessoas nas ruas de Valença ao lado de Lula, Jerônimo, Rui Costa e Jaques Wagner. Depois de uma demonstração daquele tamanho, promover uma bandeirada com duas dúzias de pessoas deu a impressão de que o balão político encheu na sexta-feira e amanheceu murcho no domingo.

E aqui fala um petista de carteirinha. O problema do PT de Valença é que o partido parece ter dono e funcionar como herança de família: passa de pai para filho, de marido para mulher e de mulher para irmão. O filiado comum fica olhando de longe, porque não encontra espaço para participar. Um partido que deveria agregar acabou fechado, travado e afastado de boa parte dos próprios petistas.

O PT continua forte nacionalmente porque construiu alianças e conta com outros partidos e lideranças. Mas, em Valença, precisa urgentemente abrir as portas, conversar com seus filiados e deixar de tratar companheiro como inimigo. Militância não aparece por decreto nem nasce dentro de gabinete.

No fim, a bandeirada do dia 13 levantou poucas bandeiras e muitas perguntas. Se não havia gente para receber os adesivos, pelo menos ninguém poderá dizer que faltou criatividade para escolher onde colá-los.

Depois dessa, até Marcos Medrado deve ter olhado a fotografia e pensado:

— Rapaz, era melhor terem deixado as bandeiras guardadas!

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