Cadê o discurso do “quem não deve, não teme”?

Jim Caviezel como Jair Bolsonaro em cartaz de ‘Dark Horse’, filme de Cyrus Nowrasteh sobre o ex-presidente – Reprodução

Durante anos, uma frase virou quase um mantra entre muitos apoiadores da extrema direita: “Quem não deve, não teme.” Pois agora chegou a hora de colocar esse discurso em prática.

A Procuradoria-Geral da República recomendou ao Supremo Tribunal Federal a abertura de uma investigação para apurar os repasses destinados ao filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. O ministro André Mendonça autorizou a investigação, que ficará a cargo da Polícia Federal.

É importante lembrar que a abertura de um inquérito não significa condenação. A investigação existe justamente para esclarecer se houve alguma irregularidade ou se tudo ocorreu dentro da legalidade. Esse é o papel das instituições.

Mas é impossível não notar a ironia da situação. Os mesmos que durante anos cobraram investigações rigorosas contra adversários políticos agora se veem diante de mais um episódio envolvendo um dos principais nomes da direita brasileira.

Se antes bastava surgir uma notícia para muitos decretarem culpa antes mesmo do fim das investigações, agora a coerência será colocada à prova. Afinal, quem acredita na Justiça deve defendê-la para todos, sem escolher lado.

No fim das contas, a Polícia Federal fará seu trabalho, a Justiça decidirá com base nas provas e a sociedade acompanhará o desfecho. Até lá, vale lembrar um velho ensinamento que fez muito sucesso nos últimos anos: quem não deve, realmente não teme.

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