Cobrar é fácil. Difícil é ajudar a enfeitar a cidade

Nota da Casa do Empresário, choro de quem não tem competência

A nota divulgada pela Casa do Empresário de Valença sobre a ausência de ornamentação junina traz uma reflexão importante, mas também levanta uma pergunta inevitável: onde estão os empresários nessa história?

É verdade que, tradicionalmente, a decoração das ruas e praças é coordenada pela Prefeitura. Ninguém discute isso. Mas também é verdade que o São João não pertence ao prefeito, nem à Prefeitura. O São João pertence ao povo, ao comércio e à cidade.

Se a preocupação das entidades é tão grande com a ausência de bandeirolas e enfeites, por que não lideraram uma campanha para mobilizar comerciantes, patrocinadores e voluntários? Afinal, ACE, CDL e Sincomval representam justamente os setores que mais se beneficiam economicamente quando a cidade vive o clima junino.

Valença já viveu tempos em que comerciantes decoravam fachadas, ruas e vitrines por iniciativa própria. Era um esforço coletivo, sem necessidade de empurrar toda a responsabilidade para o poder público.

A impressão deixada pela nota é a de que alguns dirigentes preferem apontar o dedo do que estender a mão. Cobram da Prefeitura, mas não apresentam uma única ação concreta realizada pelas entidades para amenizar o problema.

Num momento em que o município enfrenta desafios financeiros e precisa priorizar áreas essenciais, talvez o caminho mais inteligente fosse a união de forças. Menos notas oficiais. Mais bandeirolas. Menos acusações. Mais participação.

Porque, no final das contas, quem perde não é a Prefeitura nem a Casa do Empresário. Quem perde é Valença. E quando a cidade perde, todos perdem juntos.

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