Quando a lei vira opinião: quem autoriza os Estados Unidos a trocar presidentes?

Existe uma regra básica na convivência entre países: fronteira não é sugestão. Soberania não é opinião. Mas, quando se trata dos Estados Unidos, essa regra costuma entrar em modo avião.

A pergunta é simples e incômoda: quem autorizou os EUA a decidir que o presidente da Venezuela deve sair de cena? A resposta honesta é ainda mais desconfortável: ninguém.

Nem a Organização das Nações Unidas, guardiã formal do direito internacional. Nem o Congresso dos Estados Unidos, que pela Constituição americana deveria dizer quando há guerra ou uso de força.

Mesmo assim, Washington age. E age com a naturalidade de quem se considera juiz, júri e executor.

O argumento muda conforme o vento: ora é combate ao narcotráfico, ora é defesa preventiva, ora é a tese conveniente de que Nicolás Maduro “não é legítimo”.

Curioso como a legitimidade alheia sempre depende do alinhamento político com a Casa Branca.

Se o governante obedece, é “aliado”. Se resiste, vira “ameaça”.

Esse tipo de lógica é perigoso não só para a Venezuela, mas para qualquer país que ainda acredita que tratados internacionais não são papel descartável.

Porque, se basta um governo poderoso declarar que outro presidente é ilegítimo, nenhum mandato está seguro. Hoje é Caracas. Amanhã, quem garante?

A ONU, com todos os seus defeitos, existe justamente para evitar esse tipo de faroeste diplomático. Quando ela é ignorada, o recado ao mundo é claro: a lei vale enquanto for conveniente.

E dentro dos próprios Estados Unidos, o roteiro também é torto. Presidentes americanos se escondem atrás do título de “Comandante-em-Chefe” para driblar o Congresso, transformar exceção em regra e empurrar decisões graves goela abaixo dos representantes eleitos.

Depois, quando o estrago está feito, pedem compreensão. Ou silêncio.

O mais grave não é só a ilegalidade. É o precedente. Um mundo onde potências se autorizam sozinhas a derrubar governos não é mais um sistema internacional.

É um tabuleiro inclinado, onde alguns jogam com dados viciados e outros apenas torcem para não serem os próximos.

No fim das contas, a pergunta não é se Maduro agrada ou desagrada. A pergunta é outra, bem maior:
quem controla quem se acha dono do mundo?

Porque quando a força substitui o direito, a democracia vira discurso decorativo e a soberania passa a valer menos que a vontade de quem tem mais armas.

E isso, gostem ou não, deveria preocupar todo mundo.

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2 Resultados

  1. Wolf Moitinho disse:

    Excelente texto! Mas, tem babacas que não entendem o que é soberania ou não querem entender!
    Esses imbecis são os mesmo que ocuparam melhor, ainda ocupam as senzalas inconscientemente, desde o descobrimento do Brasil. Sim, foram mais de 500 anos de hegemonia da elite brasileira na política.
    Eles acreditam que os americanos que derrubaram a soberania dos venezuelanos são melhores que os algozes brasileiros.
    Estão completamente enganados! Americanos como o Trump são prepotentes, cruéis, causam opressão, sofrimento e dor.

  2. Wolf Moitinho disse:

    janeiro 9, 2026 às 4:28 pm
    Excelente texto! Mas, tem babacas que não entendem o que é soberania ou não querem entender!
    Esses imbecis são os mesmo que ocuparam, ou melhor, ainda ocupam as senzalas inconscientemente, desde o descobrimento do Brasil. Sim, foram mais de 500 anos de hegemonia da elite brasileira na política.
    Eles acreditam que os americanos que derrubaram a soberania dos venezuelanos são melhores que os algozes brasileiros.
    Estão completamente enganados! Americanos como o Trump são prepotentes, cruéis, causam opressão, sofrimento e dor.

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