Por *Raell Costa
Só por curiosidade, ontem procurei nos principais jornais de grande circulação da Bahia e, não encontrei nenhuma menção de congratulação sobre o desempenho do “bloco” Polícia Militar na maior festa popular do planeta, o Carnaval da Bahia.
Até mais críticos do modelo militar de gestão da instituição – e tenha certeza que sou um deles – precisam, pelo menos uma vez, render os devidos créditos e elogios a quem, de fato, garante a folia de milhões de baianos e dos “baianos especiais”.
Importante salientar que o carnaval da Bahia não se resume ao Carnaval de Salvador, apesar desse ter maior visibilidade. Em cada metro de praia há um carnaval; em cada beco onde se reúna famílias e amigos há um carnaval; onde alguém abra uma mala ou ligue seu paredão há um carnaval. Em todos esses ambientes, há o acompanhamento e presença da Polícia. Não esqueçamos que, mesmo nesse período a problemática social e os conflitos urbanos não desaparecem como passe de mágica, para esses casos também há o bloco da Polícia Militar.
Na capital, a proporção polícia x folião é absurda! São cerca de 23 mil policiais (entre civis e militares) para 2,5 milhões de foliões, uma média de 109 foliões curtindo para cada policial empregado nos circuitos.
Polêmicas sobre o canto do Kannário ou a rebolada de ACM Neto a parte, é necessário não esquecer que não muda o quadro efetivo das policias no período carnavalesco. Muda-se, porém, a forma de emprego tático; o aparato tecnológico; a quantidade de efetivo por patrulha; a atenção dada a segurança pública, e porque não dizer, ainda que aquém do ideal, o valor da hora trabalhada. Enfim, muda-se o conceito de Segurança Pública. Não serei leviano em deixar de dizer que a fiscalização de excessos e o amplo espectro de monitoramento ajuda bastante na eficácia do serviço e do controle social sobre a polícia. Que seja regra!
Ademais a polícia baiana (sobretudo, as praças, soldados, cabos, sargentos, subtenentes) garante a festa de todos que procuram entre trios elétricos, charangas, sambas, travestidos e afoxés, encontrar trabalho, renda, alegria e diversão na festa momesca. Aos que buscam finalidade outra, é dada a devida força necessária, extremamente necessária.
No mais, é essa polícia invisível que, acerta mais do que erra, quem garante a vida social, a ordem e o bem estar da população baiana, não só nos dias de carnaval, mas durante todo os outros 358 dias do ano. Como diz, o hino do carnaval: “eu queria que essa fantasia fosse eterna, quem sabe um dia a paz vence a guerra e viver será só festejar”! Sonhar não custa nada e faz bem.
*Raell é técnico em Segurança Pública, graduando em Gestão Pública pela Universidade Federal do Recôncavo e folião.
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Muito bom ter essa opção mensal ,cheia de conteúdo eu faço parte dessa equipe