Com certeza a história se repetiria aqui, caso Flávio se elegesse

Por Washington Pelegrini

Meus amigos, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, tem 47 anos. Assumiu o governo aos 44 e, nesta quinta-feira (5), entregou ao Congresso sua carta de renúncia A sessão ficou sem quórum para votar o pedido.

Até a manhã desta sexta-feira (6), Peña seguia formalmente no cargo, enquanto o Senado dava andamento ao processo de impeachment.

A crise estourou com o colapso do Ueno Bank, que deixou milhões de paraguaios sem acesso ao dinheiro nas contas.

Peña já foi acionista do grupo que controlava o banco. A oposição o acusa de conflito de interesses e de ter ajudado a proteger a instituição da fiscalização.

Ele nega irregularidades. Com a crise, perdeu apoio dentro do próprio partido, o Colorado.

Agora, esse episódio me fez pensar numa coisa. Quando a gente olha para os presidentes e primeiros-ministros pelo mundo, é muito mais comum encontrar gente acima dos 50.

Um levantamento do Pew Research Center, feito em junho deste ano com 186 países, encontrou uma idade mediana de 63 anos entre os governantes. Cerca de um terço estava na casa dos 60.

Isso mostra quem costuma ocupar esses cargos. Para saber se os mais jovens caem mais, seria preciso comparar quantos assumiram e quantos completaram o mandato em cada faixa de idade.

Exemplo de jovem que se sustentou no cargo tem. Barack Obama assumiu a Presidência dos Estados Unidos aos 47, foi reeleito e governou por oito anos. Bill Clinton entrou aos 46, também foi reeleito e completou dois mandatos, mesmo depois de enfrentar um impeachment e ser absolvido pelo Senado. E repare num detalhe: aos 46, Clinton já tinha cerca de 12 anos de experiência como governador do Arkansas.

Aqui no Brasil, o caso que mais lembra o de Peña é o de Fernando Collor. Tomou posse aos 40 anos e renunciou em 1992, em meio a um escândalo de corrupção. O Senado seguiu com o julgamento e o inabilitou por oito anos para exercer função pública. Já na vizinha Argentina, Fernando de la Rúa tinha 64 anos quando renunciou, em plena crise de 2001.

E tem o caso de Volodymyr Zelensky, que assumiu a Presidência da Ucrânia aos 41 e hoje tem 48. Ele segue no cargo mais de sete anos depois da posse, mas a comparação exige levar em conta a invasão russa em larga escala, iniciada em 2022. A legislação ucraniana proíbe a realização de eleições enquanto vigora a lei marcial.

Na minha opinião, experiência conta muito. E uma das coisas que mais revelam a experiência de um governante é o que ele faz quando recebe uma notícia ruim. Escuta quem está alertando? Cobra providências? Dá explicações à população? No Paraguai, é por aí que eu faria a cobrança. Quando apareceram os primeiros sinais de problema no banco, o que as autoridades sabiam e o que fizeram para proteger o dinheiro dos correntistas? É essa resposta que o povo paraguaio tem direito de cobrar.

E aí, meus amigos, eu trago a conversa para o Brasil.

Diante das controvérsias que cercam Flávio Bolsonaro, como ele agiria se tivesse chegado à Presidência?

Na hora de uma crise, daria explicações ao povo e deixaria os órgãos de fiscalização trabalharem com autonomia?

Será que ele faria diferente ou, quando a gente fosse fazer as contas, acabaria sendo o pior de todos?

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