ACM Neto: o orgulho pode custar o futuro político

Existe uma máxima que diz: “Se você não pode com seu inimigo, junte-se a ele”. Na minha avaliação, ela cabe direitinho na situação de ACM Neto. Mas parece que o orgulho e a pose de superioridade falam mais alto.

Neto quis conquistar o eleitor que vota em Lula, mas não acompanha o PT na Bahia. Agora, ao se alinhar com Flávio Bolsonaro, corre o risco de afastar justamente esse povo. Afinal, quem gosta de Lula pode até aceitar uma diferença na política estadual, mas não necessariamente aceita caminhar com o bolsonarismo.

Eu vejo o futuro político de Neto cada vez mais apertado. O PT construiu na Bahia um projeto que passa de um governador para outro. Na minha leitura, quem sai deixa obras, alianças e uma bagagem que ajuda o sucessor a continuar. Não é uma estrutura que se derruba apenas com sobrenome e vontade de ser governador.

Será que Neto terá disposição para outra disputa? Eu tenho minhas dúvidas. Pelo caminho que escolheu, acho muito difícil chegar ao governo. A política pode mudar, novos grupos podem surgir, mas esse velho projeto do carlismo, hoje tão dependente dele, parece estar perdendo o fôlego.

Talvez a oportunidade estivesse numa aproximação com Lula, construída lá atrás, com diálogo e menos arrogância. Quem sabe uma aliança futura pudesse abrir espaço para disputar o Senado e reconstruir sua força? Isso é uma hipótese minha, claro. Uma candidatura dependeria de acordo político e, principalmente, do voto do povo.

Até sobre Salvador eu tenho uma interpretação: às vezes, parece que falta ao PT enfrentar o grupo de Neto com toda a força que tem no estado. Não digo que exista um acordo para entregar a prefeitura. Eu gostaria mesmo, era de ver uma disputa mais firme. Por isso não considero garantido que uma eventual volta de Neto à corrida municipal terminasse em vitória.

O avô dele sabia fazer essas leituras. Antonio Carlos Magalhães declarou voto em Lula no segundo turno de 2002, apesar das diferenças políticas. Soube reconhecer o momento e abrir uma ponte com um adversário.

Neto poderia ter aprendido essa lição. Política exige convicção, mas também exige saber conversar e entender o que o povo está dizendo.

Essa é a minha opinião: o carlismo está ficando para trás, e o “netismo” não demonstra a mesma capacidade de se reinventar. Quem insiste em enfrentar uma porta fechada, sem procurar outro caminho, acaba cansando antes de entrar.

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