Direito de festejar, sim. Mas o direito de dormir também merece respeito

Tem gente que confunde liberdade com fazer o que bem entende. Não é assim. Quem mora numa cidade sabe que o direito de um termina exatamente onde começa o do outro.

O prefeito Marcos Medrado acertou ao chamar os moradores da Vila Operária para conversar. Em vez de simplesmente empurrar o problema para debaixo do tapete, preferiu ouvir quem convive diariamente com o barulho, com a insegurança e com os transtornos provocados por alguns eventos que acabam passando dos limites.

Ninguém é contra festa. Festa faz parte da cultura, movimenta a economia e leva alegria para muita gente. O problema começa quando o paredão transforma a madrugada em tormento, quando idosos não conseguem dormir, crianças acordam assustadas e trabalhadores passam a noite em claro porque alguém resolveu aumentar o volume sem pensar em quem vive ao redor.

E o pior é que, muitas vezes, o barulho vem acompanhado de confusão, brigas, garrafas arremessadas e até casos de violência, como já aconteceu na Vila Operária. Aí deixa de ser diversão e passa a ser um problema de ordem pública.

A decisão de criar uma comissão de moradores para participar das discussões sobre a realização de eventos é uma demonstração de respeito à comunidade. Afinal, ninguém conhece melhor a realidade do bairro do que quem mora nele.

Esse debate, inclusive, deveria servir de exemplo para toda Valença. Está na hora de a cidade discutir seriamente a questão do silêncio e do respeito ao próximo.

Não importa se é na Vila Operária, no Centro, na Bolívia, no Tento, no Guaibim ou em qualquer outro bairro. Quem quer fazer festa tem esse direito. Mas quem quer descansar também tem.

Cidade organizada não é aquela onde ninguém se diverte. É aquela onde diversão e tranquilidade conseguem caminhar lado a lado. E esse equilíbrio só existe quando prevalecem o bom senso, o diálogo e o respeito às leis.

Se essa reunião servir para despertar essa consciência em toda Valença, quem ganha não será apenas a Vila Operária. Ganhará toda a cidade.

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