Bélgica lavou a alma de quem ainda acredita que futebol não tem dono

Confesso que não acompanhei muitos jogos desta Copa do Mundo. Assisti a dois da Seleção Brasileira, vi um da França, outro da Espanha e, claro, não perdi a abertura, quando os Estados Unidos golearam o Paraguai.

Mas o jogo que eu realmente fiz questão de assistir foi o de ontem (06), entre Estados Unidos e Bélgica. E posso dizer, sem exagero: lavei a alma.

Torci pela Bélgica com uma intensidade que há muito tempo não sentia nem quando o Brasil entrava em campo. Para mim, aquela partida representava muito mais do que uma disputa por uma vaga. Era a oportunidade de o futebol mostrar que continua sendo decidido dentro das quatro linhas.

Depois de toda a polêmica envolvendo Donald Trump e o presidente da FIFA, Gianni Infantino, com a revelação de que Trump pediu a revisão do cartão vermelho aplicado ao atacante americano Folarin Balogun e o pedido acabou sendo atendido, qualquer derrota dos Estados Unidos teria um peso simbólico enorme.

O melhor de tudo foi justamente Balogun estar em campo. Se ele tivesse ficado fora da partida, certamente surgiriam discursos dizendo que a eliminação americana aconteceu por causa da expulsão. Com ele jogando, esse argumento perdeu a força.

E a derrota veio em casa, diante da própria torcida. Para quem criticou a interferência política no futebol, o resultado teve um sabor especial. Foi como um recado de que o esporte precisa preservar sua credibilidade e sua independência.

Tomara que essa mesma lógica prevaleça também fora dos gramados: nas relações entre os países, nas guerras e nas tentativas de impor a força ou o poder econômico sobre os demais. O mundo já tem conflitos demais. O futebol, pelo menos, merece continuar sendo decidido pela bola.

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