Banco Master: por que a PF bateu à porta de Jaques Wagner enquanto Flávio Bolsonaro segue sem a mesma pressão?

O escândalo do Banco Master continua produzindo capítulos que levantam mais perguntas do que respostas. E uma delas chama a atenção de muita gente: por que o senador Jaques Wagner virou alvo de uma operação da Polícia Federal enquanto o senador Flávio Bolsonaro, que admitiu ter buscado recursos junto ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre seu pai, não sofreu até agora uma ação semelhante?

Nos últimos dias, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca relacionados ao senador Jaques Wagner, dentro das investigações que apuram possíveis vantagens indevidas ligadas ao Banco Master. Wagner nega qualquer irregularidade e afirma confiar no esclarecimento dos fatos.

Por outro lado, vieram a público mensagens, áudios e reportagens mostrando que Flávio Bolsonaro manteve contato com Daniel Vorcaro para viabilizar recursos destinados à produção de um filme sobre Jair Bolsonaro. O próprio senador reconheceu que buscou apoio financeiro privado para o projeto.

A questão que muitos observadores fazem não é se Jaques Wagner deve ou não ser investigado. Se há suspeitas, a investigação deve ocorrer. O mesmo vale para qualquer político, seja de esquerda ou de direita. O que causa estranheza é a aparente diferença de tratamento diante de fatos que também colocam Flávio Bolsonaro no centro das discussões sobre as relações entre políticos e Daniel Vorcaro.

Outro ponto curioso é que, enquanto reportagens e revistas dedicaram grande espaço às suspeitas envolvendo Jaques Wagner, as revelações sobre as negociações entre Flávio Bolsonaro e o dono do Banco Master não tiveram o mesmo impacto em determinados setores da imprensa e da oposição. As mensagens divulgadas mostram um relacionamento que vai além de um simples contato eventual.

Num país democrático, a regra deveria ser simples: investigação para todos, sem distinção de partido, ideologia ou sobrenome. Se a Polícia Federal tem elementos para investigar Jaques Wagner, que investigue. Mas se existem informações públicas, áudios e mensagens envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, a sociedade também tem o direito de esperar o mesmo rigor e a mesma disposição para esclarecer os fatos.

A credibilidade das instituições não depende apenas de investigar. Depende também de demonstrar que a lei alcança todos da mesma forma.

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