Eleições 2026: o impacto silencioso da Inteligência Artificial no processo democrático

Por: Wenderson Brito*
Quando falamos em eleições, normalmente pensamos em candidatos, propostas e debates. Mas o ciclo eleitoral de 2026 traz um elemento novo, silencioso e cada vez mais presente: a Inteligência Artificial. Não como protagonista explícita, mas como uma força que atua nos bastidores, influenciando a forma como informações circulam e chegam até as pessoas.
A Inteligência Artificial já organiza grande parte do que vemos no dia a dia. Ela define quais conteúdos aparecem primeiro nas redes sociais, sugere vídeos, filtra notícias e aprende continuamente com o comportamento dos usuários. É natural que essa mesma lógica também alcance o ambiente eleitoral.
Na prática, a IA permite analisar grandes volumes de dados e identificar padrões de interesse, linguagem e reação do público. Isso torna a comunicação mais eficiente, mas também mais segmentada. Cada grupo pode receber mensagens diferentes, adaptadas ao seu perfil. Quando isso acontece, o debate público tende a se fragmentar, e a sociedade passa a discutir temas semelhantes a partir de informações distintas.
Outro ponto que merece atenção é o avanço dos conteúdos artificiais. Hoje já é possível criar vídeos e áudios extremamente realistas, capazes de simular falas e imagens de pessoas reais. Quando usados de forma inadequada, esses recursos podem gerar confusão, desinformação e insegurança. O maior risco não está apenas na informação falsa, mas na perda de confiança. Quando tudo pode ser questionado, inclusive o que é verdadeiro, o ambiente democrático se fragiliza.
Ao mesmo tempo, é importante destacar que a Inteligência Artificial não é apenas um fator de risco. Ela também pode ser parte da solução. Sistemas baseados em IA já são utilizados para identificar comportamentos suspeitos na internet, como redes automatizadas de disseminação de conteúdo ou ações coordenadas de desinformação. Quando bem empregada, a tecnologia pode ajudar a proteger a integridade do processo eleitoral.
O desafio está no equilíbrio. A tecnologia avança em ritmo acelerado, enquanto regras e práticas institucionais ainda estão em construção. Mais do que proibir ou restringir, o caminho passa por transparência, responsabilidade e governança. É preciso criar parâmetros claros para o uso da IA, sem comprometer a inovação nem a liberdade de expressão.
Nesse contexto, o papel do cidadão se torna ainda mais relevante. Desenvolver senso crítico, checar fontes e desconfiar de conteúdos sensacionalistas passa a ser uma atitude essencial. Em um ambiente digital sofisticado, a consciência informacional deixa de ser um diferencial e se torna uma necessidade democrática.
A Inteligência Artificial não escolhe candidatos, mas influencia caminhos. Ela amplia vozes, acelera narrativas e exige maturidade institucional e social para ser utilizada de forma responsável. As eleições de 2026 serão um teste importante de como tecnologia, democracia e sociedade conseguem caminhar juntas.
Mais do que uma discussão política, trata se de uma reflexão sobre confiança pública, informação de qualidade e o futuro da cidadania em um mundo cada vez mais digital.
Wenderson Brito* é Especialista em Gestão Pública, Governança e Inteligência Artificial aplicada à Administração.
Autor do e book “Modernização no Setor Público: Digitalizando Processos para uma Gestão Eficiente”, um guia prático voltado para gestores e equipes públicas que desejam incorporar tecnologia e inovação na rotina administrativa.
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Reflexão pertinente sobre um tema cada vez mais presente. Os avanços tecnológicos pedem análise cuidadosa, responsabilidade e diálogo.