A Complacência das autoridades eleitorais com o machismo estrutural

A ausência de mulheres na nova composição da Câmara de Vereadores de Valença é resultado do machismo estrutural encrustado na sociedade brasileira, isso não é um problema especifico nosso e também não é novidade pra ninguém. Mesmo com a legislação exigindo a presença mínima de 30% de um dos gêneros na composição das chapas partidárias, ainda assim, não há garantia efetiva de participação feminina nos destinos políticos da cidade. Esse é um tema que pode ser abordado com diversos olhares, mas nesse momento vamos concentrar-nos ao relacionado com a ineficiência do MP e poder judiciário em investigar as chapas que usam mulheres apenas como instrumento para alcançar a cota de gênero e satisfazer interesses de políticos, homens, sem nenhuma identidade ou compromisso com a participação feminina, além dos discursos rasos e politicamente corretos.

Com uma simples pesquisa na internet podemos afirmar com segurança e colocar sob suspeita que no mínimo 5 partidos que asseguraram vagas na Câmara podem ter utilizado candidaturas fictícias, apenas para cumprimento formal de exigência legal, com o intuito de burlar o equilíbrio de gênero. São eles o DEM, PP, PCdoB, Avante e Solidariedade. Todos estes partidos possuem em sua chapa uma ou mais mulheres que obtiveram menos de 10 votos no pleito eleitoral. A irrisoriedade das votações não é o único indicio de fraude, todas essas possíveis “pseudocandidatas” não efetuaram qualquer gasto ou arrecadação de campanha (segundo o TSE com informações atualizadas até 15/11/2020) e a maioria delas sequer fizeram movimentações políticas nas redes sociais, algumas limitaram-se a colocar no próprio perfil uma foto protocolar de campanha e mais nada. Candidaturas que possivelmente só existiam de direito e não de fato e podem representar um desvio ao espirito democrático já que na condição de suplentes estão aptas a assumir um mandato. São elas: do DEM Aline (1 voto) e Jó (4 votos), do PP Joice de Nadir (4 votos), Rosa da Sopa (6 votos) e Maria da Glória (8 votos), do PCdo B Lúcia do Orobó (5 votos), do Avante Shayane Mendonça (6 votos) e Loira dos Animais (8 votos) e do Solidariedade Iana (8 votos) e Lica (8 votos).

A intenção não é denunciar essas mulheres, que talvez sejam até vitimas de “estelionato político” por parte de dirigentes partidários, sendo inicialmente cooptadas com promessas de apoio financeiro para campanha através de fundos eleitorais e possibilidade de influência política e cargos em futuras gestões, e depois abandonadas a própria sorte. Alguns casos como estes já chegaram ao TSE e foram considerados fraude ao dispositivo legal, sendo assim toda a chapa derrubada e refeito o cálculo do quociente eleitoral mudando completamente a composição da Câmara de Vereadores.

https://www.tse.jus.br/imprensa/noticias-tse/2019/Setembro/tse-mantem-cassacao-de-vereadores-envolvidos-em-caso-de-candidaturas-fraudulentas-no-piaui

Caso o Ministério Público entenda que esses casos mereçam ser investigados, 8 vereadores eleitos podem ter seus mandatos cassados aqui em Valença. Tudo depende do entendimento e vontade do MP e Justiça eleitoral, do empenho daqueles que estão fora da lista e se beneficiariam com esse entendimento, das teses jurídicas e principalmente da comprovação dos fatos acima apresentados.

2 Respostas para A Complacência das autoridades eleitorais com o machismo estrutural

  1. Perguntador novembro 18, 2020 às 8:20 am #

    Quem é o autor do texto ou a fonte que retirou a matéria?

  2. Edson F. novembro 18, 2020 às 9:04 am #

    Daqui a pouco a reclamação é pela ausência de trans, indígenas e quilombolas. Foi apenas a vontade soberana das urnas em ñ eleger elas. Tantas mulheres foram eleitas em outras câmaras municipais da BA, e vários homens receberam 1 voto apenas. Recebi um monte de memes desses caras de 1 voto. Isso é papo de esquerda universitária de PSOL.

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