OS CASARÕES DE DONA MATILDE

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Quando cheguei aqui em Valença no início dos anos 1980, fiquei admirado com aqueles casarões da Praça da República. Valença era uma cidade pequena e pacata, mas sua arquitetura do passado ainda era muito marcante. Minha saudosa e querida Dona Matilde (que Deus a tenha ao seu lado), proprietária do Hotel Universal, onde eu, muitos bancários e estudantes da EMARC ficavam hospedados, nos contava a história de sua terra. Dona Matilde falava daqueles casarões com romantismo, dizia que representavam algo grande para a cidade, assim como a torre Eiffel estava para a França, o Cristo Redentor para o Rio de Janeiro etc. “Tinha uma praça bonita, chamada Praça da Lagoa, à noite ali ficavam pessoas da cidade e de outros lugares admirados com aqueles casarões, bonitos, charmosos e enormes!”, dizia dona Matilde.

Onde minha amiga se encontra sei que ainda deve estar lutando pela preservação daqueles casarões. Lembro que ainda tinham sete quando ela se foi, depois derrubaram mais dois. Só não fizeram uma demolição em massa porque ainda existem pessoas que brigam pela causa e conseguiram tombar pelo Patrimônio Histórico.

Ainda ontem quando passava por ali notei que estavam retelhando um dos casarões, e pra meu espanto, sim, falo espanto porque estão retelhando o casarão com telhas de Eternit, fora dos padrões exigidos para um patrimônio histórico, com certeza deve ser retelhado com telhas de cerâmica para não fugir da bela fachada que eles têm.

Infelizmente eu soube que aquele casarão que está sendo retelhado pertence a um político aqui de Valença, e para minha desilusão, pertence ao senhor Ramiro Campelo. Não adianta falar nem brigar, o que ele faz ninguém desfaz, é um ditador, anarquista. Sei que não vai respeitar as regras. Vamos ver se pelo menos os vereadores da cidade tomam providências em relação ao assunto.

Com a palavra, o povo.

 

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7 Respostas para OS CASARÕES DE DONA MATILDE

  1. Fábio agosto 27, 2009 às 5:02 pm #

    Pelegrini,

    É pena que pessoas tidas como empreendedoras, geradoras de empregos – via mutirão – tratem a história e o patrimônio de um povo com descaso e desdém. Vale dizer que antes do interesse do proprietário está a coletividade, a identidade de um povo e a referência para aqueles que visitam a cidade. O casarão não é do tio. O casarão faz parte de um conjunto de símbolos que dão a cara da cidade de Valença. Junto com o Teatro, as Igrejas, o prédio da “Recreativa”, dentre outras construções, contam o passado melhor do que qualquer livro.

    Já faz algum tempo que ouvi falar em tombamento de diversos prédios de Valença pelo IPHAN ou IPAC, não sei ao certo. Certo é que, se realmente isto foi discutido com seriedade, esta discussão parece estar adormecida, se é que não morreu. Lamentável. Rio de Contas é uma cidade bem menor e de visibilidade ainda menor que Valença. No entanto, nas casas do centro daquela cidade – na parte tombada – não se pode mudar sequer o piso.

    É Pelegrini, a sua saudosa dona Matilde deve estar doida pra vir puxar o pé de gente por aí… Talvez fosse melhor que viesse buscá-lo de uma vez por todas.

  2. Lina agosto 27, 2009 às 5:33 pm #

    Na semana passada, conversei com dois arquitetos que trabalham no IPHAN. Eles participaram da obra de revitalização da Câmara Municipal de Valença e comentaram: Se todo gestor público tivesse a sensibilidade e respeito pela história como Ricardo Moura, nosso patrimônio não só estaria preservado, como se encontraria em excelente estado.

    Diante desse comentário e desse seu post, só posso dizer: RAMIRO, CHAMA O RICARDÃO!

  3. pelegrini agosto 27, 2009 às 5:44 pm #

    Rssss… Boa Fábio!

    Abraço,

    Pelegrini.

  4. Oliveira agosto 27, 2009 às 5:48 pm #

    Dá-lhe o Ricardão!

  5. José da Hora agosto 28, 2009 às 12:36 am #

    Pelegrini,
    A lembrança de alguns moradores dos casarões, com sua matéria, nos trás; senão vejamos:
    Sr. Almeida e D. Didi -ele comerciante na feira livre e ela sensora no Ginásio Estadual.
    Sr.Milton e D.Lindinha -ele fazendeiro e ela da burguesia local.
    Tenente Oscar e D. Lucia -ele militar e ela do lar.
    Profª Almerinda Almeida e Maria Almeida -professoras de matemática e estatistica.
    Madre Rosário -Creche N.S.Amparo, ainda hoje em funcionamento.-E tantos outros.
    Todos cuidavam com dedicação e orgulho dos casarões, mal sabiam eles que um dia os ESPECULADORES iam se apoderar daqueles imponentes prédios e levariam premeditadamente ao estado de deterioração crônico com objetivos que só os cegos não enxergam.
    Só para lembrar, em 2008, a Câmara de Vereadores de Valença aprovou um Projeto de Lei tombando aqueles imóveis e tantos outos do Município. -Agora, aos cidadãos Valencianos, cabe solicitar da Câmara cópia da Lei Municipal e caminhar para o Ministério Público para exigir o respeito à Lei.

  6. roberta silva fevereiro 27, 2013 às 2:51 pm #

    muito veio ode ei acho coisas boba

  7. Thairine novembro 16, 2014 às 2:08 pm #

    Esses casarões fizeram parte da minha infância, em especial o que se encontra pintado de verde! Morei nele juntamente com minha família no início da década de 90, era muito grande, diria que um pouco assustador também, mais impossível deixar de recordar aquelas cerâmicas antigas, o chão td de madeira. Não é algo “sofisticado” como a maioria das obras do século 19… Parecia mais um “sobrado”, mas com aquela magia de algo antigo… Lembro da mulher de vestido branco, era uma lenda de uma ” fantasma” que morava no prédio, acreditem ou não apenas e e meu pai vimos…minhas amigas da escola morriam de medo de subir as escadas. Lembro de toda divisão interiormente… talvez não com tantos detalhes, mas queria poder voltar para visitar um dia.

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